O ginecologista e ex-diretor do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, Salvador Walter López Arruda, teve a pena anulada pelo tribunal em que foi condenado a um ano e dez meses de prisão por assédio sexual. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (8) no Diário da Justiça.
O ginecologista Salvador Walter López Arruda, ex-diretor do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, teve sua pena anulada pela Justiça após cumprir pena de um ano e dez meses de prisão por assédio sexual. A decisão, publicada nesta segunda-feira, reconheceu a prescrição do caso, ocorrida em 2020. O médico, cujo registro foi cassado pelo CFM em 2024, ainda responde a outras ações judiciais no estado.
No despacho, o juiz responsável pelo caso determinou a extinção da pena de Arruda com base no artigo 107, inciso IV do Código Penal, e no artigo 61 do Código de Processo Penal.
“Assim, considero extinta a pena do condenado Salvador Walter Lopes Arruda”, registra a decisão.
O caso tramita sob sigilo e refere-se a um caso ocorrido em 2020. Em março deste ano, Arruda foi condenado a um ano e dez meses de prisão por assédio sexual pela 1ª Vara Criminal do Remanescente Foro.
A decisão de segunda-feira ocorre depois que o médico solicitou o reconhecimento dos pedidos punitivos da receita. Em comunicado apresentado ao tribunal, o advogado Everton Bellinati argumentou que não existem fundamentos jurídicos capazes de suspender a prescrição durante o processo penal.
Na altura, a defesa argumentou que factores como a idade do arguido, a pena imposta e a data de início do processo deveriam ser tidos em conta no cálculo da prescrição.
Com o reconhecimento da prescrição, o Estado perde o direito de executar a pena prevista na condenação, ainda que a condenação tenha sido cometida anteriormente.
Esta foi a primeira condenação criminal de Arruda relacionada a acusações sexuais. O médico ainda responde a outras ações na Justiça de Mato Grosso do Sul.
Um deles tramita desde novembro de 2023 na 16ª Vara Cível de Campo Grande. No processo, uma paciente pede indenização de R$ 100 mil por danos morais e foi submetida a insultos raciais, comentários sobre seu corpo e declarações de cunho sexual durante consulta ginecológica realizada em julho de 2020.
Segundo a ação, o médico criticou o exame apresentado pela paciente, fazendo declarações consideradas discriminatórias, além de comentários sobre sua aparência física e vida sexual.
Outro processo, protocolado na 9ª Vara Cível de Campo Grande, pede R$ 80 mil de indenização por suposto erro médico em cirurgia realizada em 2013. A autora afirma ter deixado sequelas permanentes após o procedimento e alega que complicações comprometeram sua rotina e capacidade de trabalho.
Retirada do registro – Em 2024, o CFM (Conselho Federal de Medicina) cassou o registro profissional de Salvador Arruda por violar cinco artigos do Código de Ética Médica.
A punição foi imposta após julgamento conduzido pelo Superior Tribunal de Ética Médica e publicado no Diário Oficial da União em julho daquele ano.
Neste momento foi informado pelo departamento de defesa Notícias de Campo Grande que analisou o ordenamento jurídico para tentar derrubar a decisão.




