Equipe econômica aponta aumento nos gastos obrigatórios e dará detalhes no dia 29

As cédulas originais da segunda família dominam o mercado brasileiro. (Foto: Alex Machado)

O governo federal bloqueou mais R$ 22,1 bilhões do orçamento de 2026 para cumprir os limites de gastos estabelecidos no marco fiscal. O Ministério da Fazenda e Planejamento anunciou a medida em Brasília nesta sexta-feira (22) durante a apresentação do relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas enviado ao Congresso Nacional.

O governo federal bloqueou R$ 22,1 bilhões do orçamento de 2026 para cumprir o marco fiscal, elevando o congelamento total do ano para R$ 23,7 bilhões. O motivo é o aumento das despesas obrigatórias, como o BPC e as despesas previdenciárias. A previsão inicial de superávit subiu para R$ 4,1 bilhões, mas a Justiça determinou um déficit de R$ 60,3 bilhões. Detalhes serão revelados no dia 29.

Com o novo embargo, o total de ativos congelados neste ano atingiu R$ 23,7 bilhões. Segundo a equipe econômica, a medida se deve ao aumento dos gastos obrigatórios, principalmente com benefícios previdenciários e assistenciais.

O relatório mostra aumento de R$ 14,1 bilhões em gastos com BPC (Benefício de Prestação Continuada) e de R$ 11,5 bilhões em gastos previdenciários. O documento também registrou aumento de R$ 300 milhões em outros gastos obrigatórios.

Por outro lado, a previsão de custos com pessoal e encargos sociais diminuiu R$ 3,8 bilhões no período analisado.

O governo disse que o bloqueio cumpre as regras do quadro fiscal, que limitam o crescimento dos gastos do governo a 2,5% acima da inflação. A equipa económica explicou que há necessidade de abrir espaço no orçamento para o aumento das despesas obrigatórias.

O relatório também fornece previsões preliminares de excedentes para 2026 sem requisitos de manutenção. As estimativas passaram de R$ 3,5 bilhões para R$ 4,1 bilhões. Os resultados consideram sanções adicionais e a exclusão de R$ 1 bilhão em gastos com saúde, educação e defesa do cálculo das metas fiscais.

Quando o governo incluiu os precatórios, a previsão passou para um déficit de R$ 60,3 bilhões. Em relatórios anteriores, a estimativa era de R$ 59,8 bilhões.

A LDO (Lei Diretriz Orçamentária) prevê superávit primário de R$ 34,3 bilhões em 2026, equivalente a 0,25% do PIB (Produto Interno Bruto). No entanto, o governo adoptou um limite inferior na meta fiscal, permitindo resultados nulos.

Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento divulgarão no dia 29 detalhes sobre entraves de órgãos e ministérios. O decreto presidencial também definirá novos limites de comprometimento, autorização que a administração federal utiliza para liberar gastos.

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