17 anos atrás Guilhermina Davova Ele tomou uma decisão que mudaria seu destino para sempre. Ela veio para o México quando era apenas uma adolescente, sonhando em fazer sucesso no mundo da moda. Ela não achava que esta viagem lhe permitiria encontrar o amor, constituir família, construir um negócio de sucesso e passar por uma das provações mais difíceis da sua vida.
Hoje ela mora em Playa del Carmen com o marido Alberto e os filhos Galo e Yaga.qualquer. Ela é sócia da irmã Milagros na marca La Bikinería, que já possui quatro lojas. Mas por trás do sucesso empresarial está uma história de resiliência, transformação e gratidão.
Nesta entrevista à revista Para Ti, Guillermina abre o coração e conta como foi começar do zero em outro país, como o câncer de mama deixou sua vida e as lições que a acompanham até hoje.
Mudando os pastores de enguias: da Argentina ao México
– Você se lembra do que sentiu quando viajou pela primeira vez ao México? Você imaginou que essa viagem mudaria sua vida para sempre?
– Eu tinha 19 anos quando vim ao México pela primeira vez em 2005. Junto com Pancho Dotto e outras modelos fui a Acapulco para um desfile de moda. Lembro-me de quando estava aqui pensando: “Um dia vou morar no México“Foi um sentimento muito forte, embora não imaginasse que esta viagem mudaria completamente a minha vida.
– Você saiu para trabalhar e acabou encontrando o amor. Qual foi a história que te fez ficar?
– Depois dessa primeira viagem, comecei a vir trabalhar sozinho sazonalmente. Morei alguns meses na Cidade do México e depois voltei para a Argentina. Em uma dessas viagens conheci Alberto, que hoje é meu marido.
Ele morava em Playa del Carmen e foi um cavalheiro desde o início. Aos poucos isso me conquistou. A distância não foi um problema no início porque eu estava trabalhando na Cidade do México e ele em Playa del Carmen. Nos comunicamos o tempo todo através da Nextel, que era nossa grande ferramenta na época.
Mas depois de um ano chegou a hora de tomar uma decisão. Eu não queria mais viver entre dois lugares. Tive que escolher entre voltar para a Argentina para sempre ou apostar nessa história e me mudar para Playa del Carmen. Eu escolhi o amor e mudei completamente minha vida.
– Qual foi a coisa mais difícil de deixar para trás quando você decidiu se estabelecer definitivamente no México?
– Tomar a decisão não foi tão fácil. Eu conhecia muito poucas pessoas em Playa del Carmen. Tudo começou do zero em um lugar novo, longe da minha família e amigos.
Mas eu senti que tinha que tentar. Lembro-me de pensar: “Eu vou tentar e ver o que acontece.” Foi uma decisão de amor.
Iniciativas e empreendedorismo
– Quando você chegou, nada aconteceu imediatamente. Você até começou a vender biquínis na praia. Como você se lembra dessa fase? sim O que você aprendeu nesses primeiros anos de trabalho e adaptação?
– Na Argentina trabalhei para uma marca de biquínis que me deu vários maiôs como parte do pagamento. Quando me mudei para o Caribe, achei que seria uma grande oportunidade de começar algo próprio.
Meu primeiro pensamento foi vendê-los do meu apartamento, mas não deu certo. Ninguém me comprou porque eram todos de tamanhos muito pequenos.
Então meu marido tinha um clube de praia muito legal e eu decidi tentar novamente. Peguei uma corda, pendurei todos os biquínis e comecei ali mesmo meu negocio. Desta vez funcionou: vendi todos.
Essa experiência me ensinou algo que permanece comigo até hoje: Se algo não dá certo, muitas vezes não significa que a ideia seja ruim, mas que você precisa encontrar o lugar e a hora certos.
– Em 2010 você abriu sua primeira loja La Bikinería. Como surgiu esse sonho?
– Pouco depois de morar em Playa del Carmen, me ofereceram uma vaga na Quinta Avenida. Naquela época, era a rua mais movimentada e famosa da cidade.
Não tenho dúvidas sobre isso. Tinha alguns biquínis, alguns produtos de praia e muita vontade de abrir um negócio. Não esperava que tudo fosse perfeito ou tudo resolvido. Abri o mesmo.
Hoje olho para trás e acho que foi uma das melhores decisões que tomei. Muitas vezes esperamos o momento perfeito para começar algo e A realidade é que este momento quase nunca existe.
– Hoje eles têm quatro lojas. Como você se sente ao olhar para tudo que você e sua irmã constroem?
– São emoções enormes. Trabalhar com Irmã Milagros é um dos presentes mais lindos que a vida me deu.
Somos muito diversos e é aí que reside a nossa força. Ela cuida de toda a parte operacional e administrativa da empresa, enquanto eu cuido da parte criativa e de design. Nós nos complementamos muito bem e compartilhamos os mesmos valores.
Ver tudo o que criamos juntos me enche de orgulho.
Família e maternidade
– Durante esses anos, você também constituiu família. Como a chegada dos seus filhos mudou a sua vida?
– Nos primeiros anos no México senti muita falta da Argentina. Viajei muito e minha família também veio me visitar. Naquela época, eu não me sentia preparada para ser mãe.
Em Chegou o Galo 2014. Eu tinha 28 anos e foi um momento muito especial porque soube da gravidez no mesmo dia do aniversário da ausência da minha mãe.
Dois anos depois, nasceu Iago.. Sempre sonhamos que nossos filhos teriam uma pequena diferença de idade e isso aconteceu. Eles mudaram completamente a minha forma de encarar a vida.
– Que coisas da sua formação argentina fizeram você querer continuar morando no México?
– Eu queria esconder muitas coisas da maneira como criamos nossos filhos. A importância da família, do convívio, da presença e do companheirismo.
– Como é criar os filhos longe do país onde você nasceu?
– Nem sempre é fácil, mas tive muita sorte. Tenho quatro irmãs e sempre tivemos um vínculo muito forte.
– Sou a mais velha de 4 irmãs e fui a primeira a ter filhos, e quando os filhos eram pequenos, minhas irmãs se organizaram para vir me visitar. Às vezes eles ficavam um mês inteiro e mudavam. Essa rede de amor e apoio foi essencial para mim.
Encontrando suas irmãs novamente
– Depois de viver dez anos no México, suas irmãs também se mudaram para lá. Como você vivenciou esse processo?
– Foi algo que sempre sonhei . Durante a pandemia, minhas irmãs viveram em diferentes países e gradualmente se mudaram para mais perto de Playa del Carmen.
Além disso, coincidiu com um momento muito difícil da minha vida, pois acabara de ser diagnosticado com câncer de mama. Eles estiveram muito presentes e vieram me acompanhar. Achei que a vida nos unisse novamente.
-O que significou para você o fato de eles estarem próximos novamente depois de tanto tempo?
– Essa é uma das coisas pelas quais estou mais grato. Não é comum que uma família inteira vá parar em outro país e acabe novamente desta forma.
Poder compartilhar com eles o nosso dia a dia, ver nossos filhos crescerem juntos e nos acompanhar em tudo é um privilégio enorme.
– Se você pudesse resumir em uma palavra o que suas irmãs representam na sua vida, qual seria?
– Incondicional.
Câncer e transformações pessoais
– Em 2020, você sofreu de câncer de mama. Como você se lembra do momento em que foi diagnosticado?
– Foi um dos os momentos mais difíceis da minha vida. Tínhamos terminado o ano comemorando em família e no dia 2 de janeiro recebi uma ligação. Eu estava no carro quando me disseram que tinha câncer de mama.
Senti um balde de água gelada bater na minha cabeça. Meus filhos eram muito pequenos e meu maior medo era que eles não me aceitassem. Já havia vivenciado a perda da minha mãe e essa dor voltou com muita força.
– Houve algo na sua percepção da vida após a doença que mudou para sempre?
– tudo mudouqualquer. Com o tempo eu percebi isso A doença veio me mostrar as coisas que eu precisava transformar. Não foi um caminho fácil nem rápido.. Foram momentos muito sombrios, mas também de muito aprendizado.
Li muito, fiz terapia, aprendi sobre nutrição, meditação. Comecei a me ouvir mais e a entender que somos corpo, mente e espírito.
– Qual o papel que a sua família e entes queridos desempenharam nesse processo?
– Meu marido foi meu grande apoion. Tenho certeza de que ele também estava com medo, mas nunca me revelou isso. Ele sempre me disse que tudo ficaria bem, que passaríamos por isso.
Minha família e amigos também foram muito importantes. Foram eles que me ouviram, me acompanharam e me deram forças nos momentos mais difíceis.
TERAPIA, BUSCA INTERIOR E RENOVAÇÃO
– Todos esses anos você também esteve envolvido em terapias e diversos processos de desenvolvimento pessoal. O que você estava procurando?
Eu queria me entender melhor. Queria entender minha história, meus medos, minhas feridas e tudo que me marcou. Senti que a doença também carrega uma mensagem e queria ouvi-la.
Havia anos de terapia, leitura, meditação e trabalho interno o que me ajudou a me conhecer mais profundamente e a crescer como pessoa. E ainda é.
– Você sente que hoje é uma versão completamente diferente da Guillermina que veio para o México?
– Sim, sem dúvida. Desde que vim para o México Tento escolher minha versão favorita todos os dias. TAinda tenho muitas coisas em que estou trabalhando, não é como se eu tivesse tudo planejado. Mas acredito que a vida está constantemente nos chamando para nos transformarmos.
O presente
– Em 2025, você tomou a decisão de repetir a operação. Como foi passar por esse processo novamente?
– Quando o tumor reapareceu, senti tristeza e decepção. Eu não queria passar por algo assim novamente.
Mas desta vez eu vivi isso de um lugar diferente. Encontrei tempo para trabalhar duro comigo mesmo, tanto física quanto emocionalmente. Eu precisava ir para outra cirurgia em paz. Tomei a decisão quando senti que estava pronto e calmo. E isso mudou tudo.
– O que você gostaria que seus filhos aprendessem com a história de sua vida?
– O que aprenda a ser grato pela sua saúde todos os dias. Deixe-os compreender que a vida é uma dádiva e nada deve ser considerado garantido. Gostaria também que você soubesse que o amor é muito poderoso e que mesmo nos momentos difíceis sempre vale a pena ter coragem e seguir em frente.
– O que você diria a ela ao olhar para trás e ver aquela jovem que veio para o México sem imaginar tudo o que iria acontecer?
– Meus olhos se enchem de lágrimas. Eu diria a ele que tudo ficaria bem. Deixe-o confiar em você. Muitas vezes as bênçãos estão disfarçadas de desafios.
Meu maior projeto não foi uma empresa ou uma marca. Meu maior projeto é a família que comecei.
– Qual é o sonho que você ainda precisa realizar?
– Hoje não sinto que estou perdendo nenhum sonho. Depois de tudo que passamos Percebi que estar vivo, estar com saúde e poder ver bem as pessoas que amo já é um grande presente.. Todo o resto é uma vantagem.
– Se você tivesse que resumir esses 17 anos no México em uma frase, qual seria?
– Gratidão infinita.






