NOVA DELHI: Consumir cafeína à noite nem sempre pode levar a menos sono ou dificuldade em adormecer, mas muitas vezes afeta a qualidade do seu sono à noite, descobriu um estudo.
Pesquisadores, inclusive da Universidade Médica de Wroclaw, na Polônia, afirmam que a eletroencefalografia (EEG), que registra a atividade elétrica do cérebro, pode observar a duração do sono ou o momento do despertar, bem como a qualidade biológica do próprio sono.
“A eletroencefalografia nos permite ver não apenas se uma pessoa está dormindo, mas também como o cérebro está dormindo”, disse Donata Kurpas, do Departamento de Enfermagem da Universidade Médica de Wroclaw. O estudo foi publicado na revista Nutrientes.
“As avaliações clássicas do sono avaliam a duração do sono e seus estágios, enquanto a análise quantitativa do EEG revela mudanças mais sutis, como a redução da atividade das ondas lentas, que são marcadores importantes da profundidade do sono e de suas características restauradoras”, disse Kurpas.
As ondas lentas são um componente chave do sono profundo, responsável pela regeneração do corpo, restauração de energia e função cerebral normal.
“A cafeína pode encurtar a duração do sono ou dificultar o adormecimento; no entanto, mesmo que a duração do sono pareça normal, pode reduzir a atividade das ondas lentas e alterar os padrões de EEG para um cérebro mais ‘desperto'”, disse Koopas.
Foram analisados trinta e dois estudos que examinaram a exposição à cafeína e os resultados do EEG relacionados ao sono.
“A cafeína altera de forma confiável a arquitetura neurofisiológica do sono humano em uma direção consistente com a redução da profundidade do sono e atenuação da recuperação homeostática”, escreveram os autores.
“Novas evidências sugerem ainda que a cafeína aumenta a complexidade do EEG e muda a dinâmica do sono para um estado mais dominado pela excitação”, disseram.
Os pesquisadores dizem que isso significa que o corpo pode passar oito horas na cama, mas o cérebro pode não se regenerar totalmente.
“A sensação subjetiva de dormir bem nem sempre corresponde ao que observamos nos registros neurofisiológicos. Uma pessoa pode adormecer sem dificuldade e não se lembrar de ter acordado, enquanto o cérebro pode apresentar menos características de sono profundo”, disse Kupas.
Cupas acrescenta que a cafeína não é “boa” nem “ruim” – é uma substância bioativa cujos efeitos dependem da dose, hora do dia, idade, estilo de vida, qualidade do sono, carga de estresse e sensibilidades pessoais. PTI








