O ativista brasileiro explica à sua filha a sua motivação para se juntar à flotilha humanitária com destino a Gaza.

De dentro da prisão, Thiago ditou esta carta ao seu advogado:

Prezada Tereza,

Sinto muito por não estar em casa com você agora. Infelizmente o seu pai, a sua mãe e tantas pessoas em todo o mundo compreenderam a tarefa histórica que temos a responsabilidade de cumprir.

Hoje, mais de um milhão de crianças sofrem um genocídio, morrem de fome, são amputadas sem anestesia e sofrem de ideias horríveis e odiosas, apesar de não saberem o que é o sionismo e o imperialismo.

Tenho certeza que vocês sentem muita falta de mim e todas as mães e pais de crianças palestinas também sentem muita falta delas e dariam tudo para viver uma vida de amor, felicidade e alegria que todo ser humano merece, independentemente de raça, religião, etnia ou qualquer outra característica.

Seu mundo será mais seguro porque muitos pais decidiram dar tudo para construir esse mundo melhor para você. Espero que um dia você entenda que, porque eu te amo tanto, não há nada mais perigoso para você e para outras crianças do que viver em um mundo que aceita o genocídio.

Por favor, lembre-se do seu pai como a pessoa que cantava para você e tocava violão para você dormir. E quando você crescer, sua mãe também lhe dirá que seu pai foi um revolucionário e que mesmo enfrentando as pessoas mais horríveis do mundo – Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Itamar Ben-Gvir – ele se manteve firme na crença de construir um mundo melhor.

Por favor, não se esqueça da Palestina!

Com todo meu amor,

Thiago Ávila

Esta carta apareceu pela primeira vez no site de Thiago Ávila Conta do Facebook.

As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.

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