Estudo do IBGE mostra que Centro-Oeste ainda carece de dados de mortes, principalmente de crianças
Mato Grosso do Sul é uma região onde o registro de nascimento já tem alta cobertura, mas os dados oficiais ainda deixam passar algumas mortes, especialmente quando envolvem crianças menores de 1 ano de idade. É o que mostram as estimativas de subregistro e subnotificação de nascimentos e óbitos em 2024, apresentadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (19).
Dados do IBGE mostram que o Centro-Oeste, região onde está Mato Grosso do Sul, tem uma taxa de subregistro de nascimentos de 0,58%, e de subnotificação, de 0,27%, mas ainda enfrenta o não registro de óbitos infantis, com uma taxa de 5,86% de crianças menores de 12 anos. 0,95% em 2024.
O estudo comparou dados de duas grandes bases de dados nacionais. De um lado, estão os dados do registro civil das pessoas físicas, fornecidos pelos cartórios e agregados pelo IBGE. Por outro lado, o Ministério da Saúde dispõe de sistemas, como o CINASK (Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos) e o SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade). A proposta é mensurar quantos eventos importantes como nascimentos e óbitos ocorreram fora desta base.
O sub-registro ocorre quando um nascimento ou óbito não consta do registro civil. A subnotificação indica ausência desses eventos no sistema do Ministério da Saúde. Para nascimentos, o Centro-Oeste apresenta a menor lacuna de cobertura entre as regiões.
Em 2024, a taxa de sub-registro de nascidos vivos nos registros civis da região era de 0,58%. A subnotificação no Ministério da Saúde foi de 0,27%. As taxas são bem mais baixas que no Norte, onde houve 3,53% de subregistro, e 1,34% no Nordeste.
Isso permite confirmar que Mato Grosso do Sul está dentro de um bloco regional onde o registro de nascimento está mais integrado. Os dados não significam que o problema acabou. Isso significa que, em comparação com outras partes do país, o estado está em uma área com menor perda de dados de nascidos vivos
Na morte o quadro muda. Para os óbitos em geral, houve subregistro de 2,25% no Registro Civil Centro-Oeste e de subnotificação de 0,58% no SIM do Ministério da Saúde. O índice regional é inferior ao Norte, com 11,36% e ao Nordeste, com 7,84%, mas está acima do Sul e Sudeste em sub-registro cadastral.
A área mais sensível é a morte de crianças menores de 1 ano de idade. No Brasil, o subregistro nessa faixa chegou a 10,80% em 2024. No Centro-Oeste a taxa foi de 5,86%. Este valor é inferior à média nacional, mas ainda representa uma lacuna relevante na informação necessária para medir a mortalidade infantil e orientar as políticas de saúde.
O estudo mostra também que o problema diminuiu no Brasil na última década. Entre os nascidos vivos, a subnotificação nacional diminuiu de 4,21% em 2015 para 0,95% em 2024. A subnotificação no Ministério da Saúde diminuiu de 2,01% para 0,39% no mesmo período. Para os óbitos, a queda foi mais lenta: a subnotificação passou de 4,89% em 2015 para 3,40% em 2024, enquanto a subnotificação caiu de 2,32% para 1,00%.
O IBGE relaciona a qualidade desses registros aos objetivos internacionais da Agenda 2030 da ONU (Organização das Nações Unidas), particularmente aqueles relacionados à redução de mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças menores de 5 anos, além de garantir a identidade legal de todos, incluindo o registro de nascimento.







