Há cerca de dois anos, alguns Primeira Liga os especialistas argumentavam que Casemiro deveria se aposentar. O Brasil as pernas do meio-campista haviam sumido, disseram, ele deveria desistir do futebol de primeira classe antes que o jogo o deixasse para trás, argumentaram.

Carlo Ancelotti não concordou.

O treinador italiano ficou triste por perdê-lo quando ele surpreendentemente negociou Real Madrid para Manchester United. E quando Ancelotti assumiu o comando do Brasil no ano passado, seu primeiro passo foi trazer Casemiro de volta à seleção nacional depois de 18 meses no deserto.

No seu livro “O Sonho: Quebrando os Recordes da Liga dos Campeões”, Ancelotti refere-se a Casemiro como “o metrônomo constante no coração do meio-campo”. Ele próprio ex-meio-campista internacional, Ancelotti parece ver Casemiro como uma extensão de si mesmo em campo, dando estrutura à equipe, protegendo a defesa e orquestrando o primeiro passe para frente.

Há uma indicação fácil do sucesso da destituição de Casemiro. No início desta semana, o canal brasileiro Globo Esporte pediu aos leitores que escolhessem a escalação do Brasil para o amistoso de quinta-feira contra França. O jogador com mais votos – mais, até, do que Vinícius Júnior – foi Casemiro, que então enfrentou os franceses em Foxborough e mostrou por que seu técnico e seus compatriotas o têm em tão alta estima.

Logo no início do jogo, no primeiro ataque sério da França, ele fez uma entrada vital na entrada da sua própria área. As melhores chances iniciais do Brasil vieram de seus dois excelentes passes de longa distância para Raphinha. Ele também ameaçou o gol, errando por pouco o alvo com um chute de fora da área e uma cabeçada de escanteio.

Ganhar a bola, preparar o jogo, finalizar – Casemiro esteve envolvido em todas as facetas da tarefa do meio-campista. Mesmo assim, ele pode ter ficado descontente no intervalo.

A França liderou com uma boa Kylian Mbappé remate, numa jogada que começou quando Casemiro perdeu a posse de bola perto do meio-campo. A verdadeira falha, porém, estava na linha de fundo. Zagueiro estreante Léo Pereira havia colocado o time em apuros com um passe de defesa que colocou os meio-campistas sob muita pressão, e ele foi derrotado com muita facilidade quando a bola foi passada para além dele.

O golo, e talvez até o resultado final de 2-1 para a França, pode realçar o perigo de dar demasiada importância ao resultado dos amigáveis. Se essas equipes se encontrarem no Copa do Mundo FIFAa defesa brasileira será, sem dúvida, muito mais proficiente. As lesões roubaram de Ancelotti toda a sua unidade defensiva titular e ele aproveitou a oportunidade para dar uma olhada em alguns jogadores marginais.

Mas há também uma questão estrutural fascinante. Observando a extraordinária força do Brasil em profundidade com atacantes laterais, Ancelotti claramente quer ir com quatro atacantes: contra os franceses foram Raphinha, Vinícius, Matheus Cunha e Gabriel Martinelli. Com força total, Estêvãotanto sucesso com Ancelotti, entraria para o Arsenal ala. Mas por mais deslumbrante que seja o quarteto, há uma questão de matemática.

Com goleiro, quatro zagueiros e quatro atacantes, só há espaço para dois no meio de campo. Um deles, atualmente ferido, é Bruno Guimarães. O outro é Casemiro. Existe o perigo de a dupla de meio-campo central ficar sobrecarregada, em menor número e despossuída – assim como aconteceu com Andrey Santos e Casemiro pelo primeiro gol francês.

Após a partida, Ancelotti se declarou satisfeito com a estrutura do time. Ele ressaltou que Éderson dificilmente teve um chute para defender e que os jogadores da frente demonstraram um admirável comprometimento defensivo – Cunha foi especialmente impressionante nesse aspecto. O técnico tem sido consistente ao ressaltar que não tem interesse que ninguém vá à Copa do Mundo com a intenção de reivindicar a Bola de Ouro – em outras palavras, a única maneira de tal sistema funcionar é com um considerável senso de sacrifício por parte dos atacantes.

Há um fator extra, porém, que não pode ser testado em uma tarde de primavera fora de Boston. Grande parte da próxima Copa do Mundo será disputada em condições de calor extremo – pense, por exemplo, no terceiro jogo do Brasil na fase de grupos, às 18 horas, em Miami. Isto acrescenta uma camada extra de desafio: será que Casemiro, de 34 anos, pode realmente fazer parte de um meio-campo de dois homens quando as temperaturas estão subindo?

O Brasil pode optar por olhar para algo diferente em relação Croácia em Orlando na terça-feira. Também é possível que mudanças sejam feitas durante a Copa do Mundo. Afinal, tais torneios muitas vezes funcionam como se o tempo acelerasse, com equipes se unindo ou se desintegrando.

Os lados vencedores mudam frequentemente a sua construção durante o torneio. Uma medida óbvia seria introduzir um terceiro homem no meio-campo; Botafogode Danilouma vez de Floresta de Nottinghamnão causou nenhum dano a si mesmo com uma aparição brilhante e dinâmica no segundo tempo contra a França, e Lucas Paquetádeixado de fora desta vez, também pareceria um forte candidato.

Há muito para Ancelotti digerir enquanto reflete sobre o confronto com os franceses. Ele poderia ter esperado que sua equipe avançasse mais contra um adversário reduzido a dez jogadores no início do segundo tempo. Ele pode estar preocupado com o desempenho de Vinícius, que quase não fez nada certo durante todo o jogo. Ele terá ouvido os cantos para Neymar subindo no meio da multidão assim que o segundo gol da França foi marcado. Mas talvez o maior ponto de interrogação paire sobre a forma de sua equipe.

Quando o Brasil venceu os EUA em 94, eles se adaptaram às condições lotando o meio-campo – que Ancelotti viu em primeira mão como assistente técnico dos finalistas derrotados Itália. A equipe que ele está construindo parece muito diferente. No calor de junho e julho, será que ele pode realmente esperar que Casemiro cubra tanto terreno e assuma tantas responsabilidades? Ou será que seu metrônomo constante será capaz de exercer mais controle como parte de um meio-campo de três homens?

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