A indústria da carne de Mato Grosso do Sul (Foto: Yagro)

A União Europeia decidiu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar alguns produtos de origem animal para o bloco, numa medida que pode afetar frigoríficos e cadeias do agronegócio de Mato Grosso do Sul.

A União Europeia decidiu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco a partir de setembro de 2026, medida que pode afetar os frigoríficos de Mato Grosso do Sul. A justificativa é a falta de garantias em relação ao controle antimicrobiano na pecuária. A Holanda e a Itália importaram juntas carne bovina no valor de cerca de US$ 18 milhões do estado em 2026.

A mudança foi publicada pela Comissão Europeia nesta terça-feira (12) e pode proibir a entrada de carne bovina, aves, ovos, mel, peixes de viveiro e até animais vivos brasileiros a partir de 3 de setembro de 2026.

A justificativa apresentada pelos europeus é que o Brasil não deu garantias adequadas quanto ao controle do uso de antimicrobianos na pecuária. Esses produtos incluem antibióticos e outras substâncias utilizadas para combater microorganismos.

De acordo com as regras da União Europeia, é proibido o uso desses compostos para aumentar o crescimento ou a produção animal, pois os medicamentos são considerados estratégicos para o tratamento humano.

A decisão surge num contexto de forte pressão política e económica dos agricultores europeus, especialmente em França, contra o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A questão tornou-se uma grande preocupação para o presidente francês, Emmanuel Macron, no setor rural europeu, que acusa o país sul-americano de operar sob regulamentações sanitárias menos rigorosas.

Embora a União Europeia não seja o principal destino da carne de Mato Grosso do Sul, os números mostram que o bloco fatura milhões de dólares com as exportações do estado. Dados do painel Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) indicam que os países europeus aparecem entre os compradores de produtos bovinos exportados em 2026.

Os destaques são a Holanda, que importou neste ano US$ 10,4 milhões em produtos ligados ao setor, e US$ 7,7 milhões para comprar carne bovina congelada desossada produzida em Mato Grosso do Sul, na Itália. Espanha e Alemanha também aparecem entre os destinos dos produtos do agronegócio estatal.

Dados da Fiems mostram ainda que a carne bovina desossada congelada representa um dos principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul em 2026. O segmento já movimentou mais de US$ 520 milhões este ano, um aumento de 52% em relação ao mesmo período do ano passado.

Mesmo com o peso europeu, a China continua sendo o principal mercado internacional para a carne produzida em Mato Grosso do Sul. Sozinho, comprou mais de US$ 250 milhões em carne bovina congelada do estado este ano. Os Estados Unidos estão em segundo lugar, com cerca de US$ 145 milhões.

Apesar do anúncio, a própria Comissão Europeia indicou que a situação ainda pode mudar. Em comunicado enviado ao portal europeu Uractive, a porta-voz de saúde da União Europeia, Eva Hornsirova, disse que o bloco mantém diálogo com o governo brasileiro e que a aprovação poderá ser retomada caso o Brasil comprove o cumprimento dos requisitos sanitários.

O detalhe político é que Argentina, Colômbia e México aparecem na nova lista de países aprovada pela União Europeia, enquanto o Brasil fica de fora.

*Texto com informações do molhado.

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