O senador Nelsinho Trade (PSD-MS) disse nesta segunda-feira (1º) que votará nos trabalhadores quando a proposta de revogação da escala 6×1 chegar ao plenário do Senado Federal. Médico do trabalho, o deputado justificou sua posição com base na experiência profissional e na preocupação com a disseminação de transtornos mentais relacionados ao ambiente de trabalho.
O senador Nelsinho Trade (PSD-MS), médico do trabalho, disse que votaria a favor da PEC que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, aprovada pela Câmara em maio. Ele citou a epidemia de doenças mentais como justificativa, mas encontrou um equilíbrio entre os interesses dos trabalhadores e dos empregadores. A tramitação no Senado ainda não tem data definida e depende da CCJ e do presidente Davie Alcolambre.
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e amplia os períodos de descanso dos trabalhadores foi aprovada pela Câmara dos Deputados no dia 27 de maio e aguarda início de tramitação no Senado.
Comentando o assunto, Nelsinho Trad declarou ser a favor das questões de pessoal e disse que sua posição se baseava na formação médica.
“Vou votar no Trabalhista. Entendo que isso é uma política pública. Como médico profissional, único no Senado, não tem mais ninguém, estamos num momento de agressão, de competição, e precisa ser olhado para acabar com essa epidemia de transtornos mentais existentes”, disse.
Segundo o senador, a discussão sobre a redução da jornada de trabalho vai além das questões econômicas e está diretamente relacionada à saúde física e mental dos trabalhadores. Para isso, a atual situação de estresse e competição exige a atenção do poder público para reduzir os efeitos que afetam a qualidade de vida das pessoas.
Apesar de defender a proposta, Nelsinho considerou que o debate precisava incluir também os setores responsáveis pela criação de emprego. Segundo ele, qualquer mudança deve buscar um equilíbrio entre os interesses dos trabalhadores e dos empregadores.
“Entendo que esta é uma política que o governo também precisa olhar para quem contrata e para os potenciais danos a quem cria empregos. Não basta parar algo. Não é possível servir apenas um lado e deixar o outro vulnerável. Por isso, acho que o debate é muito importante”, declarou.
O parlamentar disse ainda que não conversou com os demais integrantes da bancada mato-grossense nem sabia a posição dos colegas sobre o assunto. No entanto, ele insistiu que os seus pontos de vista já haviam sido definidos.
“Ainda não falei. Conheço a minha opinião e falo com confiança nas minhas qualificações como profissional médico. Sou pelo trabalhador e vou votar no trabalhador”, disse.
A data de processamento ainda é desconhecida – Embora a PEC já tenha sido aprovada na Câmara, ainda não há previsão exata para sua votação no Senado. Nelsinho explicou que a definição da pauta cabe primeiramente à CCJ (Comissão de Constituição e Judiciário) e posteriormente ao presidente da Câmara, senador Davy Alcolambre.
“A CCJ organiza primeiro a agenda através do presidente Davie, depois pelo plenário. Deve ser antes do recesso”, disse.
Questionado sobre uma possível tramitação acelerada, o senador disse que é cedo para prever a celeridade da análise. “Vocês vão saber. Porque a PEC tem que passar por cinco sessões. Ainda não dá para saber se vão retirar os procedimentos de rotina e introduzir a urgência, que resume tudo e vai acontecer apenas uma vez”, explicou.
O que está previsto na proposta? – A PEC 221/2019 reduz gradativamente a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial. O texto aprovado pela Câmara prevê um período de transição de 14 meses.
Pela proposta, dois meses após a promulgação da emenda constitucional, os trabalhadores terão direito a dois dias de descanso remunerado por semana, sendo que um deles deverá ser no domingo. Nesta primeira fase, a jornada de trabalho semanal máxima cairá para 42 horas.
Após um ano deste período de adaptação, a jornada de trabalho será reduzida para 40 horas semanais específicas. Durante a transição, os acordos e convenções colectivas poderão aumentar o horário de trabalho diário para acomodar os novos limites semanais.










