Os itens estavam em um depósito separado, misturados com o que ainda era válido

O farmacêutico responsável foi levado à delegacia (Foto: Camila Alcantara)

O técnico farmacêutico responsável pela Clínica Canela, especializada em emagrecimento, foi levado à delegacia nesta quinta-feira (14), após fiscalização em Campo Grande encontrar 484 frascos de medicamentos vencidos misturados com produtos vencidos. Apesar das irregularidades apontadas, a clínica não foi fechada e funciona normalmente.

O técnico farmacêutico responsável pela Clínica Canela, especializada em emagrecimento, foi levado à delegacia de Campo Grande após fiscalização encontrar 484 frascos de medicamentos vencidos misturados com produtos vencidos. A operação, realizada pelo Procon, Vigilância Sanitária, Diácono e CRM-MS, também identificou irregularidades como antiarrítmicos vencidos, receitas inadequadas e contrabando suspeito. A clínica nega irregularidades.

Os medicamentos estavam em uma sala separada da clínica da Rua Joaquim Murtinho. Segundo a polícia, a equipe disse que o espaço seria utilizado como depósito e também para guardar pertences dos funcionários.

A operação foi realizada após denúncia enviada à Vigilância Sanitária do Procon, Vigilância Sanitária, Decon (delegacia especializada na repressão de crimes contra as relações de consumo) e CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul).

Medicamentos vencidos encontrados em clínica (Foto: Camila Alcantara)

Conforme apurou o relatório, o comportamento da farmacêutica ocorreu porque as leis sanitárias proíbem o armazenamento de medicamentos vencidos, bem como aqueles aptos para uso. Um perito Diácono foi chamado para analisar os produtos encontrados no local.

Durante a visita, as equipes também informaram a clínica sobre outras irregularidades. O CRM-MS relatou ter encontrado medicamentos antiarrítmicos vencidos, falta de insumos nos carrinhos de emergência, prescrição inadequada de hormonioterapia e publicidade considerada enganosa para especialidade desconhecida.

A Vigilância Sanitária está investigando possível aquisição e distribuição irregular de medicamentos. O Procon está investigando a suspeita de envolvimento, já que os pacientes serão orientados a comprar o medicamento manipulado pela clínica.

A delegacia passou cerca de 4 horas analisando o produto (Foto: Gabi Senciarelli)

O órgão informou ainda que não foi apresentado nenhum protocolo de licença de funcionamento atualizado ou de renovação de documentos.

Inicialmente, o médico Jonathan Canella negou irregularidades e disse que todos os medicamentos utilizados tinham comprovação, rastreabilidade e seguiam as normas da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Após fiscalização, a defesa alegou que os medicamentos marcados como vencidos ainda tinham validade até este mês.

Em nota oficial, a Clínica Canela afirmou que coopera integralmente com as autoridades competentes durante as fiscalizações em curso. A entidade afirma não fabricar, manipular, rotular ou vender medicamentos de forma irregular e que suas atividades são exclusivamente médicas, incluindo avaliação, acompanhamento e prescrição individual.

A defesa também nega a prática de venda casada e sustenta que os pacientes podem comprar medicamentos prescritos em qualquer instituição de confiança. Segundo a clínica, eventuais apontamentos administrativos ou operacionais estão sendo investigados internamente, tomando providências imediatas e revisando protocolos internos.

Por fim, a Clínica Canela declara que respeita o trabalho das autoridades, acredita na investigação técnica dos dados e reafirma o seu compromisso com a ética, a segurança do paciente, a transparência e o cumprimento da lei.

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