A resolução veta a implementação da substância em todo o país e mantém apenas uma exceção no SUS
O CFM (Conselho Federal de Medicina) proibiu o uso do PMMA (Polimetilmetacrilato) como material obturador em procedimentos estéticos e reparadores em todo o Brasil. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (29), três dias após a morte da maquiadora Roselli Fernandez de Oliveira Romeiro Vieira, 48, moradora de Jardim, que passou mal após aplicar o produto em uma clínica de São Paulo (SP).
O CFM proíbe o uso do PMMA em procedimentos estéticos no Brasil desde terça-feira (2), após a morte da maquiadora Roselli Vieira, 48, que passou mal após aplicar o produto em São Paulo. A exceção aplica-se a pacientes com VIH/SIDA que estejam a ser tratados para lipodistrofia. A substância pode causar infecção, embolia e morte. A Anvisa ainda não proibiu sua venda.
A medida entra em vigor na próxima terça-feira (2).
A única excepção prevista pela nova norma aplica-se a pacientes com VIH/SIDA que necessitam de tratamento para lipodistrofia, uma condição caracterizada pela perda anormal de gordura corporal. Neste caso, o procedimento deve ser realizado em unidades de alta complexidade reconhecidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e seguindo protocolos definidos pelo Ministério da Saúde.
A proibição consta da Resolução nº 2.461/2026, que será publicada no Diário Oficial da União. O texto proíbe os médicos de usar PMMA tanto para fins estéticos quanto para procedimentos corretivos.
O anúncio veio em resposta à morte de Rosselli. A maquiadora viajou de Mato Grosso do Sul a São Paulo para realizar um procedimento estético na parte posterior das nádegas e coxas. Segundo informações divulgadas pela imprensa paulista, ele pagou cerca de R$ 50 mil pela intervenção.
Roselli realizou o procedimento na segunda-feira (25) em uma clínica localizada no bairro do Brooklyn, zona sul de São Paulo. No dia seguinte, ele começou a sentir fortes dores, falta de ar, desconforto e batimentos cardíacos acelerados. Ele perdeu a consciência em um carro de aplicativo enquanto voltava para a clínica.
Imagens de câmeras de segurança mostram o paciente desmaiando no prédio onde funciona o consultório médico. Equipes tentaram ressuscitá-lo no local, mas ele não sobreviveu. A morte foi confirmada na manhã desta terça-feira (26).
O caso é investigado pela Polícia Civil de São Paulo, que aguarda laudo do IML (Instituto Médico Legal) para apurar a causa da morte e verificar qualquer relação entre o processo de parada cardiorrespiratória e a parada cardíaca sofrida pelo paciente.
Um dia após sua morte, a família da maquiadora exigiu responsabilização dos envolvidos caso fossem constatadas irregularidades. Em vídeo divulgado à imprensa, o filho da vítima, Emerson Vieira Jr., disse que aguardava explicação sobre o caso e queria justiça.
Rosselli não foi a única vítima implicada no uso do PMMA. Em 2024, o influenciador digital Alain Ferreira morreu após ter o quadril preenchido com a substância. Ele ficou nove dias internado devido a complicações, mas não sobreviveu.
Em janeiro de 2025, Adriana Barros Lima Laurentino, de 46 anos, também morreu poucas horas depois de passar por procedimento semelhante em uma clínica de Recife (PE). O caso desencadeou investigação criminal e resultou na prisão preventiva do médico responsável.
o que é – O PMMA é feito de microesferas sintéticas suspensas em um gel e atua como preenchimento permanente. Embora seja aprovado para usos específicos relacionados à reconstrução de tecidos e correção de deformidades, as organizações médicas alertam há anos sobre os riscos de sua aplicação para fins estéticos.
Especialistas observam que o material pode causar infecção, embolia, inflamação crônica, desfiguração permanente e até morte. Por permanecer no corpo, a retirada do produto costuma ser complicada e em muitos casos é necessária nova cirurgia.
O presidente do CFM, José Hirán da Silva Gallo, disse em comunicado que as alternativas ao medicamento são atualmente consideradas seguras. Segundo ele, estudos e relatórios acumulados ao longo dos anos mostram que os riscos do PMMA superam seus potenciais benefícios.
A decisão do Conselho aplica-se apenas aos médicos. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ainda não proibiu a venda do produto, embora mantenha restrições ao uso. A empresa já reforçou que o PMMA não é indicado apenas para aumentar o volume corporal por questões estéticas.
Também nesta semana, a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) manifestou apoio à proibição e voltou a defender o fim do uso da substância em procedimentos estéticos devido ao potencial de complicações graves.










