Uma semana depois de assumir o comando da Agesul, Rudy Fiores “turbinou” um contrato com R$ 1,5 milhão sob investigação.

Em primeiro plano, o ex-secretário de Obras, Rudi Fioresi, deixa o Fórum da Capital após audiência de custódia (Foto: Gabi Cenciarelli)

Em apenas três meses à frente da Agesul (Agência Estadual de Gestão Empresarial), Rudy Fiores, ex-secretário de Infraestrutura de Campo Grande, assinou compromissos, reestruturações e alterações de pelo menos R$ 15,8 milhões em favor da Construtora Real Limedia, empreiteira ligada a um empresário (Grupo Especial de Combate à Corrupção) nesta terça-feira (12). O engenheiro, que chefiou a CISEP (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) entre 2016 e 2023, também é investigado e está preso.

O ex-secretário Rudy Fiores assinou compromissos, reestruturações e aditivos no valor de R$ 15,8 milhões para a Construtora Real Lida. Dentro de três meses ele encomendou Egesul. A empresa tem ligação com um empresário preso na Operação Buraco Sem Fim, que investigava fraudes em um contrato de tapamento de buracos em Campo Grande. Fiores também foi preso, demitido de seu posto estadual no dia seguinte à operação. Entre 2018 e 2025 os contratos municipais investigados totalizaram R$ 113,7 milhões.

Fiores assumiu o cargo de diretor-presidente do órgão estadual no dia 2 de fevereiro deste ano e o órgão anunciou formalmente sua demissão nesta quarta-feira (12), um dia após uma investigação sobre um suposto esquema de fraude no cumprimento de contratos na capital sul-mato-grossense o ter colocado em prisão preventiva (por tempo indeterminado).

A investigação aponta suspeitas de manipulação de medições, pagamento de serviços não prestados e desvio de recursos públicos. Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), o contrato da Prefeitura de Campo Grande que será entre 2018 e 2025 totalizará R$ 113,7 milhões.

As conclusões do Gecoc não afetam os contratos feitos pelo governo de Mato Grosso do Sul, mas publicações do DOE (Diário Oficial do Estado) mostram que Fiorese assinou uma série de leis administrativas envolvendo o real entre fevereiro e maio deste ano. Entre eles estão compromissos (quando reservados a pagamento) para manutenção de rodovias estaduais de Três Lagoas e Camapuá, além de liberações relativas a obras de drenagem e pavimentação no bairro de Ottaviano Pereira, em Zaraguari.

Em fevereiro foram aprovados os valores de R$ 1,5 milhão, R$ 500 mil, R$ 622 mil, R$ 1,1 milhão, R$ 85 mil e R$ 1,2 milhão. Em março, os novos penhores totalizaram mais de R$ 6 milhões. Em abril, a Agesul aprovou outro compromisso de R$ 1 milhão para obras de infraestrutura em Zaraguari.

O primeiro aditivo marcado após Fiores assumir a chefia da Agesul foi assinado no dia 9 de fevereiro, apenas sete dias após a nomeação oficial, e acrescentou R$ 1.515.539,73 ao contrato de manutenção rodoviária em Três Lagoas. O valor total do contrato passou de R$ 11,5 milhões para R$ 13 milhões. O documento foi assinado por Rudy Fiores e pelo empresário Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, dono do Real e um dos presos na operação.

Além deste aditivo, a Fiores assinou outros termos excepcionais de renovação do contrato de 2021 relativos à manutenção rodoviária em Kamapua e Três Lagoas. Essas leis estenderam as operações da empresa por mais 12 meses.

No geral, os contratos atualizados atrelados ao Real atingiram R$ 27,7 milhões, embora o valor efetivamente pago dependa dos serviços e das etapas de liquidação financeira. O compromisso de R$ 15,8 milhões identificado pelo relatório é consistente com a reestruturação e movimentação aprovada durante a gestão de Agesule Fiores.

O centro de investigação do Real Gecoc aparece. Antonio Bittencourt Jaque Pedrosa e seu pai, Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, foram presos preventivamente na operação. De acordo com Notícias de Campo Grande Acontece que mais da metade dos R$ 429 mil em dinheiro apreendido está na casa do empresário Antonio Roberto. Outra parcela em dinheiro (R$ 186 mil) foi encontrada na residência de Fiores.

A operação resultou na prisão de funcionários envolvidos no setor de conserto de buracos na capital, entre eles o engenheiro Mehdi Talayeh e o gerente Edivaldo Aquino Pereira, que foram posteriormente absolvidos.

Por outro lado- Sete detidos foram mantidos presos nesta quarta-feira (13) depois que o juiz de custódia Francisco Soliman aprovou o mandado e não analisou os pedidos de liberdade.

Os advogados William Maksud Machado e Ricardo Machado, que representavam Antonio Bittencourt e Antonio Roberto, pai e filho, entraram com pedido de libertação da prisão. Alegaram não ter acesso aos prontuários e, no caso do pai do empresário, destacaram a idade avançada, 70 anos, e o estado de saúde.

A defesa de Rudy Fiores enviou nota alegando que a prisão foi “injustificada e inconsistente com a história criada pelo cliente”. O advogado Werther Sibut de Araújo disse que ainda não teve acesso aos autos, o que o impede de exercer ampla defesa, criando o risco de manutenção da prisão injusta, bem como a possibilidade de questionamento judicial da decisão de decretar a prisão. Para ele, a situação “imporia a libertação imediata dos já sob investigação”.

A reportagem foi consultada ao governo do MS por meio da assessoria de imprensa e aguarda resposta.

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