CENIP abriu investigação sobre queda do avião em Campo Grande

Piloto e pesquisador alemão morre após decolagem do aeroporto de Santa Maria; A causa ainda é desconhecida

A equipe trabalha no local (Foto: Maya Severino)

Investigadores do SENEPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) chegaram a Campo Grande neste sábado (4) para iniciar a investigação sobre a queda do avião que matou o piloto Henrik Martin e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Mocklinghoff. Na manhã desta sexta-feira (3), o acidente aconteceu momentos após a decolagem do Aeroporto de Santa Maria com destino a Tris Lagoas.

Investigadores do Senepar chegaram a Campo Grande neste sábado (4) para investigar o acidente aéreo que matou o piloto Henrik Martin e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Mocklinghoff, 45. O acidente ocorreu na sexta-feira (3), logo após a decolagem do Aeroporto de Santa Maria. A aeronave PT-WYQ, um Neiva EMB-810D Seneca, caiu em uma área arborizada sob neblina e baixa visibilidade. A investigação analisará condições climáticas, histórico operacional e outros fatores.

A equipe especializada iniciou o primeiro levantamento em uma área arborizada próxima ao Condomínio Atlântico, onde foram encontrados os restos mortais. O trabalho inclui análise de aeronaves, documentação, condições meteorológicas, histórico operacional de voo e outros fatores que podem ajudar a esclarecer o ocorrido.

A aeronave de matrícula PT-WYQ partiu com destino à região do Pantanal aproximadamente às 18h20. Logo depois ele caiu em uma floresta ao lado da pista. Os destroços foram localizados por um funcionário do hangar que fazia buscas a pé desde a manhã.

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Dois passageiros morreram no local. Segundo o Corpo de Bombeiros, o avião ficou totalmente destruído com o impacto.

Nevoeiro identificado na manhã do acidente – Uma informação que deve fazer parte da investigação é o registro das condições climáticas de Campo Grande no momento da decolagem.

A capital acordou de manhã cedo sob influência de uma frente fria com neblina, garoa e temperatura de 7,6 graus Celsius. A baixa visibilidade já havia afetado as operações de voo. é determinado por Notícias de Campo GrandeA decolagem estava inicialmente marcada para as 17h, mas foi adiada devido ao clima.

O fato do Aeroporto de Santa Maria estar classificado para operações VFR (Visual Flight Rules) ou regras de voo visual nas publicações aeronáuticas oficiais do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) também atraiu a atenção dos profissionais da aviação.

Os destroços do avião bimotor Seneca foram encontrados em área de mata após queda na manhã desta sexta-feira (Foto: Juliano Almeida)

Nessas operações, o piloto deve manter referência visual do terreno e do horizonte durante o voo. As operações IFR (Regras de Voo por Instrumentos), realizadas com instrumentos e procedimentos específicos, são utilizadas em condições de baixa visibilidade.

Os pilotos ouvidos pela reportagem ressaltaram, porém, que ainda não foi possível estabelecer uma ligação entre as condições da manhã e o acidente. A avaliação dependerá dos pesquisadores do CENIP.

Buscas mobilizaram autoridades da capital (Foto: Juliano Almeida)

O vôo era regular Segundo consulta ao RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro) da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a aeronave era um modelo Neiva EMB-810D Seneca, fabricado em 1983.

O avião estava em boas condições, tinha certificado de validade até junho de 2027 e era operado pela empresa Amapil Táxi Aéreo.

O registro também indica aprovação para operações IFR, procedimento onde a navegação pode ser feita com auxílio de instrumentos de aeronaves.

Renovação do Aeroporto- O acidente ocorre poucos meses após o anúncio dos investimentos para modernização do Aeroporto de Santa Maria. Em fevereiro deste ano, a Agesul (Agência Estadual de Gestão Empresarial) aprovou licitação de R$ 45,7 milhões para restauração e ampliação da estrutura.

O piloto Henrik Martins morreu em um acidente de avião hoje, sexta-feira. (Foto: Reprodução)

O projeto prevê melhorias nas pistas de pouso e decolagem, áreas de taxiamento, pátios de aeronaves e implantação de novas estruturas de apoio aos passageiros.

Quem foram as vítimas? O piloto Heinrich Martin e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Mocklinghoff morreram no local do acidente.

Henrique era conhecido no meio aeronáutico sul-mato-grossense e trabalhava na Ampil taxi aero há cerca de um mês. Anteriormente, ele trabalhou como instrutor de vôo. Casado e pai de uma filha, ele registra sua rotina no hangar e compartilha momentos com a família nas redes sociais. Em entrevista com o Dr. Notícias de Campo GrandeA esposa lamentou a perda e relembrou o caminho trilhado pelo marido na aviação.

Lydia Theresia Mocklinghoff a caminho do Pantanal (Imagem: Reprodução)

Lydia, 45 anos, era uma pesquisadora reconhecida internacionalmente por suas pesquisas no Pantanal. Zoóloga, ecologista tropical e doutoranda alemã, ela dedicou anos à observação e conservação de mamíferos silvestres, especialmente tamanduás, na região. Parceiro de longa data do Instituto Tamanduá, era presença frequente em expedições científicas ao estado e estava a caminho de outra fase da pesquisa no momento do acidente.

A morte do pesquisador gerou indignação entre cientistas, ambientalistas e profissionais que trabalham pela conservação dos animais pantaneiros, enquanto familiares, amigos e colegas de Henrique prestaram homenagens ao piloto ao longo do dia.

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