O Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, reforça a importância da harmonização do desenvolvimento, da proteção ambiental e da qualidade de vida. Numa altura em que os efeitos das alterações climáticas se tornam cada vez mais perceptíveis, a data convida à reflexão sobre a responsabilidade dos governos, das instituições e dos cidadãos na construção de sociedades mais sustentáveis e resilientes.
Em 2026, esta reflexão ganha ainda mais relevância. Na véspera da data, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução histórica que reforçou o entendimento do Tribunal Internacional de Justiça de que os estados têm obrigações legais específicas para enfrentar as alterações climáticas. A protecção ambiental assume cada vez mais a dimensão não apenas de um compromisso moral, mas também de uma responsabilidade legal.
Esta nova situação impõe desafios sem precedentes aos governos, às empresas, às universidades e à sociedade. Isto não é suficiente para compreender a gravidade da crise. Era necessário desenvolver ferramentas para converter compromissos em resultados mensuráveis.
Neste contexto, tornam-se importantes processos que permitam avaliar, comparar e incentivar boas práticas de sustentabilidade. Um dos exemplos mais promissores é o UI GreenCityMetric, uma iniciativa internacional inspirada na experiência bem-sucedida do UI GreenMetric World University Ranking, que há anos avalia o desempenho socioambiental de universidades de diversos países.
A proposta estende agora esta lógica aos municípios, criando indicadores objetivos capazes de medir a sustentabilidade urbana nos diferentes níveis de gestão pública. Estas incluem a governação da água, a gestão dos resíduos sólidos, a energia e as alterações climáticas, a mobilidade urbana, a governação ambiental e o planeamento regional.
Mais que um ranking, é uma ferramenta de gestão. Ao analisar aspectos como proteção de recursos hídricos, saneamento, coleta seletiva, adaptação climática, transporte de baixa emissão, educação ambiental, arborização urbana e preservação de áreas verdes, o sistema oferece aos gestores públicos um diagnóstico claro de seus avanços e dos desafios ainda a serem enfrentados.
As experiências internacionais mostram que o que é medido é melhor gerido. Indicadores transparentes ajudam a orientar investimentos, definir prioridades e fortalecer políticas públicas baseadas em evidências. Ao mesmo tempo, permitem que a população acompanhe o desempenho dos governos locais e participe de forma mais competente nas decisões sobre o futuro das cidades.
A construção de cidades sustentáveis depende cada vez mais de uma governação capaz de integrar planeamento, ciência, participação social e inovação. Neste processo, as universidades têm um papel estratégico.
A USP, reconhecida entre as instituições mais sustentáveis do mundo, está expandindo suas atividades para além dos limites do seu campus. Por meio da Superintendência de Gestão Ambiental (SGA), a USP passa a atuar como interveniente na UI GreenCityMetric, o que contribui para aproximar o conhecimento científico da gestão municipal.
Esta participação representa uma importante oportunidade para o município de São Paulo. Além de apoiar a adesão aos procedimentos de avaliação, a universidade poderá colaborar na capacitação técnica das administrações locais, ajudando os gestores a compreender indicadores, coletar dados e desenvolver estratégias capazes de aumentar o desempenho ambiental das cidades.
A iniciativa reforça uma missão histórica das universidades públicas: transformar conhecimento em benefício social. Numa altura em que os desafios ambientais exigem respostas cada vez mais complexas, a relação entre a academia e as autoridades públicas torna-se um elemento fundamental para acelerar a transição para um modelo de desenvolvimento mais sustentável.
O legado da COP 30 destacou que a transição para uma economia de baixo carbono depende cada vez mais da capacidade de implementar políticas públicas a nível local. Os municípios ocupam uma posição estratégica neste processo, pois são responsáveis por áreas diretamente relacionadas com a qualidade ambiental e a adaptação climática. O fortalecimento da governação municipal e o fornecimento de ferramentas de avaliação e monitorização tornam-se, portanto, um passo essencial para transformar os compromissos globais em resultados concretos para a população.
A experiência internacional também mostra que a sustentabilidade depende da existência de parâmetros claros e confiáveis. Este é o mesmo princípio subjacente à chamada classificação verde, o instrumento que classifica as atividades económicas de acordo com a sua contribuição para os objetivos ambientais. Ao proporcionarem segurança e transparência, estes mecanismos facilitam o investimento direto em projetos ligados às alterações ambientais.
A União Europeia tornou-se uma referência neste domínio ao estabelecer a sua classificação para atividades sustentáveis. O resultado é fortalecer o financiamento para iniciativas que visam uma economia de baixo carbono, demonstrando que boas políticas públicas podem criar condições favoráveis para a sustentabilidade e o desenvolvimento.
A mesma lógica se aplica às cidades. Os municípios que investem no planeamento ambiental, nas infraestruturas verdes, na gestão eficiente dos recursos naturais e na adaptação climática tornam-se mais resilientes, mais atrativos para o investimento e mais bem preparados para enfrentar os efeitos das alterações climáticas.
O desafio desta década é transformar conhecimento em ação. Já não há espaço para políticas fragmentadas ou para falsas dicotomias entre desenvolvimento económico e protecção ambiental. O futuro será construído por quem entende que competitividade, qualidade de vida e sustentabilidade são partes integrantes de uma mesma agenda.
O Dia Mundial do Meio Ambiente nos lembra que o tempo de fazer promessas acabou. Habilidades de liderança, colaboração e implementação são necessárias neste momento. E, neste esforço coletivo, as universidades, os governos e a sociedade têm uma responsabilidade comum: construir cidades mais sustentáveis, resilientes e preparadas para a próxima geração.
Patricia Iglesias, Superintendente de Gestão Ambiental da USP e Coordenadora de Proclamação da USP
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