Mulher de 37 anos que se passava por criança é presa em SC

Amanda foi recebida na capital ainda adolescente e voltou a cometer um golpe semelhante em Zionville (SC).

Após depoimentos conflitantes, Amanda deu explicação ao Capitólio em 2023. (Foto: Juliano Almeida/Campo Grande News)

Presa nesta quarta-feira (3) em Joinville (SC) por se passar por uma menina de 12 anos, Amanda Maria Souza de Oliveira já havia enganado as instituições de segurança da capital sul-mato-grossense em 2023. Na época, a suspeita alegou ter 13 anos e poderia entrar no abrigo usando um nome falso.

Amanda Maria Souza de Oliveira, 37, foi presa em Joinville (SC) por se passar por adolescente de 12 anos e viver como filha adotiva da família há 14 meses. O caso não é inédito: em 2023, ele fraudou instituições de Campo Grande (MS) ao afirmar já ter 13 anos. Um tribunal de Santa Catarina ordenou que ele fosse detido por peculato e submetido a exame de saúde mental.

O caso voltou a chamar a atenção nacional depois que a Polícia Civil de Santa Catarina concluiu que Amanda, 37, vivia há cerca de 14 meses como filha adotiva de uma família. Segundo a investigação, ela se apresentou como adolescente vítima de abuso, recebeu asilo, auxílio financeiro e até festa de 12 anos.

Em Campo Grande, a história começou em 3 de novembro de 2023. Nessa data, reportagem de Notícias de Campo Grande Amanda procurou assistência social na Casa da Mulhar Brasileira. Aos conselheiros, ele disse que nasceu em Feira de Santana (BA) e não tinha documentos.

As informações mobilizaram a rede de proteção e a unidade encaminhou o adolescente acusado para uma unidade institucional de acolhimento de crianças e adolescentes da região de Vilas Bose.

A versão, porém, começou a gerar dúvidas entre os profissionais responsáveis ​​pelo serviço. Durante uma busca na internet, agentes da PM (Polícia Militar) receberam denúncias sobre uma mulher que usou histórias semelhantes em diversos pontos do país.

Diante das suspeitas, Amanda foi levada ao Depak Sepol (Delegacia Comunitária de Pronto Atendimento e Centro Especializado Integrado de Polícia), onde revelou sua verdadeira identidade. Preso, ele declarou ser andarilho e alegou sofrer de transtorno mental.

Foto de Amanda nos registros da Polícia Civil. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

O representante do caso, Daniel Luz da Silva, ainda informou que não havia indícios de prejuízo financeiro ou escândalo na capital. Portanto, o incidente é registrado como identidade falsa. “Ele não preencheu nada, nem apresentou documentos falsos, apenas disse que era alguém que não era”, disse aos repórteres por telefone. Ele foi liberado depois de algumas horas.

A história já é conhecida por autoridades de outros estados. Em julho de 2023, Amanda foi identificada após visitar um projeto social no Rio de Janeiro e disse ter sido submetida a prostituição infantil, cárcere privado, abusos e rituais de bruxaria.

Na época, ela afirmou que seu pai lhe deu hormônios durante a infância para ajudá-la a crescer. A narrativa levou voluntários e autoridades a organizarem uma rede de apoio até que a verdadeira identidade fosse descoberta.

As investigações também apontam registros semelhantes em São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. Segundo relatos da época, Amanda usou uma versão semelhante da história para obter aceitação e apoio.

Amanda usou mamadeira e ainda fez festa de 12 anos; Agora, ele está preso por peculato. (Foto: Raça/Twitter)

O episódio mais recente ocorreu no sul. Segundo a Folha de S. Paulo, Amanda foi a uma igreja da cidade e disse que fugiu do Pará porque estava sendo maltratada. A versão sensibiliza membros da comunidade religiosa e abre caminho para que ele seja acolhido por uma família.

Por mais de um ano, ela viveu como filha do casal. Para justificar sua aparência congruente com a idade, ele alegou sofrer de autismo e outras condições clínicas. Ele também disse que seu físico era resultado do uso forçado de hormônios na infância.

Segundo os investigadores, Amanda manteve um comportamento infantil e usou coisas associadas à infância para reforçar sua falsa identidade. A farsa termina quando um familiar desconfia da história, pesquisa casos semelhantes e encontra registros anteriores envolvendo a mulher.

Um tribunal de Santa Catarina determinou a prisão preventiva de Amanda. Ele também será submetido a um exame de saúde mental.

Quanto à Folha d’S Paulo, a defesa disse que aguarda a conclusão da perícia para comentar o caso.

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