Se alguém lhe tivesse dito há alguns anos que ela se tornaria uma das comediantes mais seguidas da Argentina, ela provavelmente não teria acreditado. Então Cecília “Ceci” atrás Eu trabalhava com publicidade digital, tinha clientes, dirigia uma vida corporativa e a comédia ainda era apenas uma paixão que surgia de vez em quando. No entanto, hoje seus personagens coletam milhões de visualizações, somando 1,4 milhão de seguidores no Instagram sim TikTok mais de 800 millotou teatros e se tornou uma das vozes mais originais do humor argentino.
Há muito mais em seus vídeos do que piadas. Crescendo em uma família que ela mesma define como “ultrassexual”, ela encontrou no humor uma forma de questionar os mandatos com os quais cresceu e colocar na mesa situações que muitas mulheres enfrentam todos os dias. Com personagens como checoinverte os papéis de género para mostrar ironicamente o que normalmente é esquecido.
Mas o stand-up também surgiu em um dos momentos mais difíceis de sua vida. Depois de passar por uma grave depressão, ele riu novamente uma noite enquanto assistia a um especial de comédia. “Meu músculo do riso estava doendo porque eu não ria há meses”, lembra ele. E aquele momento mudou tudo: “Nunca sinto falta de nada tão sério que não consigo mais rirele pensou.
Desde então, a comédia deixou de ser apenas um hobby e passou a ser uma forma de curar, contar histórias e construir uma comunidade que encontra mais do que apenas entretenimento em seus vídeos. “Queria ganhar a vida fazendo o que amo, que é a comédia, e levar as pessoas ao teatro”, diz ele.
Nesta conversa com Para Ti, ela fala sobre sua história, o fenômeno do networking, o estigma que as mulheres criadoras de humor ainda enfrentam, a saúde mental e os sonhos que ainda não realizou.
“Com humor posso dizer coisas que de outra forma seriam muito difíceis de dizer”
— Em seus vídeos, você inverte os papéis de gênero e leva as situações cotidianas ao extremo. Que reações você encontrou desde que começou a fazer isso?
— No começo as pessoas não entendiam como funciona o humor, ou achavam que era assim que eu me comportava. Os primeiros vídeos que se tornaram virais foram em campo, quando ele gritou com os homens e marcou um gol. Muitas pessoas levaram isso a sério. Então eles começaram a entender a ironia. Hoje em dia, muitos homens se sentem identificados e me escrevem coisas como “você pegou o cartão da gente”, mas não de um lugar onde dizem “precisa ser trocado”, mas sim com uma risada. Aí você percebe que existem muitos micro-machos completamente naturalizados.
— Um dos vídeos que teve maior impacto foi “Incompetência Estratégica”. O que você descobriu neste esboço?
— O que me chamou a atenção foi que muitos homens escreveram para Nahuel dizendo, por exemplo, “não nos queime”, “você está do nosso lado”. Lá estava eu pensando: “Quantas coisas vão acontecer entre eles que nós, mulheres, nem sabemos?” Isso me assustou. Porque não é só uma brincadeira: por trás dela está um machismo enraizado, onde o trabalho doméstico muitas vezes acaba sendo delegado a uma mulher, fingindo não saber.
— Você também fez muitos comentários quando apareceu no stream do Marcelo Tinelli e cortou a “saia” dele. Como você sobreviveu àquele momento?
— Foi lindo. Eu improvisei completamente. Marcel e eu não conversamos nada, exceto por algumas piadas. Entrei no personagem do Lachecha e saiu tudo. Quando cortei o rabo dele e dava para ver a cueca dele, foi muito engraçado. Além disso, fazer as pessoas rirem atrás das câmeras é sempre um bom sinal. A verdade é que ele aceitou muito bem, o que é sinal de inteligência.
— Você sempre diz que o humor foi uma espécie de refúgio para você. Quando você descobriu que também poderia ser um meio de cura?
— Foi um momento muito difícil. Eu estava passando por uma depressão muito forte e não ria há meses. Outro dia vi um especial de stand up na Netflix e lembro “Meus músculos do riso doíam porque eu não ria há meses.”. Aí pensei: “Nunca vou abandonar nada tão sério que não consiga rir de novo”. Procurei o comediante que vi, me inscrevi nos cursos dele e foi assim que tudo começou.
— O que você encontrou nesse mundo do stand up?
— Encontrei pessoas parecidas comigo. Venho trabalhando em agências de publicidade, onde tudo era muito corporativo. E de repente cheguei a um lugar cheio de “pessoas que sentem”que não tinha medo de ser vulnerável, de compartilhar suas feridas e transformá-las em humor. Eu me apaixonei completamente por isso.
— Várias vezes você falou sobre o fato de ter crescido em uma família muito machista. Você acha que isso influenciou seu senso de humor?
– Sim, absolutamente. Tudo foi uma luta: estudar, trabalhar, ir morar sozinho. Na minha família era muito forte a ideia de que a mulher deveria mudar da casa dos pais para a casa do marido. Quando vi Malena Pichot pensei: “Existem mulheres como eu”. Mulheres que moram sozinhas, que fazem outra coisa da vida, que nem sempre seguem o caminho que parecia obrigatório.
— De onde vêm as ideias sobre Lačeč?
— Muitos vêm de experiências pessoais, mas também de amigos. Tenho muitos amigos divorciados que me contam coisas incríveis. Também estou muito atento ao que está acontecendo neste momento. Eu sempre digo que tem muito material. Acho que nunca vai acabar porque a realidade sempre traz novas histórias.
— Você trabalhava com publicidade. Foi difícil para você abandonar essa carreira?
—Sim, porque foi um trabalho que fiz bem, mas Não era minha personalidade. Aos poucos fui abandonando. Tive meus clientes, comecei a ganhar dinheiro com stand-up e depois com redes, até que um dia consegui me dedicar totalmente à comédia. Talvez tudo que aprendi hoje em marketing me ajude muito na hora de pensar em conteúdo.
— Hoje você tem mais de dois milhões de seguidores entre Instagram e TikTok. Você já imaginou chegar nesse lugar?
– Nunca. Foi uma loucura. Mas esse também não era meu objetivo. Não fiz vídeos para conseguir um milhão de seguidores. Queria ganhar a vida fazendo o que amo, que é a comédia, e levar as pessoas ao teatro. As redes tornaram-se a ferramenta para que isso acontecesse.
— Há algum tempo você disse algo que chamou muita atenção: “Não quero ser bonita, quero que você ria”. O que está por trás dessa frase?
— Aconteceu muitas vezes comigo que, em pé, me disseram: “como você é linda”. E pensei: “Eu não quero ser bonita, quero que você ria”. Tenho muito cuidado com minhas roupas porque quero que a atenção esteja voltada para o que digo e não para como estou vestida. É uma pena que ainda tenhamos que pensar nessas coisas, mas isso acontece com frequência.
— Que sonhos você ainda tem para realizar?
— Continuar fazendo teatro, que mais gosto, e em algum momento fazer meu próprio espetáculo individual. Mas eu também gostaria muito de escrever uma série. Já temos uma ideia com a Nahuela e estou animado para poder falar sobre saúde mental, o mundo do stand-up e misturar drama com comédia. Acho que ainda há muitas histórias para contar.
Fotos de Candela Petech @ph.candela
Produzido por Lucila Subiza @lucilasubiza
Maquiagem e cabelo @barmaj.studio
Assistente de maquiagem e cabelo @_katylopezz
Obrigado: @portsaid oficial @vestuariopandora @aida.tiendadeaccesorios @calzadosfragola @swamioficial







