Quando a Casa Branca reservou uma estrela de verdade: Flashback

Enquanto o presidente Trump se esforça para salvar a celebração do Freedom 250 depois de vários artistas terem cancelado, vale a pena recordar um concerto presidencial que acabou por ser muito diferente: a 18 de junho de 1978, Jimmy Carter transformou o South Lawn da Casa Branca no maior clube de jazz da América, acolhendo mais de 40 músicos para celebrar o 25º aniversário do Festival de Jazz de Newport. O elenco incluía Herbie Hancock, Charles Mingus, Sonny Rollins, Mary Lou Williams, Chick Corea e, de forma mais memorável, o lendário Dizzy Gillespie.

O evento refletiu mais do que o famoso amor de Carter pela música. “Grande parte do seu espírito como presidente baseava-se no compromisso com os direitos civis e na elevação dos negros americanos”, disse o historiador presidencial Trevor Parry-Giles. Presidência do horário nobrediz TR. Numa época em que o jazz raramente ocupava o centro das atenções em Washington, Carter deu-lhe a plataforma de maior prestígio do país.

A noite terminou com Gillespie convencendo o presidente produtor de amendoim a se juntar a ele cantando o clássico do bebop “Salt Peanuts”. “Este foi um dos momentos mais felizes de uma presidência bastante infeliz”, diz o biógrafo Jonathan Alter. Melhor: Jimmy Carter, uma vida. Numa altura em que se debate com a crise dos reféns no Irão, a inflação e a queda vertiginosa dos índices de aprovação, a imagem de Carter trocando vertiginosamente de discurso com Gillespie tornou-se um retrato raro e duradouro do presidente à vontade.

Quase meio século depois, o contraste é impressionante. Os organizadores do concerto Freedom 250 de Trump, que comemora o 250º aniversário do país, lutaram em vão para encontrar artistas, e até mesmo artistas amigáveis ​​recusaram convites. Em vez disso, o presidente voltou seu foco para o comício de 4 de julho, que incluiu o cantor country Lee Greenwood, o tenor Christopher Macchio e, naturalmente, ele mesmo.

Carter, claro, estava a enfrentar os seus próprios problemas políticos (como Trump frequentemente aponta). A capacidade de reserva não era uma delas.

Esta história apareceu na edição de 10 de junho da revista The Hollywood Reporter. Clique aqui para se inscrever.

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