A operação da fábrica de fertilizantes foi suspensa em 2014. (Foto: Arquivo/Shall Schram)

A Petrobras confirmou nesta quinta-feira (14) que negocia a conclusão da Unidade III de Fertilizantes Nitrogenados em Três Lagoas, a 327 quilômetros de Campo Grande. A estatal prevê investir cerca de mil milhões de dólares para concluir a fábrica, que está parada desde 2014, prevendo-se que as operações comerciais comecem em 2029.

A Petrobras confirmou negociações para conclusão da Unidade III de Fertilizantes Nitrogenados em Três Lagoas, com investimento de US$ 1 bilhão e operações previstas para 2029. Paralisada desde 2014, obra 80% concluída. A unidade produzirá 3,6 mil toneladas de uréia por dia e gerará 8 mil empregos. Com outras unidades, a estatal poderá abastecer 35% da produção nacional, reduzindo a dependência externa, atualmente entre 80% e 90%.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, fez o anúncio durante reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Bahia, onde a empresa reiniciou a produção em sua fábrica de fertilizantes nitrogenados.

Segundo Magda, o relançamento da unidade de Mato Grosso do Sul faz parte da estratégia da estatal para ampliar a produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência externa do país.

“Estamos em negociações para concluir a construção da UFN3 no Mato Grosso do Sul. Este é um esforço da Petrobras para promover a segurança alimentar e gerar empregos e renda no Brasil”, disse.

O presidente também anunciou que o gás natural produzido pela Petrobras poderá impulsionar a produção nacional de fertilizantes.

“Um dos grandes destinos do gás é o fertilizante. Se eu quiser vender gás, então a produção de fertilizante é uma boa possibilidade, porque esse gás é o principal insumo para a produção”, afirmou.

As obras da fábrica começaram no governo anterior do presidente Lula, mas foram interrompidas durante a Operação Lava Jato. Em 2015 a unidade “hiberna” oficialmente, mesmo com cerca de 80% da estrutura concluída.

Durante o evento, Lula criticou a paralisação das obras e disse que o país acumulou prejuízos ao deixar projetos industriais inacabados.

“Este país precisa entender que foi governado durante muito tempo por pessoas que não acreditam no Brasil. Não se pode manter uma fábrica parada por 15 ou 20 anos”, declarou.

Em abril deste ano, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a retomada das obras em Três Lagoas. A empresa espera criar cerca de 8.000 empregos durante a fase de construção.

A unidade terá capacidade diária para produzir cerca de 3,6 mil toneladas de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia, matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes e produtos petroquímicos.

A Petrobras estima que, com unidades em Mato Grosso do Sul, Paraná, Sergipe e Bahia, poderá responder por até 35% da produção nacional de fertilizantes nitrogenados.

Especialistas observaram que a dependência do Brasil de fertilizantes importados poderia ser um pouco reduzida se a fábrica reabrisse. Atualmente, o país compra do exterior entre 80% e 90% do volume utilizado no agronegócio.

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