Prefeitura de Nova Adradina contratou consultoria contábil e tributária sem licitação
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) alega o cancelamento de dois contratos de consultoria contábil e fiscal da Prefeitura de Nova Andradina no valor total de R$ 792 mil e assinados sem necessidade de licitação. A medida é do 1º Ministério Público do município, que deu prazo de 10 dias úteis para informar à administração municipal se seguirá a recomendação ou correrá o risco de ação judicial.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul recomendou que a Prefeitura de Nova Andradina cancele dois contratos de consultoria contábil e tributária, no valor de 792 mil reais, assinados sem licitação. O Ministério Público questiona a não necessidade de serviços, considerados rotineiros e que podem ser realizados por servidores públicos. O órgão estabeleceu prazo de dez dias para resposta sob risco de ação judicial contra o prefeito Leandro Fedosi e o secretário da Fazenda.
O documento é endereçado ao prefeito Leandro Ferreira Luiz Fedosi e ao secretário municipal de Fazenda e Gestão Hernández Ortiz. A recomendação, publicada hoje no Diário Oficial do MP, refere-se aos contratos nº 056/2025 e nº 062/2025 assinados com a MKJ Assessoria Contabil Sociedad Simples Limited e AG Assessoramento e Consultoria Empresarial Irelli. O primeiro custa R$ 360 mil e o segundo R$ 432 mil.
Segundo João Augusto Arfeli Panucci, promotor que assinou o documento, os serviços contratados não apresentam características que justifiquem uma contratação direta sem licitação. A lei permite a não aplicabilidade apenas em circunstâncias excepcionais, quando a concorrência é improvável e quando os serviços são predominantemente de natureza intelectual e exigem especialização significativa.
Na avaliação do Ministério Público, porém, os objetos contratados referem-se a atividades rotineiras de contabilidade, consultoria tributária e assessoria fiscal, serviços considerados comuns e atuais no cotidiano da administração pública. A organização destaca que estas funções já fazem parte das responsabilidades dos funcionários das estruturas municipais.
A recomendação destaca ainda que Nova Andradina possui cargo permanente de auditor fiscal, concurso realizado em 2024 e 8 candidatos aprovados. Para MP, este facto reforça a falta de justificação para a externalização de serviços através de contratação direta.
Outro ponto questionável é a nomeação da empresa AEG Assessoramento e Consultoria Empresarial Eireli. Segundo o Ministério Público, apenas um fornecedor é considerado no estudo de preços, enquanto o procedimento, via de regra, exige a apresentação de pelo menos três cotações para fundamentar a escolha e o preço contratado.
Os contratos são de R$ 36 mil mensais para AEG, totalizando R$ 432 mil anuais, e R$ 30 mil para MKJ Assessoria Contábil, atingindo R$ 360 mil anuais.
Diante das irregularidades apontadas, o Ministério Público recomendou o cancelamento imediato dos dois contratos e determinou que a Prefeitura se abstenha de contratar novas consultorias e assessorias contábeis ou fiscais que não ultrapassem a rotina administrativa dos órgãos públicos.
A administração municipal deverá informar ao Ministério Público, no prazo estabelecido, se cumprirá ou não a recomendação, apresentando documentos que comprovem as diligências adotadas. Tais acordos não são incomuns em prefeituras do interior, onde o MPMS chegou a recorrer à Justiça e ordenar violações.
Este repórter entrou em contato com a Prefeitura. Caso haja resposta, as informações serão acrescentadas ao texto.







