Boletins médicos indicam risco iminente de morte; O defensor solicitou o cumprimento da decisão
Mesmo após a decisão da Justiça de agendar a transferência em até 24 horas, o auxiliar de serviços gerais Wellington da Silva Quintino, 41, continua internado na UPA Campo Grande (Unidade de Pronto Atendimento) Leblon. A família alega que o prazo estipulado pela Justiça expirou na quarta-feira (22), mas, até esta reportagem, ele ainda aguarda por um leito hospitalar.
Um auxiliar de serviços gerais, de 41 anos, permanece internado na UPA Leblon, em Campo Grande, apesar de ter sido ordenada sua transferência em até 24 horas. Wellington Da Silva Quintino foi internado no domingo (19) após ficar inconsciente e apresentar insuficiência respiratória e coração dilatado, classificados como risco iminente de morte. A Defensoria Pública apresentou novo pedido para cumprimento da decisão após o término do prazo, na quarta-feira (22).
Sua irmã Jacqueline Silva entrou em contato com a repórter para explicar a situação. Segundo ele, Wellington deu entrada na unidade por volta das 12h30 de domingo (19) após desmaiar. “Ele caiu, bateu com o rosto no chão, cortou a sobrancelha e precisou de três pontos. Desde então, os médicos começaram a investigar a causa de sua inconsciência”, relatou.
Durante o exame, a equipe médica detectou coração aumentado, insuficiência respiratória e sequelas pulmonares. Segundo Jacqueline, seu irmão depende de oxigênio para manter a saturação. “Quando retiraram o oxigênio, a saturação dele caiu para cerca de 77%. O médico explicou que ele corria risco de asfixia e poderia morrer”, disse.
Dada a gravidade da situação, a família entrou em contato com a Defensoria Pública, que ajuizou ação judicial. Na segunda-feira (20), a 1ª Vara do Juizado Especial de Saúde concedeu tutela de urgência e determinou que o estado de Mato Grosso do Sul e o município de Campo Grande transfiram o paciente no prazo máximo de 24 horas para unidade hospitalar pública adequada ou, caso não haja vaga, disponibilizem leito na rede privada às custas do poder público.
Na decisão, a juíza Liliana de Oliveira Monteiro destacou que Wellington está internado em unidade de pronto atendimento desde o dia 19 de julho, aguardando transferência, e classificou como alarmante estar em local inadequado para tratar um paciente grave.
O documento destaca ainda que o paciente foi classificado como prioridade 1, considerado situação de risco iminente de morte e afirma que o atraso pode comprometer o direito fundamental à vida e à saúde.
De acordo com o documento Notícias de Campo Grande O acesso foi, estado e município receberam intimações na terça-feira (21). Segundo certidões do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, o Centro de Vagas do Estado recebeu a notificação às 15h44, enquanto a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) recebeu a intimação às 22h45. no mesmo dia.
Mesmo assim, segundo Jacqueline, o irmão continua internado na UPA. “De ontem para hoje o estado de saúde dele piorou. Sei que a equipe da UPA está fazendo todo o possível, mas ele precisa ser transferido para um hospital. Tenho laudo médico que ele está classificado como ‘Khali 1’, ou seja, há risco iminente de morte.”
Ele disse que a família possui todos os documentos do processo. “A Defensoria Pública confirmou que o pedido já foi processado e está no sistema, mas a transferência ainda não aconteceu.
Vencido o prazo fixado pelo tribunal, a Defensoria Pública informou que já tomou novas medidas para fazer cumprir a decisão. “A decisão do juiz já foi tomada e os órgãos públicos, os municípios e o estado foram notificados. Passadas 24 horas, solicita-se o cumprimento da decisão”, disse o defensor à família.
Com medo da piora do quadro clínico, Jacqueline diz vivenciar momentos de angústia. “Voltei à Defensoria Pública porque a decisão não foi cumprida. Meu medo é que esperem o pior acontecer e só então apareça uma vaga. Só quero que a ordem judicial seja cumprida e que meu irmão receba os cuidados que precisa.”
Em nota, Sessau disse que, em observância à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) e aos princípios constitucionais da intimidade e da inviolabilidade da vida privada, não fornece informações individuais sobre pacientes à imprensa ou a terceiros, ainda que indiretamente. O ministério acrescentou que os dados são transmitidos exclusivamente ao paciente ou responsável legal, de forma segura e dentro dos critérios previstos em lei.
A reportagem procurou a SES (Secretaria de Estado de Saúde) para questionar a decisão da Justiça e os motivos do não cumprimento da previsão de transferência, mas até o momento da publicação desta matéria não houve resposta. O espaço está aberto para manifestações.
Este caso foi sugerido por um leitor que enviou uma mensagem pelo canal Direto da estrada.







