Pelo menos 50 pessoas compareceram logo pela manhã para tentar agendar atendimento odontológico
Pelo menos 50 moradores fizeram fila na madrugada desta quinta-feira (2) para tentar agendar consulta odontológica na USF (Unidade de Saúde da Família) José Tavares, em Campo Grande Beiro Nova Lima. Antes das 6h, a fila já estava na esquina da unidade e reunia pacientes que esperavam meses e, em alguns casos, até três anos por atendimento.
Cerca de 50 moradores fizeram fila para agendar consultas odontológicas na USF José Tavares, no Campo Grande Bairro Nova Lima, a partir da manhã desta quinta-feira (2). Os pacientes esperam meses, e alguns até três anos, por atendimento. Entre eles, idosos com dificuldade de alimentação, diabéticos e hipertensos que dependem de cuidados bucais. Sessau foi questionado sobre vagas e demanda reprimida, mas não comentou.
Entre os moradores estavam pessoas que buscavam atendimento preventivo, pacientes com dores recorrentes e familiares de idosos que apresentavam dificuldade para se alimentar por falta de tratamento odontológico.
A aposentada Conceição de Souza, 62 anos, chegou cedo para tentar conseguir uma vaga para ela e sua filha. Enquanto aguardava atendimento, ele esperava poder dar continuidade ao tratamento que foi interrompido por dificuldades de acesso às consultas.
Ele conta que já teve atendimento de urgência enquanto aguardava vaga na rede pública. Segundo a aposentada, sua filha recebeu medicamentos para controlar inflamações por problemas dentários.
“Vim aqui mês passado e me mandaram fazer uma limpeza na UPA. Já fiz duas limpezas e me mandaram voltar. Na primeira consulta também me deram amoxicilina porque o dente estava inchado e doía muito”, conta.
Agora, a preocupação está sendo acautelada antes que a situação se agrave. “Espero vê-lo em breve no próximo encontro, pois o dente é macio e desconfortável para mastigar.”
Preocupações com a saúde obrigaram a aposentada Maria Aparecida Mendes, 67 anos, a entrar na fila. Diabético e hipertenso, ele chegou pouco depois das 6h e encontrou dezenas de pessoas aguardando atendimento.
Há seis meses morando na região, Maria afirma que o atendimento odontológico é fundamental para evitar complicações relacionadas a doenças crônicas.
“Faz seis meses que mudei para cá e tenho que marcar consulta com dentista. Pessoas com diabetes e hipertensão precisam cuidar bem dos dentes. Se começar a escovar e sangrar, é perigoso entrar bactérias”, explica.
A cozinheira Silvana Sampaio, de 37 anos, precisou faltar ao trabalho para tentar conseguir um emprego para a mãe, de 67 anos. Segundo ele, a idosa aguarda atendimento há cerca de oito meses e apresenta até dificuldades para se alimentar.
“Ele não consegue mastigar porque teve que remover sete dentes para colocar a dentadura. A espera foi horrível. É difícil conseguir um lugar porque há muita gente”, disse ele.
Silvana disse que soube da vaga por meio dos agentes comunitários de saúde e chegou à unidade por volta das 6h30. Na avaliação dele, o aumento da população atendida pela unidade contribuiu para a alta procura.
“Muita gente está vindo para o local, a aglomeração aumentou e ficou difícil conseguir vaga quando abrir. Espero que todos estejam lotados porque a procura é muito grande”, disse.
Enquanto alguns tentavam cuidar dos problemas existentes, outros enfrentavam as primeiras horas da manhã para garantir consultas de rotina. Foi o caso do aposentado João Rosa, 63 anos, terceiro na fila.
Ele chegou à unidade às quatro e meia da manhã. Naquele momento, já havia duas pessoas aguardando tratamento. Um deles estava lá desde as 3 da manhã. Após esperar mais de três horas, ele saiu da unidade com consulta marcada para o dia 10.
“Cheguei às 4h15 e já tinham dois na minha frente. Um chegou às 3h e o outro um pouco antes de mim. Consegui marcar para o dia 10”, conta.
Depois de quase três anos sem consulta odontológica, João disse que decidiu tomar cuidado para retomar o acompanhamento regular. “Temos que chegar cedo porque quem quer beber água limpa chega cedo”, comentou.
No centro da fila estava a dona de casa Andrea Euseb, de 45 anos. Ele chegou por volta das 6h20 e disse que está tentando atendimento odontológico desde que se mudou para o Bairro Vida Nova, há três anos.
Segundo ele, a falta de serviços obriga os familiares a recorrerem a serviços privados quando surgem emergências. Ela conta que tanto a filha quanto a neta tiveram que pagar pelas consultas por falta de espaço na rede pública.
“Foi difícil ficar sem atendimento. Se não for no atendimento 24 horas, tem que ir pessoalmente. Minha filha e minha neta têm que ir pessoalmente para necessidades urgentes. Hoje vim marcar horário para todos. Espero conseguir vaga”, completou.
A movimentação violenta chama a atenção das pessoas que passam pela unidade. Por volta das 19h40, ainda havia moradores aguardando socorro e a fila já ocupava grande parte da calçada.
Pela manhã, uma viatura da GCM (Guarda Civil Metropolitana) da equipe da Rhonda Escola monitorou a situação. Apesar do grande número de pessoas, não houve registro de comoção ou confusão.
A reportagem questionou a quantidade de vagas disponíveis para atendimento odontológico na unidade, a capacidade atual do serviço, a existência de demanda reprimida no local e o motivo pelo qual não havia servidores prestando atendimento ou orientação aos pacientes nas primeiras horas da manhã, mesmo quando se formavam filas. O espaço está aberto para manifestações.







