Projetos aprovados na Câmara criam metas de qualidade e podem influenciar o modelo do Consórcio Guaicurus

Os passageiros embarcam nos ônibus do Consórcio Guaicurus, empresa que opera o transporte público na capital por meio de concessão. (Foto: Arquivo/Paolo Francis)

A Câmara dos Deputados aprovou na tarde desta quarta-feira (13), em Brasília (DF), o PL (Projeto de Lei) nº 3.278/2021, proposta que poderá mudar o modelo de transporte público em Campo Grande ao criar regras nacionais para remuneração das empresas de ônibus, fiscalização de contratos e utilização de subsídios públicos.

A Câmara dos Deputados aprovou o PL 3.278/2021, que cria regulamentações nacionais para o transporte público, separa as tarifas pagas pelos passageiros da remuneração das operadoras e exige metas padronizadas para o repasse de recursos públicos. O texto, que está sujeito à aprovação do presidente, repercutiu em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, pelos problemas do consórcio Guaicuras, onde o subsídio municipal já complementa a diferença entre o encargo tarifário e o valor técnico enviado às empresas.

O texto, seguido nos últimos dias pela crise do Consórcio Guaicuras, estabelece metas de qualidade obrigatórias para as concessionárias e separa as tarifas pagas pelos passageiros dos valores recebidos pelas operadoras. O assunto agora segue para aprovação do Presidente.

O projeto entrou na pauta legislativa a partir de segunda-feira (11), mas não foi apreciado nos dois primeiros dias. A votação ocorreu apenas nesta quarta-feira, em plenário da Casa. Deputados aprovam o texto por votação simbólica sem abertura de painel nominal.

O texto aprovado altera justamente a lógica de remuneração das concessionárias. Pela proposta, as empresas só poderão receber o valor integral estipulado no contrato se atingirem as metas de qualidade e desempenho estabelecidas pelas autoridades governamentais.

Na prática, o modelo cria mecanismos para evitar que as operadoras tomem recursos públicos sem melhorar efetivamente os serviços prestados. O esquema prevê maior transparência nos custos operacionais, receitas da empresa e gestão de bilhetes.

O esquema permite a utilização da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), recurso cobrado sobre combustíveis, para subsidiar tarifas de transporte público. A proposta permite a utilização de receitas provenientes de publicidade, exploração comercial do terminal, créditos de carbono e financiamento do sistema de taxas de estacionamento.

A proposta recebeu resposta em Mato Grosso do Sul porque vários pontos discutidos no Congresso estão diretamente ligados a problemas com o transporte público na capital. O consórcio Guaicurus recebeu reclamações de usuários sobre atrasos, ônibus quebrados, superlotação, vazamentos e falhas mecânicas, incluindo até mesmo repasses de milhões de dólares da Prefeitura.

Hoje, Campo Grande já subsidia parte do sistema. Os passageiros pagam R$ 4,95 de tarifa, mas o município complementa a diferença até o padrão técnico tarifário recebido pelas empresas. Além disso, o consórcio também recebeu isenções fiscais e novas contribuições públicas nos últimos anos.

Outro ponto de discórdia em Campo Grande é a separação entre tarifas públicas e remuneração das operadoras. Atualmente, o valor pago pelos passageiros afeta diretamente o faturamento da empresa. Com as novas regras, uma parte dos custos pode provir de fundos públicos, receitas acessórias e subsídios, em vez de depender apenas de bilhetes.

Durante o debate em plenário, os parlamentares referiram-se ao declínio da situação em diversas cidades brasileiras. O deputado Hildo Rocha (MDB-MA) disse que o acordo mal elaborado e a falta de fiscalização agravaram a crise do transporte público no país.

O relator da proposta, deputado José Priante (MDB-PA), defendeu a criação de uma rede integrada de transportes e disse que o texto fortalece o papel do poder público na gestão e fiscalização dos serviços.

Na Câmara, o projeto tramitou com urgência. Os deputados apresentaram 16 emendas ao plenário, mas todas foram rejeitadas pelo relator. Os pedidos de retirada da ordem do dia e adiamento da votação também falharam.

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