Operação apreendeu postes, aparas de aroeira e ferramentas utilizadas para retirada de madeira em Porto Murtinho

Aroira foi cortada ilegalmente em terras tribais (Imagem: Prakash)

Uma operação conjunta do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), da PMA (Polícia Militar Ambiental) e da Coordenação Regional de Campo Grande Funai apreendeu madeira extraída ilegalmente na Terra Indígena Cadiuyu, próxima à aldeia de Baro Preto, em Porto Murtinho. A operação, batizada de Operação Xperi, ocorreu entre terça e quarta-feira.

Uma operação conjunta do Ibama, da Polícia Militar Ambiental e da Funai resultou na apreensão de madeira extraída ilegalmente na terra indígena Cadiuyu, em Puerto Murtinho. A Operação Xaperi arrecadou 33 estacas e 500 aparas de aroeira, além de motosserras. Quatro paraguaios foram notificados e serão liberados. A empreiteira acusada, já acusada do mesmo crime, não estava no local e será investigada.

Durante a fiscalização, os agentes apreenderam 33 postes e 500 aparas de aroeira, além de motosserras e outras ferramentas utilizadas em atividades ilegais. Quatro paraguaios, incluindo um brasileiro, foram encontrados no local.

Segundo os órgãos envolvidos, todos foram informados e responderão ao processo de forma independente.

De acordo com levantamento preliminar realizado pelos grupos, não há evidências de envolvimento direto de indígenas na extração ilegal de madeira. Mesmo assim, suspeitas de um possível encobrimento ainda serão investigadas ao longo do processo.

As informações recolhidas durante a operação indicaram que o empreiteiro madeireiro acusado não estava no local durante o procedimento. Segundo o Ibama, ele já havia sido acusado de crimes ambientais semelhantes. As próximas etapas da investigação incluem a identificação do suspeito e a apresentação de acusações criminais.

Acampamentos e equipamentos queimados por agentes durante ataques (Imagem: Prakash)

As terras tribais Kadyuyu têm um histórico de repetidos desmatamentos ilegais. Segundo órgãos ambientais, o intervalo entre os incidentes diminuiu nos últimos anos. Em Abril deste ano, outra operação na mesma área apreendeu cerca de 30 metros cúbicos de varas e aparas de mástique processadas. Ações semelhantes também foram registradas em 2023 e 2024.

Segundo o Ibama, a grande extensão territorial das áreas indígenas e a dificuldade de acesso às áreas protegidas favorecem a atuação de grupos envolvidos em tais crimes ambientais.

Para expandir a luta contra a exploração madeireira ilegal, as agências ambientais afirmam ter reforçado o investimento em tecnologia, inteligência e esforços de sensibilização pública, bem como encorajado relatos de atividades clandestinas.

A Superintendência do Ibama de Mato Grosso do Sul também informou que está ampliando a estrutura de fiscalização ambiental no estado, com aumento de pessoal e renovação de equipamentos para enfrentar os desafios da região.

A madeira apreendida será encaminhada ao Comando Militar Ocidental do Exército Brasileiro, que será responsável pela coleta e destinação adequada do material conforme exigido por lei.

O procedimento adotado é denominado “doação sumária”, que se destina a bens apreendidos e sujeitos a deterioração. Essa medida tem como base o artigo 25 da Lei nº 9.605/1998, que autoriza a destinação de produtos e subprodutos florestais apreendidos a instituições públicas ou entidades de interesse social.

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