Segundo dados do Atlas da Violência, o estado registrou 57 assassinatos em 2024, contra 48 em 2023.
O Atlas da Violência divulgado nesta terça-feira (26) mostra que Mato Grosso do Sul terá um aumento de 18,8% nos homicídios femininos em 2024, contrastando com o cenário nacional. O estado registrou 57 mortes femininas naquele ano, contra 48 em 2023.
Segundo o Atlas da Violência publicado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, contrariando a tendência nacional, Mato Grosso do Sul registrou um aumento de 18,8% nos homicídios femininos em 2024, com 57 mortes ante 48 em 2023, uma queda de 6,7%. No Brasil, 3.642 mulheres são assassinadas anualmente, sendo 67,5% negras. A proporção de homicídios femininos em relação aos homicídios dolosos aumentou de 9,4% em 2015 para 40,3% em 2024.
Dois casos ocorridos em 2024 foram registrados no mesmo dia, em Campo Grande: Diane Xavier da Silva foi morta em 22 de março, em Beiro Nova Campo Grande; Cerca de três horas depois, no Jardim Centenário, Renata Andrade de Campos Vidal, 39 anos, foi morta pelo irmão. As fotos apresentadas na reportagem mostram algumas das vítimas daquele ano.
No Brasil, segundo dados do sistema de saúde, 3.642 mulheres foram assassinadas em 2024, representando uma taxa de 3,4 mortes a cada 100 mil mulheres e uma queda de 6,7% em relação a 2023. O estudo foi realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e FBSP (Fórum Brasil).
Com esse resultado, Mato Grosso do Sul aparece no grupo das sete unidades da federação que registraram aumento no número de assassinatos de mulheres entre 2023 e 2024. Aumentou também no Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraná e Roraima
Apesar do aumento nas comparações anuais, a série histórica mostra queda ao longo do período de dez anos. Entre 2014 e 2024, o número total de homicídios femininos em Mato Grosso do Sul diminuiu 32,9%. Em 2014, o estado registrou 85 assassinatos de mulheres.
No cenário nacional, a queda segue tendência observada na última década. Desde 2014, primeiro ano analisado na série histórica, a taxa de homicídios femininos notificada pelo sistema de saúde diminuiu 27,7%. Mesmo assim, o número continua elevado: 46.336 mulheres foram assassinadas no país entre 2014 e 2024.
Os estados com as maiores taxas de homicídios femininos em 2024 são Roraima, Rondônia, Serra, Pernambuco e Bahia. Os dados indicaram que os maiores índices de violência letal contra as mulheres ocorreram, sobretudo, nas regiões Norte e Nordeste.
O atlas analisa a relação entre os homicídios femininos no domicílio e os homicídios femininos registrados pelas estatísticas policiais. A proporção de homicídios femininos no domicílio aumentou de 26,5% em 2014 para 35,2% em 2024, um sinal de que o lar continua a ser um local vulnerável para muitas vítimas.
O feminicídio também passou a representar uma proporção maior de homicídios intencionais de mulheres registrados pela polícia. No Brasil, esse percentual passou de 9,4% em 2015 para 40,3% em 2024, segundo o Fórum Brasileiro. Este aumento pode reflectir melhorias na identificação e classificação de casos como feminicídio, mas também mostra que a violência baseada no género tem um impacto maior nas mortes violentas de mulheres.
A diferença entre os indicadores indica que a diminuição do total de homicídios femininos não foi acompanhada, na mesma medida, por uma diminuição dos casos relacionados com o ambiente doméstico. Tal incidência é utilizada como proxy por estudos para mensurar a dinâmica do feminicídio.
corrida – Entre as mulheres negras, a situação continua grave. Em 2024, foram registradas 2.457 mulheres negras vítimas de homicídio no Brasil, o que representa 67,5% do total de homicídios femininos no país. A taxa nacional foi de 4 mortes de mulheres negras por 100.000 mulheres negras, uma diminuição de 9,1% em relação ao ano anterior.
No Mato Grosso do Sul, os homicídios de mulheres negras caíram de 44 em 2014 para 26 em 2024, uma queda de 40,9% no período. A queda foi ainda mais acentuada que a registrada no Brasil, onde os casos passaram de 2.992 para 2.457, uma queda de 17,9%.
Nas comparações anuais, o estado também registrou leve queda entre as mulheres negras, passando de 27 mortes em 2023 para 26 em 2024, uma queda de 3,7%. No país, a queda foi maior, de 7,7%. Entre 2019 e 2024, Mato Grosso do Sul manteve-se estável, com variação de 0%, enquanto o Brasil recuou 0,4%.
Agressão e estupro – Além do homicídio, o atlas destaca a extensão da violência não fatal contra as mulheres. Em 2024, 293.842 mulheres no Brasil foram vítimas de violência não fatal, a maioria delas registrada no contexto doméstico.
A análise por idade mostra dinâmicas diferentes dependendo da idade da vítima. Entre as crianças de 0 a 9 anos e as mulheres com 70 anos ou mais, a negligência aparece como a principal forma de violência.
Entre as meninas de 10 a 14 anos, 45,5% registraram violência sexual. Os dados sugerem uma elevada incidência de abuso intrafamiliar e condições vulneráveis associadas à dependência.
Dos 15 aos 69 anos, a violência física torna-se a manifestação mais comum. Segundo o estudo, estes incidentes estão frequentemente associados a relações íntimas e caracterizam-se por uma elevada proporção de múltiplos actos de violência, quando ocorrem diferentes tipos de agressão ao mesmo tempo.
O estado civil das vítimas também auxilia na compreensão do perfil dos registros. Dos casos identificados com estes dados, as mulheres solteiras representaram 37,5% das vítimas, enquanto as casadas representaram 31,2%.
Os dados vão ao encontro do perfil etário, pois 34,1% das vítimas são meninas e adolescentes de 0 a 19 anos, muitas vezes agredidas em casa pelos pais, padrastos ou outros familiares.
A informação retributiva reforça o continuum de violência. Para o estudo, em 2024, foi considerado o registro de novo episódio de violência contra uma mulher, que já havia sido notificada de abuso.
No contexto da violência doméstica, considerando os casos válidos, 66,2% das mulheres atendidas pela rede de saúde já sofreram violência de natureza semelhante.










