Fachada da Santa Casa, Campo Grande. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul aumentou em R$ 100 mil por dia as multas aplicadas ao governo do estado e à Prefeitura de Campo Grande devido à crise financeira e assistencial da Santa Casa de Campo Grande. A decisão foi tomada durante o julgamento da 3ª Câmara Cível na tarde de hoje, terça-feira (13).

A Justiça de Mato Grosso do Sul aumentou para R$ 100 mil por dia as multas contra o governo do estado e a Prefeitura de Campo Grande por causa da crise da Santa Casa. A 3ª Câmara Cível manteve a obrigatoriedade de apresentação de plano emergencial para normalização de serviços, regularização de pagamentos e redução de superlotação. O Estado questiona a sua responsabilidade, alegando que as transferências quase triplicaram entre 2021 e 2025.

De acordo com os pedidos processuais, os juízes deram provimento parcial ao recurso, aumentando a pena. O julgamento é baseado na maioria. O relator do caso é Amaury da Silva Kuklinski.

A decisão mantém a obrigação do Estado, da Prefeitura e da Santa Casa de apresentar um plano emergencial para normalizar o atendimento, regularizar pagamentos, repor estoques de medicamentos e reduzir a superlotação dos pronto-socorros.

Em nota publicada nesta quarta-feira (13), a Santa Casa informou que o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) reconheceu a gravidade da crise que a associação enfrenta e a inação dos órgãos públicos diante da situação de saúde pública. O hospital informou ainda que a decisão estabeleceu multa de R$ 100 mil por dia para quem não apresentar e executar plano de emergência.

Trechos da petição apresentada pelo estado ao TJMS mostram que a PGE (Procuradoria-Geral da República) questionou a responsabilidade do governo na crise financeira do hospital. No documento, os promotores afirmam que o poder público participou exclusivamente como ator financeiro no contrato firmado entre o município e a Santa Casa.

A mesma peça obtida por Notícias de Campo GrandeO estado argumenta que a Santa Casa recebeu mais de R$ 1,2 bilhão em bens do contrato do SUS (Sistema Único de Saúde) e afirma que os repasses estaduais quase triplicaram entre 2021 e 2025.

A petição observou ainda que a própria decisão de primeira instância reconheceu “questões relevantes relativas à gestão financeira da entidade”, além da “falta de transparência” na aplicação de recursos públicos.

Outra citação aponta que a Santa Casa tomou emprestado R$ 248 milhões da Caixa Econômica Federal e, apesar disso, encerrou 2024 com déficit de mais de R$ 98 milhões e dívidas com fornecedores.

Na decisão de primeira instância, o tribunal determinou que os órgãos públicos apresentassem, no prazo de 90 dias, um plano de ação claro e direto com possíveis soluções para garantir a retomada plena dos serviços hospitalares.

As medidas necessárias incluem a regularização dos serviços médicos, contratação de exames e procedimentos, recuperação de medicamentos e insumos, além da reestruturação dos pronto-socorros para que os pacientes recebam tratamento digno e humano.

A decisão liminar prevê ainda o bloqueio mensal de R$ 12 milhões das contas públicas em caso de descumprimento da ordem judicial. O valor será dividido entre estado e municípios.

do outro lado – Ambas as partes citadas foram contatadas pela reportagem, porém, apenas a Santa Casa respondeu dentro de uma hora do prazo para publicação do texto. Em nota, a associação afirmou que a decisão do tribunal “reforça a importância da Santa Casa para a saúde pública e destaca a necessidade de adoção de medidas concretas por parte do estado e dos municípios para garantir a continuidade da assistência de qualidade prestada à população”.

E Notícias de Campo Grande Aguardando resposta das autoridades governamentais para atualizar o assunto.

Link da fonte