O governo e a FPA terminaram a reunião sem acordo

O impasse envolve quem terá direito a benefícios, juros, prazos de pagamento e impacto nas contas públicas

Máquinas em lavoura de soja no Mato Grosso do Sul (Imagem: Prakash)

A reunião entre os representantes do governo federal e da FPA (Frente Parlamentar Agrícola) terminou nesta terça-feira (7) sem acordo sobre uma proposta de renegociação de empréstimos aos produtores rurais. A reunião tentou elaborar propostas do executivo e do Congresso, mas ainda há divergências sobre quem poderia se beneficiar e quais seriam os termos do refinanciamento.

Uma reunião entre o governo federal e a Frente Parlamentar da Agricultura terminou nesta terça-feira sem acordo sobre a renegociação da dívida rural. A moratória envolve quem será beneficiado, a taxa de juros e o prazo. O Tesouro alerta para impacto de R$ 140 bilhões em dez anos. Novas reuniões estão previstas para os próximos dias.

O governo tenta substituir parte do texto do PL (Projeto de Lei) 5.122/2023 aprovado pelo Senado por uma MP (Medida Provisória) elaborada pelo Ministério da Fazenda. A medida entrará em vigor imediatamente após a publicação, mas depende de um entendimento com os deputados para avançar.

A proposta em discussão busca atender produtores afetados por eventos climáticos, como secas e enchentes, que comprometeram a produção e a renda das safras recentes.

O principal impasse é quem será beneficiado

O governo argumenta que a renegociação será limitada aos agricultores que sofreram perdas diretas devido aos eventos climáticos. O grupo rural, no entanto, quer alargar o âmbito para incluir produtores que estão endividados por outras razões, tais como o aumento dos custos de produção e a queda dos preços das matérias-primas.

Além do escopo, ainda não há consenso sobre taxas de juros, prazos de carência antes do início dos pagamentos, prazos de reembolso e montante de recursos a serem destinados ao programa.

O Ministério da Fazenda estima que o texto aprovado pelo Senado poderá gerar um impacto de cerca de R$ 140 bilhões nos cofres públicos ao longo de dez anos. O cálculo é contestado por parlamentares ligados ao agronegócio, que são a favor da aprovação de uma solução integral para o setor.

O líder do governo da Câmara, deputado Paolo Pimenta (PT-RS), disse que o executivo quer criar uma opção para os produtores afetados pelos problemas climáticos, mas considera ineficaz uma revisão geral para todos os agricultores.

O deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), que participou das negociações, disse que houve avanço no diálogo, mas as equipes técnicas ainda precisam ajustar os pontos de divergência.

A expectativa é que uma proposta unânime seja apresentada ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que acompanha as negociações.

A discussão continua

A FPA disse não aceitar automaticamente o projeto de medida provisória aprovado pelo Senado e defendeu que o texto continue como base para negociações.

A bancada disse que ainda não chegou a acordo sobre os critérios de determinação do serviço, situação financeira e âmbito de renegociação dos produtores. Deve haver novas reuniões entre governo e representantes do agronegócio nos próximos dias para tentar chegar a um acordo antes de enviar a proposta ao Congresso.

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