Brian Cullman passou a vida inteira em torno da música, não apenas cobrindo-a, mas fazendo parte do mundo de onde ela vem. Sua visão parecia conquistada. Isso vem de estar na sala, prestando atenção e permanecendo tempo suficiente para ver como as coisas se desenrolam.

Seu novo livro, Como se preparar para o passado: música e viagem no tempoReflita essa maneira de ver. Passa por uma série de momentos ao vivo com artistas como Nick Drake, Miles Davis, Sandy Denny e Chuck Berry, mas não tenta remotamente documentar a história. Está mais perto do que isso. Concentre-se nos detalhes que ficam com você. Uma sala, uma conversa, a forma como uma música chega em tempo real. À medida que você lê, você começa a sentir como a música se movia por esses espaços e como conectava as pessoas sem precisar explicar.

Nossa assinatura do American Songwriters perguntou a Brian como ele abordou a composição, como estar perto de certos artistas mudou a maneira como ele ouvia suas músicas e como certas músicas ainda o trazem de volta a um determinado lugar.

Reitor Campos: você disse “Quando as pessoas me perguntam qual é minha música favorita, eu digo rádio… Como posso escolher minha parte favorita de Rain?” Essa linha realmente ficou comigo. Há algo sobre o quão grande pode ser a experiência da música. Quando você estava escrevendo o livro, você tentou capturar tudo isso ou se tornou mais uma questão de escolher momentos e moldá-los?

Brian Cullman: Sempre que tentei manter a experiência completa, ela era muito grande. Eu não poderia pagar por isso, muito menos entendê-lo. Mas se eu conseguir me concentrar em um momento, alguém dizendo meu nome, a luz entrando por uma janela, o cheiro do café turco, um piano sendo afinado no corredor, se eu conseguir captar isso, o resto virá. Ou tanto quanto couber na página.

DF: O livro realmente coloca você naquela sala com pessoas como Nick Drake, Sandy Denny, Miles Davis. Houve um momento em que estar ali mudou a maneira como alguém ouvia música?

AC: É sempre esperança pensar que você está aí. Queria evitar a nostalgia e recriar a experiência na realidade, à medida que ela se desenrola em tempo real. Você tem que convencer o leitor, mas também tem que se convencer. Quando funciona, parece um presente. Quando isso não acontece, eu deixo.

Estar perto de alguém que realmente ouve muda tudo. Lembro-me de ouvir o pianista Steve Kuhn com Mike Jawarin, que tocou com Miles desde o início. Kuhn estava tocando em um restaurante onde ninguém prestava atenção. Mas Javarin estava lá. Estávamos parados no bar e, embora Kuhn não pudesse nos ver, ele sentiu que alguém estava trancado na sala. Seu jogo mudou. Os espaços entre as notas mudaram. A intensidade veio.

E estando em seu apartamento com Sandy Denny, ouvindo-o cantar, ouvindo demos de Bob Dylan, músicas novas de Richard Thompson, eu poderia ouvir sua voz para sempre. Agora, quando o ouço, estou de volta àquela sala. Luz, ar, tudo.

DF: A música parece o fio condutor de todo o livro. Existem músicas que te levam de volta a um determinado lugar?

AC: Na faculdade, eu tinha um toca-discos ao lado da minha cama que tocava discos repetidamente a noite toda. Coloquei três lá. Astral Weeks de Van Morrison, um disco de gamelão javanês, e Ruth Laredo interpretando a escriba.

A mesma coisa acontecia todas as noites. Eu estava meio adormecido e meu colega de quarto Jay chegava bêbado e desmaiava no chão. Alguns minutos depois, ele olhava para cima.

“Escriba?”
“O escriba.”
“Horowitz?”
“Laredo.”
“Sim, eu sabia disso.”

E ele quer ir para a cama. O disco continuará a tocar.

Agora, sempre que ouço Scribbin, volto lá. Aquela casa, aquela época, tudo na minha frente.

DF: O livro dá a sensação de que muito disso aconteceu por acidente. Olhando para trás, quão intencional foi isso?

AC: Quase não por acaso. Por completo acidente. Nunca fui muito bom em fazer planos. Vou para um lado e acabo em outro lugar completamente diferente. Geralmente funciona.

DF: O título sugere um olhar para trás, mas algo mais ativo. Depois de escrever o livro, você entende seu passado de forma diferente? O que significa se preparar para isso?

AC: Você está brincando? O passado ainda está acontecendo. Aí vem.

O livro de Brian Cullman, Como se preparar para o passado: música e viagem no tempoAgora fora.

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Foto via Brian Cullman

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