O presidente Dorival Pavon destacou que a intimação atendeu a pedidos de celeridade de processos paralisados

Candidatos chegam ao local do exame do TJMS realizado em janeiro (Foto: Osmar Viga)

O concurso público para o novo cargo do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) já foi realizado e aprovado em janeiro, mas os 150 candidatos aprovados não serão convocados de uma só vez. Esta informação foi confirmada pelo Dr. Notícias de Campo Grande O presidente do tribunal, ministro Dorival Pavan, disse que as nomeações serão feitas gradativamente conforme a criação de novos tribunais e a disponibilidade orçamentária do judiciário.

O TJMS aprovou concurso para 150 analistas judiciais, mas a contratação será gradativa, dependendo da disponibilidade orçamentária e de novas colocações nos tribunais. O presidente Dorival Pavan confirmou que os cargos aprovados pela Alem no PL 44/2026 serão preenchidos até o prazo do concurso, até 2027. O impacto financeiro estimado é de R$ 25 milhões. Prioridade é dada aos bairros do interior, onde há maior procura judicial

A criação do posto foi aprovada esta semana pelos Alêmes (Legislatura de Mato Grosso do Sul) na segunda discussão do Projeto de Lei 44/2026. A ampliação do quadro de funcionários terá impacto financeiro estimado em R$ 25 milhões nos salários, mas, segundo o presidente do tribunal, isso não significa que o custo integral será assumido imediatamente.

“Os 150 não serão convocados. Os cargos serão preenchidos de acordo com a disponibilidade orçamentária do Judiciário”, explicou Pawan. “Este ano não há 150 lugares para administração em 2026. São 150 lugares para 2026 e 2027 entre os períodos de concurso”.

Segundo o desembargador, o pedido foi enviado antes do encerramento oficial do concurso porque o tribunal já havia planejado a criação de novos tribunais cíveis e criminais no estado, principalmente em locais com grande acúmulo de processos. Com a aprovação, o TJMS começará a decidir quais unidades serão instaladas e quais candidatos serão convocados.

Ele disse, veremos qual tribunal será montado e quais candidatos serão convocados. “Não tem como convocar 150 candidatos de uma vez. Não tenho orçamento. Não é possível.”

Pawan disse que a prioridade da gestão é o primeiro grau, sobretudo os distritos do interior, onde, segundo ele, há maior pressão para assistência judicial. Para o presidente do TJMS, a falta de estrutura atinge diretamente a população que aguarda decisões em processos com impacto social.

“Desde o meu primeiro dia no cargo, estou preocupado com o poder judiciário de primeiro grau. É no interior que reside o problema”, disse ele. “Como o Judiciário dá uma resposta, pelo menos tentamos diminuir esse problema. É uma resposta à sociedade, a processos que têm problemas sociais relevantes e precisam ser decididos rapidamente”.

Além do recrutamento gradual de servidores, o presidente do Tribunal destacou a implementação do EPROC, sistema eletrônico que deverá substituir etapas burocráticas no andamento processual. A mudança deve reduzir o chamado “tempo morto” dos processos, intervalo em que os arquivos são fechados entre uma movimentação e outra.

“Seremos capazes de terminar este processo a tempo”, disse ele. “A parte protocola a petição, o cartório recebe, certifica, encaminha, o juiz emite, volta ao cartório. Vai ser automatizado, esse processo não vai mais existir”.

Desembargador Dorival Pavan, presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (Foto: Arquivo de Notícias de Campo Grande)

O juiz disse que a combinação de novos servidores e informatização deverá ajudar a acelerar o andamento dos processos, mas sublinhou que a convocação de pessoas autorizadas dependerá da capacidade financeira do tribunal.

“Trata-se da eficácia do processo, incluindo a efetividade da jurisdição, para atender o sujeito da jurisdição. Ele não pode esperar muito tempo pela decisão do tribunal”, disse.

Os cargos foram criados após um relatório da Inspetoria Nacional do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de 2025 apontar falhas na forma como os cargos internos eram escolhidos nos tribunais. O documento assinala a ausência de um processo formal de seleção com critérios objetivos e pré-definidos para cargos de comissão e funções de confiança.

Antes do projeto de 150 cargos permanentes, o TJMS já havia enviado proposta para criação de 302 cargos comissionados, sem qualquer concurso público. Desse total, 250 serão Juízes Assistentes de Primeiro Grau e outros 50 serão Juízes Assistentes.

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