O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou o presidente dos EUA, Donald Trump, dizendo que o líder dos EUA “não tem o direito” de ameaçar outras nações, numa entrevista publicada hoje em Espanha.
Os comentários de Lula foram feitos depois de Trump ter alertado este mês que “uma civilização inteira morrerá” no Irã se o país não abrir o Estreito de Ormuz.
“Trump não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país”, disse Lula ao diário espanhol El Pais, lembrando que a Constituição dos EUA divide a autoridade sobre a guerra e a política externa entre o Congresso e o presidente.
“É essencial que os líderes poderosos assumam maior responsabilidade na manutenção da paz”, acrescentou o presidente esquerdista de 80 anos.
Lula e Trump, 79 anos, estão em lados opostos em questões como o multilateralismo, o comércio internacional e a luta contra as alterações climáticas.
As relações Brasília-Washington continuam tensas, apesar de uma reunião entre os líderes no ano passado que ajudou a aliviar as tensões e levou a uma redução nas tarifas comerciais.
Lula renovou os apelos à reforma do Conselho de Segurança da ONU, incluindo a retirada do veto de cinco membros permanentes e a inclusão de mais países da África e da América Latina.
“É hora de redefinir as Nações Unidas para lhe dar credibilidade, caso contrário Trump tem razão”, disse, referindo-se às críticas do presidente norte-americano de que o sistema internacional pós-Segunda Guerra Mundial já não é eficaz.
Lula falou ao jornal antes de uma visita à Espanha, onde se encontrará com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, e participará de um fórum de líderes progressistas.
Outros participantes no encontro em Barcelona no sábado incluem a presidente mexicana Claudia Sheinbaum e o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa.
