Ex-funcionários do TCE foram alvo da PF em investigação sobre supostas fraudes e desvios de recursos públicos
A Justiça Estadual revogou o uso de tornozeleira eletrônica imposta a Douglas Avedikian e Parazara Moraes Alves Jr., dois ex-funcionários do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul), investigados na operação de terceirização de ouro deflagrada pela PF (Polícia Federal 22.028, dezembro).
Uma Justiça estadual revogou as tornozeleiras eletrônicas de dois ex-funcionários do TCE-MS investigados em uma operação de terceirização de ouro deflagrada pela Polícia Federal em 2022. A decisão publicada na 3ª Vara Criminal de Campo Grande mantém outras medidas cautelares impostas pelo STJ. O caso investigava fraudes em licitação e apropriação indébita de bens em contrato que chegou a R$ 102 milhões.
Nesta quinta-feira (3), a decisão foi revelada em um processo que tramita na 3ª Vara Criminal de Campo Grande. No despacho, o tribunal determinou a retirada do acompanhamento eletrônico dos dois requerentes, mas manteve outras medidas cautelares impostas pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).
“Diante do exposto, revogo as medidas cautelares relativas ao monitoramento eletrônico impostas aos peticionários, mantendo integralmente as demais medidas cautelares impostas pelo Superior Tribunal de Justiça.
Em janeiro, o mesmo tribunal manteve tornozeleiras eletrônicas para dois ex-funcionários. Naquele momento, os pedidos apresentados pela defesa não foram analisados porque o conteúdo do processo ainda não estava totalmente ligado à ação penal enviada pelo STJ à Justiça estadual.
O caso envolve investigação de fraudes em licitações e contratos associadas ao TCE-MS. A operação golden outsourcing visa um acordo firmado entre o tribunal localizado em Brasília e a empresa Dataeasy Consultoria e Informática. Segundo a investigação, a empresa tinha liberdade para cobrar de R$ 24,87 a R$ 1.194 pelo serviço de “atualização de informações”.
O MPF (Ministério Público Federal) condenou fraudes em leilões privados e desvios de recursos públicos em contratos. O contrato foi assinado em 21 de janeiro de 2018, com preço inicial de R$ 21,5 milhões. Posteriormente, segundo a investigação, o valor chegou a R$ 102 milhões.
Os processos criminais correm no STJ porque os dois consultores investigados, Waldir Neves Barbosa e Eran Coelho das Neves, têm foro privilegiado. Em outubro, o ministro Francisco Falcão decidiu que o Superior Tribunal de Justiça trataria apenas da parte relativa aos conselheiros. O processo contra os demais réus foi encaminhado à Justiça estadual e distribuído à 3ª Vara Criminal de Campo Grande.
Parajara Moraes Alves Jr. já foi alvo de outra operação, a Antivírus, realizada em 2017 pelo GAICO (Grupo de Atuação Especial para Repressão ao Crime Organizado). Na época, enquanto era funcionário comissionado do TCE-MS, foram apreendidos três celulares com tecnologia antiespionagem e R$ 105 mil em dinheiro. Desse total, R$ 89.420 estavam em cima da mesa de seu gabinete no tribunal.
Apesar da retirada da tornozeleira, a decisão divulgada nesta quinta não encerra o processo nem retira outras restrições cautelares anteriormente impostas pelo STJ.






