Preso por violência doméstica, Paulo Ricardo Oliveira de Moraes, 26 anos, acusou o promotor Izonildo Gonçalves de Assunção Jr. de agressão física e verbal após audiência de custódia realizada na Casa da Mulhar Brasileira de Campo Grande, em fevereiro deste ano.
Um homem preso por violência doméstica acusou o promotor Izonildo Gonçalves de Assunção Jr. de agressão física e verbal após audiência de custódia em fevereiro na Casa da Mulhar Brasileira de Campo Grande. Um vídeo mostra o promotor dando tapas, socos e chutes no homem sob custódia. A defesa representa o Ministério Público junto ao CNMP e ajuiza ações cíveis e criminais. O MPMS confirmou investigação interna e criminal sobre o caso.
Um vídeo obtido nesta sexta-feira (29) mostra parte do incidente. Imediatamente após o término do julgamento, os dois criminosos filmaram policiais acompanhando Paolo pelo corredor. Então ele foi colocado em uma cadeira. Um dos servidores usa o rádio para pedir reforços enquanto, ao fundo, o promotor é visto dando tapas, socos e chutes no homem sob custódia.
Na gravação, a juíza Tatiana Dekarli é vista saindo da sala onde foi realizada a audiência e indo para o corredor. Nesse momento, novos ataques são registrados por câmeras de segurança.
O caso enviou submissões ao CNMP (Conselho Nacional de Ministérios Públicos), CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e AJPEN (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), além de processos em processos cíveis e criminais.
Em entrevista com o Dr. Notícias de Campo GrandeA advogada Gabrieli Dias disse que a defesa tomou diligências em diversas instâncias para investigar a conduta dos envolvidos. “Representamos procuradores, juízes, defensores públicos e agentes da polícia criminal nos seus respectivos processos. Esperamos que os casos sejam investigados e processados”, disse.
Há também uma ação cível pedindo indenização e uma ação penal pela suposta agressão. O advogado não deu detalhes das ações que tramitam na Justiça, alegando que havia sigilo judicial.
Mas a defesa entregou Notícias de Campo Grande Carta escrita por Paolo dois meses após o ataque e datada de 2 de abril deste ano. No documento, ele relata que os problemas começaram durante a audiência.
“Declaro que no dia da minha audiência, o promotor responsável começou a me assediar, dizendo-me para manter a cabeça baixa sem dizer nada”, escreveu ele.
No mesmo relato, Paulo afirma que as agressões físicas ocorreram após o término da sessão.
“Depois de terminar a audiência, o agente penitenciário estava saindo comigo quando perguntei o nome do promotor, ele voltou comigo para a sala de audiência, chamou o promotor e ele veio em cima de mim e me bateu e me sufocou”, registrou.
O preso também alegou que levou socos na testa, cortes e foi desencorajado de fazer exames periciais.
“Quando fui para o carro após o ataque, a polícia começou a me ameaçar para não cometer corpus delicti e por isso me recusei a fazer o teste”, relatou.
Na carta, Paolo diz que fica com medo e diz que fica com medo toda vez que sai da cela.
do outro lado – Procurado para a reportagem, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) afirmou que o caso ainda está sendo investigado.
“O Ministério afirmou que as referidas informações são objeto de investigação em duas frentes: foi instaurado um processo administrativo no âmbito da Inspetoria Geral do MPMS e um processo criminal está sendo analisado pela Procuradoria-Geral da República”, disse a instituição em nota.
A agência acrescentou que “não fará um julgamento preliminar antes da conclusão da investigação” e destacou que “qualquer conduta imputável a um membro do Ministério Público deverá ser analisada respeitando as garantias legais e o devido processo legal”.
O caso permanece sob sigilo na Justiça de Mato Grosso do Sul.







