As ferramentas digitais permitem verificar a propriedade e o status legal dos ativos

Cartórios do MS alertam sobre aumento de fraudes envolvendo imóveis (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

O aumento de casos de fraude em Mato Grosso do Sul levou a uma maior conscientização sobre golpes que se aplicam à compra, venda e aluguel de imóveis. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, o estado registra cerca de 9,7 mil casos desse tipo de crime todos os anos, o que equivale a cerca de um escândalo a cada hora.

Mato Grosso do Sul registra cerca de 9,7 mil casos de fraudes por ano, um aumento de 223% desde 2018, com fraudes frequentes no ramo imobiliário. Os cartórios são orientados a consultar o Portal Digital do RI, que reúne dados de 1,8 milhão de imóveis, antes de fechar o contrato. O certificado de registro digital confirma o titular e indica o empréstimo ou limitação. Uma quadrilha que atuava em seis estados causou prejuízo estimado em R$ 12 milhões.

Esse número é 223% superior ao recorde de 2018. Diante desse cenário, os cartórios de imóveis reforçam as orientações para que compradores e inquilinos consultem informações oficiais antes de fechar negócios ou transferir preços. A recomendação é utilizar o Portal Digital do RI, que agrega dados de mais de 1,8 milhão de imóveis em Mato Grosso do Sul e permite verificar a titularidade e a situação jurídica dos imóveis.

Pela plataforma é possível solicitar a certidão de matrícula digital do imóvel, documento que consolida o histórico do imóvel, identifica o atual proprietário e indica eventuais ônus, dívidas, indisponibilidade ou outras restrições que possam dificultar a negociação.

Segundo o presidente do Irib/MS (Instituto de Registro de Imóveis de Mato Grosso do Sul), José Paulo Baltzer Jr., a verificação prévia das informações é uma medida essencial para evitar prejuízos.

“Com o aumento das fraudes em nosso estado, é preciso cautela antes de investir. Nenhum contrato privado substitui a segurança de um registro de imóvel.

As fraudes mais frequentes incluem a venda de bens por não proprietários, a oferta de bens inexistentes ou não disponíveis para venda, a negociação do mesmo imóvel para compradores diferentes e a omissão de dívidas ou restrições que anulem a transferência.

Incidentes recentes investigados pelas autoridades reforçam a progressão desse tipo de crime. Entre eles, estavam operações de falsos corretores e a desmontagem de uma gangue que atuava em seis estados brasileiros e supostamente causou prejuízos de aproximadamente R$ 12 milhões. Em muitos casos, as vítimas só descobrem a fraude ao tentar registrar uma escritura ou formalizar uma transferência de propriedade.

A instrução do cartório é que, antes de efetuar qualquer pagamento, o interessado consulte oficialmente os dados do imóvel. Caso não possua número de registro, o sistema permite identificar produtos vinculados ao CPF ou CNPJ do suposto vendedor. Após a identificação, a recomendação é solicitar uma certidão atualizada e verificar se o imóvel está mesmo no nome de quem conduz as negociações e se não há impedimentos legais para a venda.

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