Equipes da receita federal em locais-alvo para investigação (Imagem: Prakash)

A Receita Federal lançou a Operação Fluxo Oculto, nova fase da Operação Carbono Oculto, com 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados contra organização criminosa suspeita de fraude no setor energético. A operação teve como alvo seis fintechs que transferiram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025 e identificou R$ 365 milhões em criptoativos suspeitos. Mandado expedido em Iguetemi, Mato Grosso do Sul.

Nesta quinta-feira (28), a Receita Federal lançou a Operação Fluxo Oculto, nova fase da Operação Carbono Oculto, para avançar nas investigações sobre organizações criminosas suspeitas de atuar no setor energético, incluindo fraudes, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e adulteração de produtos.

Mandado expedido em Iguetemi, Mato Grosso do Sul. No total, são 59 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas em cinco estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

MPSP (Ministério da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo), Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Sefaz/SP (Secretaria de Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo), ANP (Agência Nacional do Petróleo, Agência Geral Estadual do Biotour), Biotor, por meio da Procuradoria-Geral da República. São Paulo e as polícias militar e civil.

Segundo a Receita Federal, a nova fase visa principalmente seis fintechs descobertas durante uma investigação aprofundada. Funcionavam como bancos paralelos de organizações criminosas, usados ​​para transferir dinheiro, pagar compensações financeiras internas entre distribuidoras e postos de gasolina, pagar funcionários e cobrir despesas pessoais de operadores-chave.

Juntas, essas seis fintechs transferiram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. A Receita Federal também identificou atividades suspeitas com depósitos em dinheiro, prática considerada consistente com a rotina normal de uma instituição de pagamento. Entre 2022 e 2024, só uma dessas empresas recebeu mais de R$ 1 bilhão em dinheiro.

Dinheiro apreendido em operação (Foto: Prakash)

A investigação apontou ainda a utilização de “pocket accounts”, onde os valores eram centralizados e depois redistribuídos para dificultar o rastreio do dinheiro e a identificação dos verdadeiros beneficiários. Na prática, seria uma espécie de caixa financeira paralela, mas com uma roupagem de fintech. Moderno no nome, antigo no estilo.

Das seis fintechs investigadas, três reportaram movimentações de receitas da ordem de R$ 8 bilhões somente em 2025. Outros três serão multados por não fornecerem e-finances, declaração que as autoridades fiscais utilizam para monitorizar as transações financeiras. Também foram identificadas transações no valor de pelo menos R$ 365 milhões em criptoativos envolvendo instituições de pagamento investigadas e empresas suspeitas de lavagem de dinheiro.

Outra vertente da operação investiga a adulteração de combustíveis utilizando nafta petroquímica, um tipo de solvente. Segundo a Receita, o esquema resultará em um prejuízo de R$ 200 milhões em suposta sonegação fiscal em dois anos.

Segundo a investigação, as empresas de fachada simularam a compra de nafta para uso químico ou industrial aproveitando benefícios fiscais. O produto era então transportado até terminais de armazenamento e misturado ao combustível automotivo, que era encaminhado para postos ligados a integrantes da organização criminosa.

Os recursos fraudulentos, segundo a Receita Federal, foram direcionados para fundos de investimento para ocultar os verdadeiros beneficiários. Apontar para quatro operações de fundos, além de dois gestores de ativos e dois gestores. O patrimônio desses fundos está estimado em R$ 205 milhões e crescerá mais de 200% em apenas um ano.

Fluxo de rotas em tabelas divulgadas por receita. (Foto: Divulgação)

Mato Grosso do Sul também esteve presente em mais um desenvolvimento da Operação Carbono Oculto. A Operação Alquimia, ligada à Operação Boyle e Carbono Occulto, rastreou a rota do metanol por fábricas e usinas clandestinas no estado. A investigação encontrou fortes indícios de que combustível adulterado com metanol está sendo utilizado na produção irregular de bebidas alcoólicas, o que aumenta o risco da cadeia de investigação ir além dos postos de combustíveis e atingir a saúde pública.

No caso da Alquimia, a investigação decorreu da Operação Boyle, aberta para apurar possível adulteração do combustível com metanol. A análise do material apreendido levou ao Carbono Occulto, que revelou um esquema no qual empresas químicas regulares compravam metanol importado e enviavam o produto para empresas de fachada. O material é então transportado para postos de combustíveis, onde é misturado à gasolina vendida ilegalmente aos consumidores.

Participaram da Operação Fluxo Occulto cerca de 135 auditores fiscais, analistas fiscais e funcionários administrativos da Receita Federal, além de equipes de órgãos parceiros. A medida busca apreender evidências, identificar novos envolvidos e fortalecer o acompanhamento financeiro dos projetos investigados.

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