Nascido em Toulouse e fiel à Cofidis, Anthony Perez viveu o altíssimo nível do Tour de France. Em entrevista concedida ao canal YouTube do triatleta Yannick Matejice, o ex-corredor conta a história dos bastidores: pressão contratual, sofrimento físico, sono prejudicado e cotidiano totalmente sacrificado pela bicicleta.
Por trás das fugas, das imagens televisivas e dos quilómetros percorridos, Anthony Perez descreve uma realidade muito menos gloriosa. Toulousain, profissional da Cofidis desde 2016 e diversas vezes no início do Tour de France, não fala apenas do desempenho. Acima de tudo, conta o que o ciclismo de altíssimo nível impõe a quem quer sobreviver.
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O morador de Toulouse deve mudar seus hábitos
“O alto nível é um estilo de vida diário”, resume ele em sua longa entrevista com Yannick Matejicek. Entre os profissionais, Perez explica que rapidamente entendeu que não bastava ter talento.
“Você tem que bombardear. Então você tem que comer, comer, comer”, diz ele, relembrando seu começo complicado. Ele que veio do mundo amador com seus hábitos, às vezes excursões com o estômago vazio e o corpo bem leve.
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Um mundo estressante onde o descanso não existe
Uma das maiores dificuldades de andar de bicicleta em alto nível também é mental. No World Tour, o futuro é muitas vezes decidido contrato por contrato. “Na verdade não há muita gestão porque é preciso reassinar contratos”, confidencia. Quando questionado se essa incerteza o estressava, sua resposta foi direta: “Sim. Rapaz, você está com um buraco no estômago.”
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A outra dificuldade é, obviamente, física. Relata em particular a sua passagem pela Volta ao País Basco onde foi levado a continuar depois de observar as dificuldades ao alto nível: “Fiquei arrasado. Ele (seu treinador) me disse: “Você sabe o que vai fazer lá? Você vai andar de bicicleta, você anda uma hora atrás de uma scooter todos os dias”. Mas uma coisa, esta corrida foi desprezível. Eu levei meu tempo para substituir os caras.”
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Tour de France, a corrida mais difícil?
Grande Boucle lhe parece uma experiência extrema. Perez fala sobre um esforço que nunca para: “O Tour de France é tão traumático. Você ouve pessoas gritando com você por 5 horas, 6 horas. O único momento em que você consegue respirar um pouco é nas descidas dos passes.”
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O barulho, a multidão, os gritos, o pelotão, a cachoeira: está tudo na sua cabeça à noite. “Assim que fechei os olhos, entrei no pelotão”, diz ele, relembrando as noites em que ainda ouvia os gritos dos corredores e o sono se tornava impossível.




