O projeto prevê parcerias com universidades para apoio gratuito; O veto exclui outras forças policiais
Com veto parcial, o prefeito Adrien Lopes (PP) aprovou nesta quarta-feira (27) a lei que cria o programa “Alem da Farda”, voltado ao atendimento psiquiátrico gratuito e contínuo para profissionais de segurança pública de Campo Grande. A proposta prevê uma parceria entre o município e centros de prática de psicologia em instituições de ensino superior da capital.
O prefeito de Campo Grande, Adrien Lopes, aprovou com veto parcial a lei que cria o programa “Alem da Farda”, que oferece atendimento psicológico gratuito a profissionais da segurança pública municipal, como guardas civis e agentes de trânsito. As polícias militar, civil e federal foram eliminadas por ultrapassarem a capacidade do município. O programa será implementado em parceria com universidades que possuem clínicas de psicologia
De autoria do vereador Jean Ferreira (PT), o projeto estabelece que o serviço será oferecido por meio de contratos com universidades e centros de formação. Na prática, o município poderá reconhecer universidades e faculdades onde clínicas-escola ou serviços de atendimento psicológico estejam vinculados a cursos de psicologia. Esses locais costumam oferecer serviços supervisionados por professores e administrados por alunos durante a fase de formação.
O texto estabelece que o atendimento deve ser gratuito e contínuo para os profissionais abrangidos pelo programa “Alem da Farda”. A regulamentação ficará a cargo do executivo municipal, que definirá detalhes operacionais, como procedimentos de acesso, fluxos de encaminhamento, padrões de atendimento e credenciamento de instituições parceiras.
Apesar da aprovação, o prefeito vetou os incisos I, II, III, IV e V do artigo 2º da Lei, que incluíam as secretarias da União e do Estado entre os beneficiários do programa. Com isso, profissionais como policiais federais, policiais rodoviários federais, policiais civis, policiais militares, bombeiros militares e policiais criminais ficaram de fora do texto final.
Na versão aprovada, o programa atenderá apenas profissionais ligados diretamente ao município, como integrantes da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e agentes de trânsito municipais, ao lado de peritos da polícia tecnocientífica lotada em Campo Grande.
Em mensagem de veto enviada à Câmara Municipal, a Prefeitura alegou que o município não tinha autoridade legal para introduzir um programa obrigatório voltado para trabalhadores de outros setores federais. Segundo parecer da PGM (Procuradoria Geral do Município), o esquema extrapolou a competência do município abrangendo secretarias subordinadas à União e ao Estado.
“O projeto não se limita a tratar dos funcionários municipais ou da política interna da Guarda Civil Metropolitana e dos agentes municipais de trânsito”, destacou a PGM no parecer utilizado para justificar o veto parcial. A entidade argumentou ainda que a Constituição impõe limites à atuação legislativa dos municípios em relação às carreiras vinculadas a outros entes federados.
A lei estabelece ainda que os recursos para a implementação do programa serão viabilizados através de dotações do orçamento geral do município, podendo ser complementados de acordo com a necessidade e disponibilidade financeira.
Para justificar o projeto, Jean Ferreira argumentou que os profissionais de segurança pública convivem diariamente com situações de violência, risco e sofrimento humano, que aumentam o risco de adoecimento mental. Segundo ele, a iniciativa busca ampliar o apoio emocional, prevenir transtornos mentais e melhorar as condições de trabalho no departamento.







