António Guterres parece visar os EUA, que recentemente reduziram a sua contribuição, dizendo à ONU para “adaptar-se ou morrer”.
Publicado em 15 de janeiro de 2026
O chefe das Nações Unidas, António Guterres, atacou os líderes mundiais que acusou de virarem as costas à cooperação internacional no meio de “divisões geopolíticas autodestrutivas” e “violações descaradas do direito internacional”.
Dirigindo-se na Assembleia Geral da ONU na quinta-feira, o secretário-geral da ONU criticou “os cortes generalizados no desenvolvimento e na ajuda humanitária”, alertando que estavam “abalando os alicerces da cooperação global e testando a resiliência do próprio multilateralismo”.
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“Num momento em que mais precisamos de cooperação internacional, parecemos estar menos inclinados a utilizá-la e a investir nela. Alguns procuram colocar a cooperação internacional em estado de alerta”, disse ele.
Último discurso anual
O secretário-geral, que deixará o cargo no final de 2026, evitou nomear os países infratores, mas pareceu referir-se aos cortes profundos nos orçamentos das agências da ONU feitos pelos Estados Unidos no âmbito das políticas “América Primeiro” do Presidente dos EUA, Donald Trump.
Embora outros países também tenham cortado o financiamento, os EUA anunciaram no final do ano passado que iriam atribuir apenas US$ 2 bilhões à assistência humanitária das Nações Unidas, representando uma pequena fracção das contribuições anteriores do principal financiador, de até 17 mil milhões de dólares.
A administração de Trump tem efetivamente desmantelado a sua principal plataforma de ajuda externa, a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), apelando às agências da ONU para “adaptarem-se, encolherem ou morrerem”.
Apresentando a sua última lista anual de prioridades como secretário-geral para o próximo ano, Guterres disse que a ONU está “totalmente empenhada na causa da paz em Gaza, na Ucrânia, no Sudão e muito mais além, e incansável na prestação de ajuda que salva vidas àqueles que estão tão desesperados por apoio”.
O chefe da ONU insistiu que a ajuda humanitária fosse autorizada a “fluir sem impedimentos” para Gaza, disse que nenhum esforço deveria ser poupado para parar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e apelou à retomada das conversações para conseguir um cessar-fogo duradouro no Sudão.
Estes três conflitos mortais e prolongados definiram o tempo de Guterres no comando da ONU, com os críticos argumentando que a organização se revelou ineficaz na prevenção de conflitos.
O principal órgão de decisão da organização, o Conselho de Segurança, está paralisado devido às tensões entre os EUA, a Rússia e a China, sendo que todos os três são membros permanentes com poder de veto.
