A lei brasileira sobre a inclusão de pessoas com deficiência exige que todos os estabelecimentos abertos ao público reservem vagas exclusivas para pessoas com deficiência em seus estacionamentos. Embora não seja obrigatória a indicação de sinalização específica para pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista), alguns locais de Campo Grande cumprem timidamente.
Um supermercado Comparar próximo ao Parque Itanhangá, em Campo Grande, abriu em seu estacionamento duas vagas exclusivas para pessoas com transtorno do espectro do autismo. A iniciativa foi celebrada por representantes das associações Flor de Cerezira e Juliano Varela, que levaram crianças e jovens ao evento. A rede Grupo Pereira pretende ampliar as vagas para outras unidades e convida outras empresas para se juntarem aos trabalhos.
A inauguração de um supermercado Compar no entorno do Parque Itanhangá, na região nobre da capital, nesta quinta-feira (18), tem sido motivo de comemoração para duas instituições de caridade que atendem pessoas autistas, Flor de Cerezeira e Juliano Varela. Delegados, crianças e jovens compareceram, tiraram fotos, tocaram música instrumental e utilizaram um local pela primeira vez.
Vestido de Batman, o presidente e fundador da Flor de Serezira, Romeu Saravi Chita Jr., 54, disse que a cidade carece de muitas iniciativas desse tipo. “Essas crianças têm doenças congênitas, não estão todas preparadas para ir para um lugar com muito barulho, muita gente. Temos que ser sensíveis”, disse.
Romeu tem um filho autista de 25 anos e descobriu aos 48 que ele também era autista. Ele foi para a abertura vestido para lembrar seu hiperfoco no personagem quando criança. Na associação, ele dá aulas gratuitas de judô para meninos e meninas com deficiências semelhantes.
“As pessoas têm medo dos autistas, não somos pessoas más, somos pessoas boas. Somos vistos aqui, é muito importante”, finaliza o professor.
servo – Realizado no Dia do Orgulho Autista para chamar a atenção para a causa, o evento foi encerrado com o início das apresentações da Banda Juliano Varela. Os membros são crianças e jovens com síndrome de Down e TEA.
O maestro Marcelo Pérez aceitou o convite para levar música ao estacionamento com o objetivo de contribuir para a visibilidade do que as pessoas com deficiência enfrentam. Sobre os benefícios para os integrantes da banda, ele disse que o principal é a disciplina. “Música exige disciplina. Para a vida dele é fundamental”, afirma.
Marcelo também comentou que ouviu muitas conversas tristes entre alunos e seus familiares. “Há descaso. A sociedade fala muito em inclusão, mas fala e não pratica. (Já ouvi dizer:) Cheguei a um lugar e não sou bem atendido porque sou autista”, finaliza.
expansão – Fernanda Bardauil, gerente de relacionamento do Grupo Pereira, que controla a rede de mercado, explicou que o veículo deverá ter carteira de identidade de pessoa com deficiência para utilizar o espaço.
O Comper do Parque Itanhangá foi o primeiro a aderir. Segundo o representante, outras unidades da rede também terão vagas.
Convida outras empresas a aderir. “Outros, que ainda não abraçaram essa causa, deveriam assumir. É importante”, pede Fernanda.







