Estruturas elevadas bloqueiam ciclovias e cobram pela sinalização na área circundante
Uma passarela elevada construída sobre a ciclovia da Avenida Duque de Caxias, próxima ao relógio de flores do CMO (Comando Militar do Oeste), tem se tornado motivo de reclamações dos ciclistas que passam diariamente pelo trecho. A estrutura corta a ciclovia pretendida e obriga alguns usuários a pedalar pela avenida, dividindo espaço com carros, motos e caminhões.
Uma passarela elevada construída sobre a ciclovia da Avenida Duque de Caxias, em Campo Grande, está gerando reclamações entre os ciclistas. A estrutura bloqueia a via e obriga os usuários a dividir espaço com os veículos na avenida. Enquanto os ciclistas criticavam a falta de segurança e sinalização, os moradores aprovaram a obra para reduzir o risco aos pedestres. A Prefeitura foi questionada sobre a intervenção, mas não respondeu enquanto aguarda a publicação.
A obra está localizada em ponto movimentado, próximo a semáforos e acessos laterais. Nas imagens registradas no local é possível ver a ciclovia pintada de vermelho interrompida por uma alta passagem de concreto. O trecho era separado por fita zebrada, mas a diferença de nível dificultava a passagem das bicicletas.
A ciclista Andrea Rodríguez de Souza, 49, passa diariamente pelo local e disse que a mudança não resolveu o problema de segurança. Para ele, o quadro apenas alterou o risco.
“Não faz sentido vir aqui e dizer que está sendo trocada a bicicleta ou está sendo trocada a ciclovia. Gastaram dinheiro para embelezar a ciclovia, pintaram tudo, mas essa tinta também escorrega, escorrega, a gente cai. E agora fecham aqui que vai resolver? Não vai”, disse.
Andreja pedala há oito anos e reclama principalmente da falta de visão ampliada. Segundo ele, os ciclistas que tentam seguir a ciclovia não conseguem ver com clareza quem está contornando a curva ou quem está atravessando a rua.
“Lá ainda tenho a minha visão, quem vai virar, aqui não tenho visão. Como fazem um negócio desses e não colocam faixa? Falta infraestrutura”, criticou.
Ele também observou que a situação não é ruim apenas para os ciclistas. “Do jeito que está, não é bom para pedestres, ciclistas ou motoristas. Também deveria haver semáforo”, afirmou.
A denúncia se soma a outro problema citado por quem utiliza a avenida: o comportamento dos motoristas. Andreaza disse que há constante desrespeito à sinalização, principalmente por parte dos veículos que entram no trecho em alta velocidade.
“Enquanto houver denúncia ou polícia, as pessoas respeitam. Depois que saem, tudo fica normal. Se se esconderem, verão que ninguém os respeita”, afirmou.
Mas a mudança não é acordada entre os moradores da região. Erasi Leit Martins, 60 anos, morador da casa, acredita que a obra traz mais segurança para pedestres e estudantes que atravessam a avenida.
“A ciclovia agora pára nos semáforos, indica claramente a paragem. Antes não havia paragens e havia muito pouco espaço para carros”, disse.
Morador da região da Vila Taverópolis, Erasi passa frequentemente por lá para levar as crianças à escola. Para isso, a travessia elevada fez com que os motoristas reduzissem a velocidade e respeitassem melhor o ponto de parada.
“Eu aprovo esse trabalho aqui. Foi uma das melhores coisas que eles fizeram, porque antes era muito perigoso. Às vezes as luzes acendiam e os carros chegavam, depois as crianças de bicicleta tentavam atravessar a ciclovia e era perigoso”, disse ele.
Mesmo permitindo a intervenção, Erasi exige manutenção do entorno. Segundo ele, o mato alto impede que eles cruzem em outros pontos do caminho. “Temos que limpar, tirar o mato, porque os arbustos estão a crescer e eventualmente temos que passar por eles. Nem é possível ir para a estrada, porque também é perigoso para os nossos peões”, relatou.
A Prefeitura de Campo Grande foi procurada para explicar o objetivo da obra, se seria adequada para ciclistas e qual órgão autorizou a intervenção na ciclovia. Nenhuma resposta foi recebida até a publicação deste relatório.







