De bares e cinemas a docerias e restaurantes, reunimos endereços que fecharam as portas, mas ainda estão vivos.

Segunda loja Lalai, na Avenida Mato Grosso (foto cortesia de Roberto Higa/reprodução não autorizada)

Resolvemos levar lembrancinhas do baú para relembrar os lugares icônicos fechados e perdidos na vida dos moradores de Campo Grande. Não faltaram comentários nas redes sociais sobre os inúmeros lugares que nunca deveriam acabar. Selecionamos o maior número de citações, listando o que chamamos de “campeões” do passado.

Campo Grande teve diversos pontos icônicos que marcaram gerações e hoje existem apenas na memória dos moradores. Entre os mais memoráveis ​​estão Burgers in the Park, com 30 anos de feijoadas e sambas, Lalai Sweet Shop, fundada em 1971, boate Chattanooga, inaugurada em 1987, Cine Campo Grande, último cinema de rua da capital, Sorveteria Torino e Brinks, Arcade 1980 e Paradise.

Vamos à história. Mas antes saiba que não há classificação entre os escolhidos. Um dos mais comentados é o Burgers in the Park, localizado no entorno do Parque Itananga. O espaço exterior desapareceu após 30 anos de existência. O local marca a geração da roda de samba, da MPB, da feijoda aos sábados e dos encontros que se transformaram em uma grande família de clientes, funcionários e artistas.

Alguns frequentadores aproveitam esse momento para entrar em contato com a natureza e sentar-se à sombra das árvores gigantes. A despedida reuniu clientes fiéis, que foram curtir pela última vez o buffet, a música e o ambiente familiar. O espaço foi criado por iniciativa de Silvio Nucci, ex-secretário estadual de Cultura, falecido em 2017.

Burgers in the Park e Chattanooga Nightclub (Foto: Google e Campo Grande News Archive)

A doceria Lalai guarda boas lembranças de Campo Grande dos anos 1990 e início dos anos 2000. A loja foi inaugurada em 1971 na pequena Galeria Itamarati, no centro de Campo Grande. No ano seguinte, em 1972, o negócio mudou para um prédio maior na Avenida Mato Grosso, ao lado do antigo Colégio das Irmãs. Passa a funcionar em 2 unidades além de manter um espaço para festas. Se ainda estiver aberto, Lalai completaria 55 anos.

A segunda unidade assumiu a sensação de um espaço de reunião com toldo listrado, grades ornamentadas e mesas externas. Lá, Mivia Tonis Nasser e Zilla de Oliveira transformaram o produto caseiro em uma marca que fica na memória de muitos.

A final foi encerrada em 2015, mas as lembranças dos doces, da comida e dos eventos perduram entre os antigos clientes. Lalai nasceu em 1960. Os dois começaram a fazer doces e salgadinhos para eventos da Associação Médica de Mato Grosso, em uma estrutura simples, dois fogões antigos e uma batedeira no quintal.

Cine Campo Grande antes de fechar em 2012 (Foto: Arquivo de Notícias Cmapo Grande)
Cine Campo Grande e Brink’s Diversões fazem história na cidade (Foto: Arquivo de Notícias Campo Grande)

A famosa danceteria Chattanooga é apenas um dos inúmeros DJs que chegam a Campo Grande. Inaugurada em 1987, a boate marcou uma geração com discos de vinil europeus e noites repletas de muita diversão.

O prédio ficava na Rua José Antonio e funcionou por muitos anos. Depois de um tempo, o espaço se tornou um local de música country, com quase nada que lembrasse um antigo ponto de encontro da juventude, exceto pela entrada lateral. Após dez anos de funcionamento, em 2023, o imóvel virou igreja.

Hoje, muita gente não sabe que Chattanooga, em seu apogeu, recebeu celebridades como Anna Paula Rcio e Ney Latoraca, por exemplo. Lá, não há dança desde a década de 1970. Aos poucos, o espaço que era considerado popular também foi ocupado pela elite.

Foi a segunda casa noturna dos sertanejos, sendo a primeira em Ribeiro Preto (SP), interior de São Paulo.

Lanchonette e Bar O sabor dos vegetais haitianos é quase uma tradição na memória dos moradores de Campo Grande (Foto: Mylene Douilleby).

Apesar das noites de festa, há quem se recuse a esquecer a comida do Lanchonette e Bar Haiti. Todos esses anos depois, o local ainda é lembrado pelas famosas verduras e deliciosas tortas, na Rua Dom Aquino, entre 14 de Julho e Calógeras. A diferença, segundo a lembrança das pessoas, era que o creme era derramado sobre os legumes. A receita foi inventada por William Doyleby. Lá, além de petiscos deliciosos, houve chá mate gelado e sanduíche de presunto.

Indo para as telonas, o Cine Campo Grande foi uma das estrelas e fechou em 2012. Na década de 2000, o espaço acabou sendo a única opção fora dos shoppings da cidade. As sessões foram encerradas sem aviso prévio. O Cine Campo Grande foi o último cinema de rua da cidade. O prédio ainda está localizado na Rua 15 de Novembro. Foi inaugurado na década de 1980 e marcou geração ao exibir grandes estreias com ingressos democratas, até encerrar suas atividades.

Após anos de abandono, o local foi vendido por R$ 4.954.755,22 em leilão online. O imóvel permanece sem destino específico há quase 10 anos. Antes da venda, a CGU (Controladora Geral da União) já havia alertado para o abandono do prédio, que registrou incêndios em 2017 e 2023, em 2024. Há indícios de que o ato foi malicioso e deliberado.

Além de conferir o histórico de cada um, você também pode ver por onde eles passaram no mapa interativo. No total, selecionamos 10, mas se você acredita que algum ficou de fora e merece ser listado no mapa, clique “Enviar histórias

Quando se trata de padaria, o pao bento torta chiffon é conhecido como a receita original. Tornou-se uma boa lembrança para muitos moradores de Campo Grande. O prato conseguiu conquistar até quem disse não gostar de doces. Em 2017, o sabor do chocolate gelado voltou à conversa enquanto tentavam reinventar a torta que marcou a infância de muita gente.

Foi idealizado pela pastora e confeiteira Rosana Maria Serra Figueiredo, que criou uma receita de família para o aniversário da filha, em 1990. Depois, ao assumir com sócios a Padaria Pao Bento, em 1992, Rosanna transformou o conceito nas versões conhecidas pelo grande público: pão de ló, creme chiffon e creme bem chocoving. A torta ficou famosa como “torta de sorvete” e ganhou variações.

Quem não se lembra do arco do céu? Brinks marcou a infância e a adolescência de quem aqui viveu nas décadas de 80 e 90. A primeira loja ficou na 13 de Mayo, em frente à Prasa Ari Coelho, entre Afonso Peña e 15 de Novembro. Depois, segue para outro ponto próximo à Caixa Econômica e por fim, para 13 de Maio e Avenida Afonso Pena e Barão.

O sorvete Tourino era um dos favoritos das crianças nas décadas de 1970, 80 e 90 (Foto: arquivo pessoal do Campo Grande News)

O local funcionou até 2001 e se tornou referência para uma geração que descobriu ali fliperamas, videogames e simuladores. O lugar não era apenas divertido; Também deu trabalho: as escolas, o poder judiciário e os conselhos tutelares foram fiscalizados para evitar que os alunos faltassem às aulas. Mesmo assim, os alunos faltam às aulas para brincar.

Na Rua 14 de Julho funcionava a tradicional Sorveteria Torino. Em frente à Praça Arri Coelho, a loja foi um dos locais mais marcantes da cidade nas décadas de 1970, 1980 e 1990. O endereço era parada quase obrigatória depois das matinês e das sessões do Cine Alhambra, que reuniam famílias, crianças e jovens em busca do tradicional sorvete italiano.

A história começa com os italianos Giuseppe Ballatore e Clara Ballatore, conhecidos pela família como Vô Zé e Vó Nonna. Vieram da Itália fugindo da guerra, vieram para o Brasil com pouco dinheiro e reconstruíram a vida em Campo Grande. A sorveteria nasceu dessas referências italianas e funcionava no térreo de um prédio em estilo Art Déco. Principalmente o preparo de sorvetes chamou a atenção pelas máquinas trazidas de São Paulo.

No cardápio ficaram famosos sabores como creme, chocolate, creme, morango, coco queimado, milho verde, limão, ameixa e tamarindo. Destacam-se também os picolés de groselha, o espumone, a cassata, os bolos e os smoothies da Nonna. O casal administrou o Torino’s até 1976, quando vendeu o negócio para ex-funcionários. A sorveteria funcionou até 2011.

A Rua Ceará já foi ocupada por dois bares que caracterizavam a vida noturna de Campo Grande. Uma delas era a pedra, que se chamava farol. O antigo palco virou sede de uma empresa de radiadores, mas, na década de 1990 e início dos anos 2000, o espaço reunia jovens inquietos ao som de blues, rock e muita improvisação.

Vista do alto do palco dos Stones (Foto: Arquivo/Eloy Palucci)

Em 1996, o local passou a se chamar Pedras. O bar funcionou até 2004 e se tornou território não só da galera do rock, mas de diversas tribos. Não havia muito “frescor”. O look incluía gente de chinelo, gente promovendo, bandas originais, covers históricos e noites que iam até 4 ou 5 da manhã.

Mesmo com sua estrutura simples, o bar se consolidou como uma espécie de abrigo noturno. Depois do show, quem estava com fome atravessou a rua para comer o lanche do Ari, a combinação clássica e inusitada: cachorro-quente, X-salada e café da manhã.

Pastel Mail foi um daqueles endereços que ficaram gravados em nossas memórias emocionais. O local começou na Avenida Afonso Pena e depois foi inaugurado na Rua 14 de Julho, onde se tornou ponto de encontro de quem passava pelo centro em busca de comida simples, gostosa e descomplicada. Entre os sabores mais marcantes estavam panqueca de frango e pastel de chocolate com coco ralado, combinação que muita gente ainda cita com saudade.

O movimento não diminuiu nem no frio. As massas reuniam-se para comer iguarias caseiras e beber chocolate quente e licores. O Pastel Mel também era uma parada clássica dos estudantes, principalmente dos alunos da Escola Estadual Joaquim Murtinho, que passavam por lá depois das aulas.

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