Ao lançar a quarta edição do Karma, MPMS destaca que informação e medidas de proteção ainda salvam vidas
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) lançou nesta segunda-feira (1º) a quarta edição da campanha “Voque Mares um Amor Lev” em Campo Grande. A iniciativa marca o Dia Nacional de Prevenção ao Feminicídio e busca conscientizar sobre a violência doméstica, promover redes de segurança e incentivar as mulheres a procurarem ajuda antes que a agressão atinja seus níveis mais graves.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul lançou nesta segunda-feira (1º), em Campo Grande, a quarta edição da campanha “Voque Mares um amor leve”, que marca o Dia Nacional de Prevenção ao Feminicídio. A iniciativa busca conscientizar a população sobre a violência doméstica e promover redes de segurança para as mulheres, reforçando que mais de 90% das vítimas de feminicídio nunca procuram ajuda ou proteção jurídica.
A idealizadora da campanha, promotora Livia Carla Guadamheim Bariani, disse que, apesar de anos de debate sobre o tema, ainda falta informação sobre os serviços disponíveis para mulheres em situação de violência.
“Todos nós ainda precisamos de informação e apoio. Acreditamos que todos sabem onde ir e o que procurar, mas não sabem. Se você perguntar a dez pessoas na rua o que fazer se uma irmã ou amiga disser que está sofrendo violência doméstica, muitas não sabem como responder”.
Segundo o ativista, a campanha, que está em seu quarto ano, visa fortalecer orientações consideradas básicas, mas que são desconhecidas do público. Ele citou serviços como a Casa da Mulher Brasileira, o Ministério da Justiça, o Ministério Público, a Defensoria Pública e as forças de segurança como portas de entrada para quem busca apoio.
Lívia destaca que muitas mulheres deixam de procurar ajuda por acreditarem que uma denúncia resultará em acusação criminal contra o agressor. Explicou que podem ser invocadas medidas de protecção para interromper ciclos de violência e aumentar a protecção das vítimas.
“As medidas de proteção salvam vidas. Mais de 90% das mulheres vítimas de feminicídio ou tentativa de feminicídio desde 2015 nem sequer procuraram ajuda ou solicitaram proteção judicial”, afirmou.
O promotor destacou ainda que o feminicídio costuma ser causado por uma série de comportamentos abusivos que nem sempre são reconhecidos como violência. Estas incluem insultos, palavrões, destruição de pertences pessoais, controlo de rotina e isolamento de amigos e familiares.
“O feminicídio é a última etapa da violência. A pessoa insulta, xinga, quebra seu celular, te afasta dos amigos e familiares. A mulher tem que se perguntar se realmente está apaixonada ou se está em um relacionamento tóxico que pode se transformar em algo mais sério”, declarou.
Durante o lançamento, a subsecretária de Estado de Políticas Públicas para as Mulheres, Carla Stefanini, avaliou que o combate à violência exige não apenas prevenção e acolhimento, mas também uma resposta rápida do sistema de justiça.
“Queremos trabalhar na prevenção e protecção, mas também precisamos de trabalhar na responsabilização. A sociedade precisa de ver que há uma resposta para estes crimes”, disse.
Ele destacou o avanço da estrutura de atendimento da Casa da Mulhar Brasileira e citou ferramentas tecnológicas que agilizam os pedidos de medidas protetivas ao Judiciário.
O subsecretário também lembrou o recente julgamento do caso de homicídio de uma mulher em Anastasio, que terminou em 83 dias.
“Se quisermos enfrentar o desafio de prevenir, punir e erradicar a violência contra as mulheres, precisamos de mais julgamentos deste tipo, com resposta rápida e respeito pelas garantias legais”, disse ela.
Representando a Secretaria de Estado da Cidadania, a subsecretária de Políticas Públicas para as Mulheres, Manuela Nicodemos Bailosa, disse que a campanha aposta numa abordagem diferente ao discutir relacionamentos saudáveis, em vez de focar apenas na punição de crimes.
“Já sabemos que não podemos atacar e matar. Quando falamos de amor leve, estamos discutindo a raiz do problema, que é o controle sobre a vida das mulheres”, disse.
Ele argumentou que o debate sobre a violência de gênero deveria se deslocar para as escolas, bairros e comunidades, especialmente entre crianças e adolescentes.
“É muito claro e ao mesmo tempo, muito necessário ser claro. A campanha traz a possibilidade de mudança nas relações afetivas e mostra que a violência não começa com agressões físicas”, declarou.
Manuela também chamou a atenção para a situação das mulheres indígenas, das mulheres negras, das mulheres idosas e das pessoas com deficiência, grupos que, segundo ela, enfrentam vulnerabilidades específicas e muitas vezes são invisíveis nas estatísticas e nas políticas públicas.
Ao longo de junho, promotores de diversas cidades intensificarão palestras, entrevistas e atividades educativas. A expectativa é aumentar o conhecimento do público sobre canais de denúncia, medidas de proteção e formas de detectar os primeiros sinais de violência.
“A vida já é muito sufocante para alguém viver uma relação caracterizada pelo medo, controle e agressividade. Todo mundo merece um amor leve”, finalizou Lívia.






