MS amplia uso do Conecta Promuse contra violência doméstica

A ferramenta permite que juízes recebam dados atualizados enquanto observam as vítimas

Assinatura da Nota Promissória da Conecta no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (Foto: Maya Severino)

Em casos de violência doméstica, os minutos podem fazer a diferença. Nesse contexto o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) e a PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) assinaram, nesta segunda-feira (13), acordo para ampliar a utilização de uma plataforma que envia as informações coletadas por policiais diretamente para o processo judicial durante visitas a mulheres com medidas protetivas.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e a Polícia Militar assinaram acordo para ampliar o Conecta Promuse, plataforma que envia relatórios de fiscalização em tempo real sobre medidas protetivas diretamente ao processo judicial. O sistema também funciona off-line e já prestou 14 mil atendimentos no primeiro semestre de 2026. Atualmente em fase piloto em Campo Grande e Amambai, será estendido a todos os municípios do estado.

O sistema Conecta Promuse permite que os relatórios gerados durante as visitas do Promuse (Programa Mulher Segura) sejam incorporados aos arquivos em tempo real. Assim, os magistrados podem ter acesso imediato às alterações na situação da vítima e tomar novas decisões quando o risco se agrava.

Responsável pela coordenação estadual de mulheres em situação de violência doméstica e familiar no TJMS, a juíza Sandra Artioli explicou que, antes da plataforma, todos os controles de fiscalização eram feitos manualmente e em papel.

“Demorou dias para as denúncias chegarem à Justiça. Agora, com o aplicativo Conecta Promuse, tudo muda. O policial militar visita e insere os dados direto no celular. Ao mesmo tempo, a denúncia entra automaticamente no processo, lá no Juizado de Violência Doméstica.”

Segundo o juiz, a ferramenta também foi desenvolvida para funcionar em áreas onde não há conexão com a internet. “O grande diferencial é que o sistema funciona mesmo offline. Lá dentro, onde a internet falha, o policial registra os dados e o aplicativo atualiza o processo assim que recebe o sinal.

Juíza Sandra Artioli, Coordenadora Estadual de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJMS (Foto: Maya Severino)

Para o governador Eduardo Riedel (PP), a principal mudança é reduzir o tempo entre a detecção do perigo e a possível resposta do poder público. “O tempo é absolutamente fundamental na equação da solução. Assim, a partir do momento em que injetamos tecnologia nos processos, ganhamos agilidade e resolução”, disse.

Segundo o governador, a integração tecnológica também permite que as decisões judiciais sejam devolvidas mais rapidamente às forças de segurança. “Hoje o Judiciário tem informações praticamente em tempo real. Isso agiliza muito a sua atuação. E, no retorno, há discussões instantâneas para que o policial, seja civil ou militar, possa agir. E quem se beneficia com isso são as vítimas”, declarou.

Riedel destacou ainda que a demora pode aumentar a vulnerabilidade de mulheres que já se encontram em situação de violência. “Ele fica muito mais vulnerável em uma situação de agressão, ou em uma situação em que sua vida poderia ter sido salva pela agilidade na criação de todo o processo”.

Após uma experiência piloto considerada bem-sucedida, o plano é expandir imediatamente o sistema para outras regiões de Mato Grosso do Sul. Segundo o governador, a preparação tecnológica e da equipe já foi concluída. “Agora, os preparativos estão prontos para isso não só do ponto de vista tecnológico, mas também do ponto de vista popular e, imediatamente, começará a ser estendido a todo o estado”, disse.

Governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) (Foto: Maya Severino)

O presidente do TJMS, desembargador Dorival Renato Pavan, lembrou que, antes da digitalização, os sistemas de segurança contavam com métodos manuais de monitoramento das informações.

“Antigamente, quando o juiz definia a medida e tinha que cumpri-la, existiam vários procedimentos após o consentimento, mas tudo era feito manualmente, de forma análoga. E, às vezes, a pessoa corria perigo e, quando esse perigo era detectado, já estava acontecendo”, disse.

Com o novo sistema, o policial militar responsável pelas fiscalizações poderá registrar imediatamente as condições encontradas durante o serviço. As informações vão diretamente para o processo.

“O policial militar encarregado de fiscalizar o cumprimento da decisão judicial poderá avaliar imediatamente a possibilidade de maior risco para a mulher beneficiária das medidas protetivas. E essa informação é imediatamente transmitida ao processo, o que significa que o juiz também pode tomar medidas imediatas e eliminar qualquer risco que exista”, explicou Pavan.

O presidente do tribunal disse ainda que a comunicação das medidas de proteção ao primeiro-ministro passará a acontecer diretamente através do sistema. “Antes faltava um tempo. Hoje está claro, vai direto para a Polícia Militar, que vai fiscalizar o cumprimento dessa medida”.

Desembargador Dorival Renato Pavan, presidente do TJMS (Foto: Maya Severino)

Para a subcomandante do PMMS, coronel Neidy Centurião, o principal benefício é permitir que todos os integrantes da rede de proteção acompanhem com mais agilidade a situação da vítima.

“O maior ganho é a agilidade. Agilidade e acompanhamento das medidas protetivas que já foram concedidas. Quando a nossa reportagem tem a possibilidade de entrar diretamente no processo monitorado pelo Tribunal de Justiça, nós que criamos esse sistema temos a possibilidade de acompanhá-lo mais de perto e, com a rede de proteção, temos a possibilidade de acolher melhor essa mulher”, disse.

Ela também destacou a importância da denúncia para que a rede possa começar a agir. “Ainda precisamos de uma tarefa muito importante: que a mulher tome coragem e denuncie. Podemos ajudar essa mulher a partir do momento em que ela denuncia. Então, precisamos dessa mulher que tem medo de procurar o estado, procurar a Polícia Militar através do 190, procurar a Casa da Mulhar Brasileira, enfim, procurar ajuda. Estamos aqui para ajudá-los.”

Segundo Cornell, o primeiro atendimento a uma ocorrência pode ser feito pelo telefone 190. Uma vez encaminhada à delegacia, a vítima pode solicitar medida cautelar. O pedido também pode ser feito online, no site do Tribunal de Justiça.

Após a concessão, o agressor é informado das ordens que deverá obedecer, como sair da residência ou manter distância da mulher. É a partir daí que a Promuse atua na fiscalização. “Houve atendimento 190, existindo ou não sistema de proteção. A outra etapa é a visita realizada pelo Promuse, que é quando eles vão até a casa da vítima para registrar esse aplicativo”, explicou.

Durante a visita, os policiais verificam a situação da mulher, o cumprimento das restrições impostas ao agressor e as condições de proteção e assistência. O relatório é então enviado diretamente ao processo judicial.

Subcomandante do PMMS, Coronel Neidy Nunes Barbosa Centurião (Foto: Maya Severino)

Fundado em 2018, o Promuse atua no acompanhamento de vítimas de violência doméstica e familiar e de mulheres presentes em mais de 40 municípios de Mato Grosso do Sul.

Somente no primeiro semestre de 2026, o programa realizou 4.003 medidas protetivas emergenciais para monitoramento, realizou 14.002 fiscalizações e promoveu 1.230 fiscalizações técnicas.

O Conecta Promuse iniciou o desenvolvimento em fevereiro e foi lançado em maio. A plataforma também funciona sem acesso à internet. Nesse caso, os formulários podem ser preenchidos offline e enviados ao processo assim que o dispositivo recuperar a conectividade.

Atualmente em fase piloto em Campo Grande e Amambay, o aplicativo será expandido gradativamente para outros bairros. Segundo Sandra Artioli, a expansão também aumentará o alcance do ProMuse.

“Com essa parceria, o Promuse, que já atende 47 municípios, cobrirá 100% dos municípios do nosso estado. O aplicativo Conecta Promuse, atualmente em fase piloto em Campo Grande e Amambay, será expandido gradativamente para todos os bairros.

A previsão é que o sistema se expanda para todos os municípios de Mato Grosso do Sul.

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