Essa análise, no mínimo, é muito gentil com Fred. (Certa vez, um torcedor do United me comentou que observar os esforços dos brasileiros para controlar a bola era como observar um cachorrinho com um balão.) Mas McTominay é uma história diferente. Houve momentos em que, mesmo quando o United era um time ruim e sem ambição, ele ainda brilhava. Esses casos tendem a ocorrer quando ele tem permissão para avançar no campo. McTominay é alto – 1,80 metro – e parece ser ágil. Em 2023, o Manchester United perdeu por uma margem estreita para o Brentford, quando McTominay foi contratado como meio-campista ofensivo e marcou o empate tardio e o gol da vitória nos minutos finais. O hábito de marcar gols decisivos não começou na Itália. No entanto, o United nunca soube o que fazer com ele. No verão de 2024, McTominay foi vendido ao Napoli por cerca de US$ 33 milhões. A maioria dos observadores acha que o Manchester United fez um bom negócio.
Desde então, em Nápoles, McTominay tem zombado do seu preço de venda. O que causou essa transformação? Certamente, a Serie A já não é comparável à Premier League; A Superliga Italiana é considerada por muitos a terceira ou quarta melhor liga da Europa. Mas este continua a ser um ambiente altamente competitivo, no qual McTominay impressionou. (E, o mais importante, a forma que mostrou em Nápoles foi transferida para as suas atuações pela Escócia, para quem também provou ser uma figura chave.) Muito deste sucesso pode ser atribuído a Antonio Conte, o astuto e impetuoso treinador do Napoli, que parece conhecer exatamente os pontos fortes de McTominay e os utilizou em benefício da equipe. Conte, que deixou o clube no final desta temporada, incutiu em McTominay a crença de que sente falta de Manchester, colocando-o no centro do projeto do Napoli. Os fãs o amam. Muitos deles o chamavam de “Scotto” ou “McFratm” – “McBro”, traduzido aproximadamente – porque não conseguiam pronunciar seu sobrenome corretamente.
Paul McGuinness, o técnico de futebol inglês, passou muitos anos treinando meninos nas camadas jovens do Manchester United, incluindo McTominay. Ele havia testemunhado o recente florescimento de seu protegido com orgulho, mas não com surpresa. Ele me disse que quando McTominay tinha 12 ou 13 anos, ele foi colocado em uma escola com outros candidatos do United de diferentes idades e, embora fosse um dos membros mais jovens de um grupo que também incluía Marcus Rashford e Jesse Lingard, “ele nunca foi um dos tímidos do canto”. Como jogador, ele também foi “corajoso, muito corajoso – apesar de sua fraqueza física”.
McGuinness me explicou que nunca é possível dizer com certeza qual jovem jogador se tornará uma estrela. Mas a chave para compreender o sucesso de McTominay é saber o que aconteceu com ele quando era adolescente. Quando ele tinha doze anos, ele tinha o mesmo tamanho que seus colegas, mas aos quinze ele era pequeno. (“Na verdade, ele ainda se parece mais com um garoto de 12 anos”, disse McGuinness.) Como lhe falta tamanho, ele precisa ser criativo com a bola – uma qualidade que agora é uma de suas características definidoras. Quando McTominay finalmente amadureceu, na adolescência, a descoberta aconteceu tão rapidamente que ele ficou afastado dos gramados por meses devido a problemas nos joelhos. No nível sub-18, lembra McGuinness, McTominay dificilmente disputou uma única partida. Mas McGuinness também lembra que, em vez de desanimar, McTominay passou um tempo indo à academia para ficar mais saudável. Ele tem uma “atitude positiva”. Qualquer sucesso que ele tenha agora depende de sua “motivação e caráter para superar as dificuldades”, disse McGuinness.
A última vez que a Escócia chegou a uma Copa do Mundo foi em 1998 – um torneio que a França venceu em casa. McTominay ainda não tinha dois anos; Tenho dezoito anos. Naquele verão, eu estava me preparando para alguns exames finais para determinar onde poderia cursar faculdade. Um dos testes bate de frente com o jogo de abertura da Copa do Mundo: o jogo da Escócia contra o Brasil na fase de grupos. Admirei os brasileiros da safra de 1998 – Ronaldo foi o melhor atacante que já vi, e o veloz lateral-direito Cafu continua sendo um dos meus jogadores favoritos de todos os tempos – mas também queria ver se a Escócia conseguiria derrotar os favoritos do torneio. Saí da sala de exame dez minutos mais cedo para assistir ao final do jogo. A Escócia lutou muito e poderia ter conquistado um ponto após converter um pênalti para empatar o jogo em 1 a 1, mas aos 74 minutos Cafu atacou, causando pânico suficiente na área da Escócia para forçar um gol contra. O Brasil venceu por 2–1.
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