Instituto disse que não houve oportunidade de debater a iniciativa de criação de unidades de conservação
A criação de uma unidade de conservação nas regiões de Miranda e Bodocena gerou uma série de polêmicas devido à interrupção das audiências públicas. Uma das principais preocupações destacadas pelas prefeituras na nota de repúdio ao projeto de conservação é a possibilidade de desapropriação de produtores rurais, o que o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) havia afirmado anteriormente que não aconteceria.
A criação do Refúgio de Vida Silvestre Delta do Salobra, com 60,8 mil hectares entre Bodocena e Miranda, no Mato Grosso do Sul, gerou polêmica depois que produtores rurais bloquearam audiências públicas sobre o projeto. O ICMBio esclarece que não haverá desapropriação e que as atividades agrícolas compatíveis com a conservação poderão continuar. As câmaras municipais emitiram avisos de recusa e os sindicatos rurais negaram a organização de manifestações, mas parabenizaram os manifestantes.
Em publicação de 12 de junho, o ICMBio disse que a unidade de conservação não prevê desapropriação e que revisões (santuários de vida selvagem) podem ser construídas em terras privadas sem exigir a remoção dos proprietários. Segundo o instituto, eles poderão dar continuidade às atividades econômicas compatíveis com a conservação ambiental.
Apesar disso, as Câmaras Municipais de Bodocena e Miranda publicaram notas de repúdio, lembrando que não há previsão de indenização pela desapropriação de produtores rurais e que a iniciativa não será levada em consideração com critérios técnicos adequados.
Em nota, o ICMBio disse que o Revis (Refúgio de Vida Silvestre) não teve oportunidade de debater tecnicamente a proposta de criação do Delta do Salobra e, portanto, “não pode comentar a reclamação geral relativa aos supostos ‘critérios técnicos inadequados’, uma vez que tais questões não foram devidamente apresentadas e discutidas”, o que foi impedido durante a consulta pública.
O assunto seria discutido em audiência pública marcada para a última quarta-feira (17) na Prefeitura de Bodokena, mas os produtores rurais se opuseram à proposta e bloquearam o evento.
O instituto já havia afirmado que a proposta não impede a produção agrícola na região e que as áreas produtivas localizadas dentro do refúgio poderão manter as operações, desde que respeitadas as normas de uso sustentável e de proteção ambiental.
A proposta também não alterará as práticas de pesca nos rios Miranda e Salobra, que continuarão a seguir as regras já em vigor. No Rio Salobra, por exemplo, a atividade já é proibida pela Lei Estadual nº 5.184, de 18 de abril de 2018.
O IDS (Instituto Delta do Salobra), organização que também atua na proteção ambiental na região e acompanha o tema desde o início da proposta liderada pelo ICMBio, disse que, ao longo das discussões, as preocupações dos proprietários rurais ficaram claras devido a experiências anteriores envolvendo outras unidades de conservação.
“Estas preocupações passaram a ocupar o centro do debate e acabaram por se sobrepor a uma ampla discussão sobre o potencial económico, ambiental e turístico do corredor. O IDS continua o diálogo e o entendimento para chegar a uma proposta aceitável, uma realidade difícil de ignorar: a região combina características naturais raras que ainda estão a atingir um ponto potencial baseado numa natureza potencial”, nota o Instituto.
A consulta pública foi impedida de ser uma etapa do processo e permitiu que o público conhecesse a proposta e tirasse dúvidas. A iniciativa prevê a criação de uma unidade de conservação com cerca de 60,8 mil hectares entre os municípios de Bodocena e Miranda, abrangendo áreas estratégicas para a conservação da biodiversidade, como a Serra da Bodocena e a Bacia Sedimentar do Pantanal.
A criação da unidade foi recomendada durante o Workshop sobre Critérios e Prioridades para Criação de Unidades de Conservação Federais, realizado em janeiro de 2024. O encontro reuniu representantes da comunidade científica e da sociedade civil para avaliar propostas de novas áreas protegidas para 2026 e 2030.
Em nota, o Sindicato Rural de Miranda e Bodokena rejeitou apelos para organizar, coordenar ou sindicalizar os produtores rurais que impediam o debate sobre Reeves. A agência disse que os produtores estão céticos em relação a possíveis restrições futuras ao uso da terra, expansão das atividades produtivas, investimentos, acesso ao crédito rural, licenciamento ambiental e direitos de propriedade.
Apesar de discutir qualquer iniciativa de conservação de forma transparente e democrática, a entidade parabenizou na última quarta-feira os manifestantes que impediram o debate.







