A Ucrânia tem cada vez mais como alvo as refinarias, armazéns e oleodutos russos, bem como o abastecimento de combustível da Crimeia.
Publicado em 12 de junho de 2026
O presidente russo, Vladimir Putin, reconheceu que o recente aumento de ataques na Ucrânia causou danos à economia e à sociedade russas.
Os comentários de Putin na sexta-feira ocorreram depois de semanas em que a Ucrânia intensificou os ataques à infraestrutura russa, incluindo um ataque reivindicado por Kiev a uma importante refinaria de petróleo em Nizhnekamsk, na Rússia, na noite anterior. No entanto, o chefe do Kremlin insistiu que o aumento das greves não conseguiria semear a divisão e que a economia recuperaria rapidamente.
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Os ataques da Ucrânia, que atingiram refinarias, armazéns e oleodutos no interior da Rússia – cruciais para as lucrativas exportações de petróleo e gás da Rússia – parecem estar a ter um impacto crescente à medida que a guerra se arrasta e Moscovo faz progressos lentos na frente oriental da Ucrânia.
Putin declarou acreditar que o ataque não afetaria a determinação de Moscou em continuar invadindo os países vizinhos.
“Quanto à economia: eles nos prejudicaram, mas estamos nos recuperando rapidamente”, disse Putin em comentários divulgados pela agência de notícias estatal russa TASS. Ele acrescentou que a greve tinha como objetivo “espalhar o caos” na sociedade.
Mas ele insistiu que as greves não teriam sucesso e “não dividiriam a sociedade nem nos causariam danos económicos – pelo menos não da forma como pretendiam”.
A Ucrânia disse que o ataque foi uma retaliação legítima aos lançamentos diários de drones e mísseis pela Rússia que destroem cidades ucranianas.
Apesar das crescentes evidências sentidas na Rússia, Putin procurou manter a narrativa das autoridades de que as “operações militares especiais” continuaram a ser altamente bem sucedidas, prometendo que os militares russos intensificariam os ataques à “infra-estrutura inimiga” para “impedi-los de atacar as nossas instalações civis”.
O líder russo também disse que Moscou deve melhorar seus sistemas de defesa aérea – o segundo apelo desse tipo neste mês.
Além dos ataques de longo alcance às infra-estruturas russas, a Ucrânia também tem como alvo os fornecimentos provenientes da Crimeia ocupada pela Rússia, incluindo camiões de combustível, desencadeando a pior crise de combustível da península do Mar Negro desde que foi ilegalmente anexada pela Rússia em 2014.
O Instituto para o Estudo da Guerra, com sede em Washington, observou sinergias entre ataques de longo alcance na Ucrânia e ataques que perturbam o abastecimento na Crimeia e noutras áreas ocupadas.
“Como resultado, as operações de ataque de longo alcance estão a reduzir a capacidade de produção da Rússia, enquanto os ataques de médio alcance estão a prejudicar a capacidade da Rússia de transportar a gasolina que ainda é capaz de produzir”, afirmou numa análise.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reconheceu a escassez de combustível na Crimeia no início desta semana e prometeu que “medidas estão sendo tomadas” para resolver o problema.
Putin rejeitou recentemente a possibilidade de conversações cara a cara com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky para acabar com a guerra.
A Ucrânia recuperou mais território do que perdeu em maio, disse o comandante-em-chefe ucraniano, Oleksandr Syrskii, revertendo a tendência de ganhos líquidos mensais para a Rússia.








