A canoagem moldou a vida de Léa Jamelot, desde o início no canal Nantes-Brest até os Jogos Olímpicos. Hoje, ela transforma sua paixão em um projeto coletivo numa barcaça de Toulouse.
“A sensação de estar do outro lado do mundo, mesmo que a poucos passos de casa”: essa é a sensação de Léa Jamelota primeira vez que ela sentou em um caiaque. Um esporte que nunca a abandonará e que a levará aos Jogos Olímpicos. Ela tinha 9 anos quando o descobriu junto ao canal Nantes-Brest, durante um acampamento de verão. Em casa, a jovem bretã anuncia aos pais que não quer mais ficar na academia, mas sim estar ao ar livre, na água.
Ela começou a andar de caiaque como um simples hobby, e a jogar jogos, descidas e corridas com os amigos. Então a competição gradualmente se convida à sua vida diária. Aos 15 anos, ela foi descoberta no centro juvenil de Rennes e deixou a casa da família no ano seguinte. Neste colégio voltado para atletas, tudo é organizado em torno do treino: aulas compactas e horários customizados.
Aos 16 anos descobriu a seleção francesa. Entre os Campeonatos Europeus, os Mundiais, os internacionais, a canoagem tornou-se central na sua vida, ainda antes de saber qual seria o seu futuro profissional. Ela eventualmente estudará comunicação.
Duas experiências olímpicas
Se as escolhas são disputadas nos monolugares, Léa Jamelot revela-se nomeadamente no K4, o caiaque de quatro lugares. “Sempre adorei a tripulação, a velocidade, a sincronização”, explica ela. Em 2016, aos 23 anos, participou de seu primeiro Olimpíadas no Rio. Uma experiência vertiginosa. “Vi Usain Bolt dançando na varanda dele, tomei café da manhã na frente do Tony Parker, foi tudo mágico”, diz ela. Mas dentro de água os resultados não corresponderam às expectativas, ficando longe dos objetivos traçados.
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Tóquiocinco anos depois, oferece um cenário completamente diferente. Entretanto, o canoísta instalou-se em Toulouse, seduzido pelas condições de treino e pela energia da cidade. Os Jogos Japoneses acontecem na estranha atmosfera da pandemia: sem público, testes diários, viagens limitadas. Apesar de tudo, conquistou um honroso nono lugar olímpico, mas insuficiente para apagar a sensação de assunto inacabado.
Então o alvo Paris 2024 é crucial, com os jogos em casa a representarem o horizonte final. No entanto, a qualificação escapa ao caiaque feminino francês. “Foi terrível ver a porta fechar tão de repente.” Como costuma acontecer em momentos de dúvida, a água serve de bússola para Léa. Ela parte por vários meses na Austrália, dá um passo atrás e imagina um projeto simbólico: percorrer todo o canal de Nantes a Brest, o mesmo onde tudo começou. 420 quilómetros, 237 eclusas e um regresso ao básico.
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Como se reinventar?
E o que era para ser um simples desafio pessoal vira filme. Depois dois. Seu tio, produtor, o acompanha na aventura. O documentário “Léa, de Nantes a Brest” encontra seu público em teatros e festivais bretões. Um segundo, “Léa, a vida após a morte”enviado TV Françaconta sobre a delicada transição da pós-carreira para uma esportista de alto nível. Porque é aí que reside o seu novo desafio: como se reinventar depois de passar dezesseis anos sob esse status? Como reconstruir uma identidade quando as competições param?
A resposta hoje assume uma forma inesperada: Léa Jamelot governou barcaça Saint-Louisatracado no Canal du Midi em Toulouse. Um local híbrido onde se reúnem exibições de filmes, conferências, eventos corporativos, sessões únicas de brunch de canoa, eventos desportivos… “Quero ajudar as pessoas a criar memórias na água”, resume. Uma extensão natural da história.









