Gecoc aponta sinais de prioridade, pressão para travar qualidade e falta de investigação de empresas
Mensagens atribuídas a funcionários do Cisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) foram citadas pelo Gecoc (Grupo Especial Contra a Corrupção) por reforçarem um suposto esquema de fraude no contrato de tapa-buracos da Prefeitura de Campo Grande.
As supostas mensagens no servidor Sysep foram citadas pelo Gecoc como reforçando um suposto esquema de fraude no cumprimento de contratos na Prefeitura de Campo Grande. Os diálogos constam de um documento do MPMS utilizado na Operação Buraco Sem Fim e indicam a manipulação de medidas em benefício da construtora real limida. Os contratos investigaram um total de R$ 113,7 milhões entre 2022 e 2025.
Os diálogos constam de documento do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) utilizado na Operação Buraco Sem Fim e sustentam a tese da “manipulação deliberada e sistemática de métricas de atendimento” em benefício do grupo, segundo os pesquisadores.
Em uma das mensagens reproduzidas pelo Ministério Público, Mehdi Talayeh, o então superintendente da Cesep, que foi preso na operação, cobrou a urgência de interromper medidas relacionadas à Construtora Real Ltd., principal alvo da operação, como forma de agilizar a liberação do dinheiro.
“Boa tarde / Temos que fazer as medições hoje e mandar para o Rômulo pedir nota / Prazo para baixar amanhã / Começar pelo real”.
Para a Gecoc, a cotação indica a prioridade dada à empresa dentro da rotina administrativa do departamento. O inquérito interpretou a mensagem como um sinal de pressão para agilizar a medição e permitiu a emissão do desafio.
Em outro diálogo citado pelo MPMS, Mehdi questiona sobre normas relacionadas às medições das construtoras.
“RIAL janeiro vai dar mais ou menos 500, né? / Vamos agilizar a medição de janeiro”.
Na avaliação do Gecoc, a conversa reforça as suspeitas sobre os valores associados à empresa sob investigação e a urgência em suspender os pagamentos.
Outra citação considerada sensível pela investigação envolveu uma mensagem atribuída a outro funcionário do Cisep, Eric Antonio Valado Ferreira de Paola, preso na segunda-feira. Segundo o documento, ele informou que fez as medições sem a presença do “ponteiro”, funcionário responsável pelos registros diários da frente de serviço.
“Estou fechando o Real, está demorando porque tenho que medir as estradas que eles construíram onde não tem sinalização”.
Para o MPMS, a ausência destes registos comprometeria a fiabilidade técnica das medições utilizadas para justificar os pagamentos públicos.
A Gecoc afirma que o esquema funcionará através de “manipulação deliberada e sistemática de medições de serviços, onde os pagamentos não são proporcionais ao trabalho efetivamente executado, mas sim com a mediação de valores fictícios”.
Segundo o Ministério Público, as mensagens ajudam a demonstrar “o esquema estrutural da corrupção sistêmica na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos”.
O documento também atribui funções específicas aos investigadores dentro do suposto esquema. Antônio Roberto Bittencourt nomeou Teixeira Pedrosa, “Peteca”, como “sócio oculto e verdadeiro tomador de decisões” da Construtora Rial.
“Por trás da fachada formal da empresa, os elementos apontam para o papel de destaque de Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, identificado como Peteca, sócio oculto e verdadeiro tomador de decisões”, afirma Gecoc.
Oficialmente, a empresa está registrada com o nome de seu filho, Antonio Jacques Pedrosa Jr., como sócio-gerente, e de sua esposa, Leanne Gusmão, como Jacques Pedrosa.
Para as investigações, Mehdi Talayeh aparecerá associado ao gerenciamento e agilização de medições e liberações administrativas, enquanto Eric Antonio Valado Ferreira de Paola atuará diretamente nas medições de campo.
O ex-secretário municipal Rudy Fiores esteve associado ao comando institucional do Cisep durante parte do processo de investigação.
O Ministério Público informou que o Real apresentou contratos e aditivos milionários à Prefeitura entre 2018 e 2025, mas nos documentos divulgados até agora a transação começa em 2022. Apenas os contratos e aditivos listados na investigação somam R$ 113,7 milhões.
Um dos exemplos citados é a área contratual de Segredo, que passará de R$ 4,2 milhões para R$ 21,3 milhões após o aditivo. Outra, na região de Anhanduizinho, passou de R$ 10,2 milhões para R$ 46,9 milhões.
Na avaliação do Gecoc, os valores “não são suportados pela realidade incerta dos trabalhos realizados”.
A defesa de Rudy Fiores afirma que a investigação está relacionada com informações anteriormente analisadas na Operação Cascalhos de Aria e sustenta que não há material novo que justifique um mandado de prisão e busca. A defesa dos comerciantes mencionados na reportagem não foi encontrada.







