MS proíbe novos empréstimos para trabalhadores

A moratória prolonga-se até 31 de dezembro, período durante o qual o grupo de trabalho de combate ao sobreendividamento continua ativo.

Incluída na ação coletiva contra transferência de valor encaminhada pela Hollerit Fesarp ao mestre e suas instituições (foto: reprodução do processo)

O governo do estado de Mato Grosso do Sul proibiu o reconhecimento de novas instituições que oferecem crédito consignado a servidores públicos. A suspensão é uma das medidas previstas na resolução publicada no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (3), que cria um grupo de trabalho para estudar e apresentar propostas de medidas de combate ao superendividamento dos servidores públicos.

O governo de Mato Grosso do Sul proibiu o reconhecimento de novas instituições de crédito consignado para servidores públicos até 31 de dezembro. A medida faz parte de uma resolução divulgada nesta sexta-feira (3) que cria um grupo de trabalho para combater o superendividamento efetivo. A Secretaria de Administração reconhece que o crédito consignado aumenta o endividamento, o que afeta a saúde mental dos trabalhadores e a qualidade dos serviços governamentais.

Segundo a publicação, a proibição vai até 31 de dezembro deste ano, período de funcionamento do grupo de trabalho. O governo também estabeleceu critérios para renovação de organizações já reconhecidas. A renovação será feita pelo secretário de Estado da Administração, que avaliará “benefícios, âmbito e viabilidade técnica”.

Para justificar a medida, a Secretaria de Estado da Administração (SAD) admite que a dívida aos funcionários públicos aumentou e aponta a dívida salarial como um dos principais motivos. O texto destaca também que as distorções de rendimento afetaram os orçamentos familiares e a saúde mental dos trabalhadores, o que teve impacto na qualidade dos serviços governamentais.

As responsabilidades do grupo incluem a recolha de dados sobre a dívida aos funcionários públicos, a identificação de factores que agravam a situação, a análise de opções administrativas e legais e a proposta de medidas preventivas, orientações financeiras, reestruturação de dívidas e reestruturação financeira pessoal, respeitando os limites legais e orçamentais.

O grupo também será responsável por organizar reuniões técnicas e apresentar um relatório final com diagnóstico e medidas recomendadas para análise do governo do estado.

A resolução reconhece e aproveita os estudos produzidos pelo grupo de trabalho criado em 2025, que expira este ano. Segundo o governo, o material técnico já elaborado servirá de base para aprimoramento e elaboração de futuras propostas. Ao final, será fornecido um relatório que servirá de base para possíveis ações do executivo estadual.

empréstimo – Mais da metade dos servidores públicos, tanto ativos quanto inativos, deverão ter parte do seu salário retido no salário do executivo estadual. Segundo dados da SAD, são 42.133 pessoas, grupo que se encontra numa situação dramática, atingindo 90% do salário ou benefícios prometidos.

Embora existam limites legais para os compromissos de renda dos funcionários públicos para empréstimos, que normalmente limitam 30% a 40% do seu salário líquido para empréstimos consignados, esses limites podem ser violados através de algumas práticas.

Uma delas é a concessão de múltiplos empréstimos por diferentes instituições financeiras, o que permite comprometer grande parte da receita sem o compartilhamento de informações sobre a situação financeira do servidor.

Outro processo é a renovação de empréstimos, onde o servidor pega novos créditos para quitar empréstimos anteriores, aumentando o valor total comprometido, o que pode gerar um ciclo de endividamento. Além disso, alguns tipos de crédito, como o crédito pessoal, podem ser oferecidos com menos restrições do que o empréstimo consignado, permitindo que os funcionários aumentem seu percentual de renda comprometida.

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