Bhubaneswar: Quase 74 por cento das meninas entrevistadas em Odisha faltaram à escola durante a menstruação, variando de um a oito dias por ciclo, mostrou um estudo sobre saúde menstrual divulgado na quinta-feira.

A avaliação, realizada entre 28 de Abril e 25 de Maio em instituições educativas de 14 regiões e instituições públicas de oito regiões, destacou graves lacunas na gestão da higiene menstrual, nas infra-estruturas de saúde, nos sistemas de sensibilização e de apoio institucional.

A pesquisa abrangeu 177 entrevistados em áreas rurais e urbanas de Odisha, incluindo 121 escolas e 56 instituições públicas.

A avaliação foi conduzida por membros do consórcio, incluindo Aaina, UNICEF, Saukhyam Foundation, AL2050, PCI, WaterAid, AIIMS Bhubaneswar e IIT Bhubaneswar, bem como partes interessadas locais e representantes da comunidade.

As conclusões foram lançadas no Conclave de Saúde e Higiene Menstrual 2026, organizado pela Aliança Odisha para Saúde e Higiene Menstrual (OMHH Alliance), liderada por Aaina, em parceria com a UNICEF, com o tema “Rising Together: Transforming Menstrual Health into a Fundamental Right”.

Os resultados revelaram que a dor e o desconforto foram citados como as principais razões para a ausência das raparigas na escola, seguidos pela falta de instalações adequadas, pela falta de privacidade e pelo estigma social contínuo em torno da menstruação.

O relatório salienta que, embora 94% das escolas inquiridas tenham casas de banho separadas para as raparigas, muitas instituições ainda carecem de sistemas básicos de apoio à higiene menstrual. A disponibilidade de água e sabão nas casas de banho continua irregular, afectando a higiene e a disponibilidade.

Uma questão importante identificada pelo estudo é a falta de sistemas seguros de eliminação de resíduos menstruais nas escolas. Cerca de 56% das escolas não possuem instalações de eliminação ou dependem de métodos de eliminação abertos inseguros, criando riscos ambientais e de saúde pública. Apenas algumas escolas relataram a instalação de incineradores.

O relatório também observou que os mecanismos de apoio aos cuidados de saúde nas instituições de ensino são inadequados. Apenas 27% das escolas inquiridas tinham enfermeiros ou profissionais de saúde, enquanto 44% relataram fornecer kits de primeiros socorros.

“O acesso limitado a cuidados de saúde deixa muitas adolescentes sem orientação ou assistência imediata durante emergências de saúde menstrual”, afirma o relatório.

O relatório acrescenta que, embora cerca de 73% das escolas realizem aulas de sensibilização para a saúde menstrual, muitas raparigas ainda hesitam em discutir abertamente a menstruação devido aos tabus culturais e ao estigma generalizados.

As conclusões dos órgãos públicos são igualmente preocupantes. Quase 73% das instituições públicas inquiridas não fornecem pensos higiénicos às funcionárias ou visitantes, e mais de 31% das instituições públicas não possuem qualquer mecanismo de eliminação de resíduos menstruais.

A avaliação destacou ainda a fraca acessibilidade proporcionada por algumas instituições públicas para pessoas com deficiência.

Os entrevistados destacaram a necessidade de melhores infra-estruturas de água e saneamento, fornecimento ininterrupto de pensos higiénicos, melhores sistemas de eliminação, programas regulares de sensibilização e mecanismos de apoio institucional mais fortes.

O relatório destaca que a saúde menstrual não é apenas uma questão de saúde, mas também uma questão de dignidade, educação, inclusão no local de trabalho, saúde pública e igualdade de género.

Apela a uma acção urgente e coordenada por parte dos departamentos governamentais, instituições educativas, sistemas de saúde, organizações da sociedade civil e comunidades para criar um ambiente seguro, inclusivo e de apoio para mulheres e raparigas em Odisha.

  • Publicado em 29 de maio de 2026 às 08h05 (IST)

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