A agência meteorológica das Nações Unidas previu ontem que o El Niño poderá ser moderado ou mesmo forte, aumentando potencialmente as temperaturas globais e aumentando o risco de condições meteorológicas extremas nos próximos meses.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, o El Niño é um aquecimento periódico das temperaturas da superfície do mar no Oceano Pacífico central e oriental que normalmente dura entre nove e 12 meses.

A Organização Meteorológica Mundial afirma que as águas mais quentes estão provocando as condições do El Niño e prevê temperaturas acima da média em grande parte do mundo de junho a agosto. A Organização Meteorológica Mundial afirma que o El Niño provavelmente durará até novembro.

“Precisamos de nos preparar para a possibilidade de fortes eventos de El Niño, que agravarão as secas e as fortes chuvas e aumentarão o risco de ondas de calor em terra e nos oceanos”, disse Celeste Solo, secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial.

Sabe-se que este padrão climático perturba o clima regional e pode levar a temperaturas globais mais elevadas, ao mesmo tempo que aumenta as precipitações no sul da América do Sul, no sul dos Estados Unidos, em partes do Corno de África e na Ásia Central.

A Organização Meteorológica Mundial disse que isso também poderia levar à seca em partes da Austrália, América Central, Indonésia e Sul da Ásia, e à formação de furacões no Pacífico central e oriental.

O El Niño mais recente ocorreu em 2023-24, tornando 2024 o ano mais quente já registrado, acrescentou Saulo.

“O calor extremo por si só já é um dos perigos climáticos mais mortais que enfrentamos, e os eventos do El Niño podem exacerbar a ameaça”, disse Solow. Estes riscos incluem mais doenças relacionadas com o calor, maior propagação de doenças transmitidas por vectores e maior pressão sobre os sistemas alimentares e hídricos.

“As comunidades que já estão em dificuldades serão levadas ainda mais aos seus limites”, disse ela.

A Organização Meteorológica Mundial disse que as mudanças no Pacífico equatorial, com as temperaturas da superfície do mar subindo rapidamente entre o final de abril e meados de maio, sugerem que um El Niño estava em desenvolvimento. A agência disse ter observado condições subterrâneas excepcionalmente quentes no Pacífico tropical, com temperaturas mais de 6 graus Celsius acima da média, criando um reservatório de calor que causou o aquecimento da superfície.

Algumas agências meteorológicas nacionais estão a prever o El Niño mais forte numa década e a alertar para um clima mais quente e seco em toda a Ásia no segundo semestre de 2026, o que poderá prejudicar as colheitas e o abastecimento de alimentos, uma vez que os agricultores já lutam com a escassez de fertilizantes e combustíveis caros causados ​​pela guerra do Irão. No entanto, a Organização Meteorológica Mundial disse que ainda há incerteza sobre a intensidade atual do El Niño, já que alguns modelos não prevêem um El Niño forte.



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