Conflito entre PCC e CV por território no MS reúne força-tarefa permanente sobre BOP, CHOK e fronteiras
Uma batalha entre o PCC e o Comando Vermelo pelo controle das rotas de cocaína na fronteira com Mato Grosso do Sul resultou em 17 mortes em confrontos com a polícia em apenas um mês. Disputas pelos corredores que ligam a Bolívia e o Paraguai a estados como São Paulo e Rio de Janeiro levaram à criação de uma força-tarefa que prendeu 68 pessoas e apreendeu 31 armas e 93 quilos de drogas.
Uma batalha entre a principal gangue do país, o PCC, e o Comando Vermelho para controlar as rotas de fluxo de cocaína ao longo de Mato Grosso, Goa e as fronteiras de São Paulo com Mato Grosso do Sul levou a uma explosão no número de mortes de criminosos em confronto com forças especiais da polícia militar. Desde o início da operação, de 25 de abril a 25 de maio, 17 supostos membros de gangues foram mortos, um recorde para o período de apenas um mês.
A informação chama a atenção porque, segundo a Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), unidades como o BOPE e batalhões de choque foram mobilizados para retomar o controle de áreas-alvo devido a um conflito sangrento causado pelas tentativas do Comando Vermelho de se expandir para áreas historicamente dominadas pelo PCC.
A Sejusop não dispõe de estatísticas consolidadas sobre o número de mortos nos confrontos entre as facções, mas sustenta que o conflito já dura cerca de seis meses. “Eles começaram a se matar”, disse o coronel Wagner Ferreira da Silva, secretário-executivo do departamento.
Segundo ele, os primeiros sinais de guerra foram manifestados por matanças, pichações e outras demonstrações de força que indicavam uma invasão regional por parte do Comando Vermelho. O foco principal do conflito é Coxim, Sonora e Pedro Gómez, mas suas ramificações também atingem Rio Verde de Mato Grosso, Costa Rica e Três Lagoas, cidades localizadas em corredores estratégicos para o tráfico de cocaína que abastecem São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e mercados internacionais de tráfico.
O ataque foi antecipado pelo secretário de Estado da Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, quando disse que o combate ao crime organizado deixou de se centrar apenas nas fronteiras internacionais e passou a visar também as fronteiras nacionais. Em entrevista com o Dr. Notícias de Campo GrandeVideira disse que o avanço do Comando Vermelho nos corredores logísticos tradicionalmente ocupados pelo PCC provocou conflitos diretos pelas rotas do tráfico de drogas e exigiu uma resposta permanente das forças de segurança.
Corredores Estratégicos
Para Wagner, a guerra não acontece por acaso. A região, formada por Coxim, Sonora, Pedro Gomes e municípios vizinhos, ocupa posição estratégica na oferta do tráfico de drogas porque liga as fronteiras com a Bolívia e o Paraguai aos principais mercados consumidores do país.
“Este é o canal que liga o Pantanal, a Bolívia e o Paraguai”, disse Cornell. Segundo ele, a área serve de corredor de cargas para Goas, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
Historicamente vista como uma zona de trânsito, a área tornou-se alvo de conflitos à medida que as facções não só percebem a importância do controle das drogas, mas também utilizam a mesma infraestrutura do agronegócio que sustenta a economia do Mato Grosso do Sul.
“Sem dúvida, há uma busca pelo controle regional”, disse ele.
Segundo Wagner, a expansão do Comando Vermelho na região não ocorre necessariamente com a chegada de integrantes de outros estados. O grupo recrutará criminosos locais e incorporará grupos já estabelecidos na região, movimento que, na avaliação do Cejuspe, ajuda a explicar a rápida escalada das disputas territoriais na fronteira entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
Para combater o avanço das organizações criminosas, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso formaram uma força-tarefa integrada envolvendo forças de segurança estaduais com o auxílio da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Polícia Criminal e da Polícia Rodoviária Federal. Goiás deverá ser incluído oficialmente na próxima fase da operação.
Prisões, armas e confrontos
A avaliação inicial do ataque revela a extensão da resposta do Estado. Em apenas um mês, foram feitas 68 prisões, 31 armas de fogo foram apreendidas, seis veículos foram recuperados, outros 16 veículos foram apreendidos e 93 quilos de drogas foram desviados de circulação.
Mas o número que mais chamou a atenção, um recorde de 17 mortes em decorrência de intervenção policial, número nunca visto em nenhum outro momento, revelou a determinação dos órgãos de segurança do estado, apesar do risco de esgotamento, em evitar que facções e milícias consolidem o controle da área para lidar com os criminosos.
Segundo Wagner, as mortes ocorreram durante esforços de execução de mandados, buscas, apreensões e prisões de suspeitos que responderam à polícia.
Esses incidentes envolveram forças especiais como Bope e Batalhão de Choque, além de equipes Garras e unidades PM em cidades como Sonora, Costa Rica, Coxim, Rio Verde de Mato Grosso e Três Lagoas. Entre os alvos dos mortos na operação foram identificados integrantes ligados ao PCC e ao Comando Vermelho, identificados na reportagem como “Lucão CV”, “Branco do CV”, “Vitinho” e “Irmão FB PCC”, reforçando a avaliação do Cejuspe de que dois dos principais traficantes da zona de conflito ofensivo influenciam diretamente os integrantes do tráfico de drogas. “Todas as facções. Ou CV ou PCC”, disse.
Segundo o secretário executivo, a divisão entre os integrantes das duas facções é praticamente equilibrada. “Cerca de cinquenta a cinquenta”, diz ele.
estrangulamento financeiro
Embora as disputas territoriais tenham inspirado a criação da força-tarefa, Wagner disse que a estratégia vai além da supressão aberta e das ações de captura. “A principal medida é o problema do estrangulamento financeiro”, disse.
Segundo ele, foi criada uma estrutura específica de Polícia Civil para rastrear bens, lavagem de dinheiro e bens utilizados por organizações criminosas. As investigações já estão em andamento para identificar os bens e estruturas financeiras envolvidas na facção, embora as conclusões tenham sido mantidas em sigilo.
Na avaliação da Sejusp, os primeiros objetivos foram alcançados. O coronel disse que os grafites associados às gangues praticamente desapareceram e os confrontos entre grupos rivais diminuíram desde o início da operação.
“Essa primeira intenção, que era evitar a grilagem, nós já conseguimos”, disse.
Mesmo assim, Videira e Wagner descartaram qualquer possibilidade de desmobilização. A estratégia será permanente e avançará em duas frentes simultaneamente: manutenção do controle regional sobre o câmbio e estrangulamento financeiro de organizações criminosas.
Para as forças de segurança, a guerra entre o PCC e o Comando Vermelho deixou de ser um fenômeno confinado à faixa fronteiriça e passou a se manifestar também nas rodovias e cidades que ligam os principais corredores de cocaína do Centro-Oeste. O objetivo agora é evitar que as disputas pelas rotas do tráfico consolidem novas esferas de influência das facções no Mato Grosso do Sul.
Os esforços dos órgãos de segurança de Mato Grosso do Sul seguem a lógica da integração regional, em operações coordenadas que antecipam ações diante de possíveis situações de conflito com o crime organizado decorrentes de operações nas fronteiras do Paraguai e da Bolívia que devem ser coordenadas pela CIA e pelas forças especiais militares norte-americanas, e no contexto da classificação de organizações terroristas de Comelho.







